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Kit De Sobrevivência Para Escolas Reféns De Alunos Indisciplinados

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Não, não vou citar autores que da teoria sabem muito mas que da prática pouco ou nada sabem. Vou espremer a laranja e deixar-me de rodeios, baseando-me na minha própria experiência de quem já viu muita coisa e de quem também já esteve em escolas difíceis. Não é por acaso que numa delas ao chegar ouvi de uns alunos o seguinte:

Aluno – “Prof, não sabe como é que isto funciona?

Eu – “Não, explica lá…”

Aluno – “Quem manda nesta merda (leia-se escola) somos, nós! A diretora faz aquilo que a gente quer!!!”

Passado algumas semanas percebi o que o aluno quis dizer, quando os alunos prevaricadores eram chamados à direção saiam de lá com o cabelo penteado, tal não eram as festinhas que lhes faziam. Por outro lado, quando um aluno se queixava de um professor, estes eram chamados à direção e saiam de lá com as orelhas a ferver. A pirâmide hierárquica tinha sido claramente invertida pela direção.

E o problema está exatamente aqui, os alunos até podem ser do pior que há, mas tem de existir alguém na escola que é reconhecido pelos alunos como uma autoridade e como tal é respeitada. Pode ser um professor, um diretor de turma, um professor tutor, uma equipa disciplinar, um psicólogo, funcionário ou em último caso, a figura do diretor. Se uma escola não tem esta figura, está o caldo entornado.

Hoje recebi um telefonema de um professor desesperado, estas últimas semanas têm sido férteis em desabafos de colegas que mostram bem o receio que têm de assumirem certas posições, com receio de represálias por parte das chefias, chefias essas que só se preocupam com a imagem e não com a falência disciplinar que reina nas suas escolas.

Não espanta por isso que existam escolas reféns de alunos altamente indisciplinados, criminosos até. Onde o sentimento de impunidade sente-se em cada esquina e por todos os seus elementos.

A boa notícia é que existem soluções, e por incrível que pareça nem são muito complicadas. Uma colega psicóloga dizia-me, “Alexandre, muitas vezes os miúdos mais complicados precisam acima de tudo de regras, do cumprimento de regras, de limites e consequências diretas para os abusos”.

Touché! Sou um defensor da transparência disciplinar, onde as situações mais frequentes são combatidas de frente, assumindo-se o problema, seja pela integração com regras (ex:  uso do telemóvel na aula), ou pela definição de castigos claros. (Ex: um aluno que recusa sair da sala de aula por ordem de expulsão do professor, já sabe que vai ser suspenso “x” dias.)

Mas certas escolas estão num estado tão caótico que nem mesmo a boa vontade do trabalho em codocência, psicólogo para aqui, tutor para ali, resolve o sentimento de impunidade e os atos de indisciplina constantes contra alunos e professores. Há momentos em que é preciso “sacrificar” alguns líderes de gangues encapotados, minando os seus reinados.

E como se faz isso?

Usando a mesma estratégia que o Ministério de Educação utiliza nos professores, dividir para reinar. Não há nada mais eficaz para destruir a união de um grupo indisciplinado como lançar a dúvida, a suspeição, que afinal existem ovelhas negras dentro do rebanho…

Após a destruição da união do grupo, os alunos ficam mais vulneráveis e em simultâneo devemos destruir todo o reinado de terror que certos criminosos querem incutir nas escolas.

Mais uma vez, como é que se faz isso?

Simples, com o cumprimento da Lei. Em casos extremos, enquanto responsável por um gabinete disciplinar cheguei a dizer aos alunos:

“Queres andar nesta escola, tudo bem! Mas andas pelas nossas regras e não pelas tuas!”

“Isto é muito simples, agora vais suspenso 12 dias, quando regressares e com os antecedentes que tens, à mínima vais mais 12 e assim sucessivamente!!!”

É pedagógico? Considero pedagógico aquilo que funciona, e aquilo que defende a maioria e não se sujeita à ditadura da minoria.

São casos extremos, mas para casos extremos, soluções extremas!

E resulta? Garanto-vos que resulta!

“mas os alunos vão é férias…”

E??? A minha prioridade deixou de ser esse aluno, passou a ser a recuperação do respeito, da ordem e da mensagem que passa pelos seus pares, passou a ser a escola enquanto entidade e não o indivíduo que mandou o professor para o caralho e lhe furou o pneu! E quem acha que os alunos ficam contentes ao serem suspensos é porque não ouviu as vezes que eu ouvi “professor, não me mande para casa”. Pois em casa não têm o “gangue”, estão afastados do seu reino, são apenas mais um entre paredes…

Infelizmente há momentos em que temos de pensar mais no coletivo do que no individual, a escola nunca conseguirá salvar todos, pode e DEVE tentar, mas há limites!

E acreditem que na mesma escola, ao fim de alguns anos, nenhum aluno dizia que mandava na escola. O clima de respeito, de disciplina, de tolerância, compaixão e afeto regressaram, a bem de todos, principalmente dos alunos. E depois da terapia de choque, a redução da carga punitiva regressou e a aposta mais pedagógica como alguns referem passou a estar mais presente.

Mas quando o caldo entornava, lá vinham os pedidos da pedagogia do “chicote”…

Alexandre Henriques

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8 COMENTÁRIOS

  1. Face a uma tal “estratégia”, até eu seria ‘indisciplinada’. Se ser professor redunda em velar pele Ordem e pela Disciplina, “está o caldo entornado”.
    Fui professora, contactei com muitos ‘agentes de ensino’, mas com muito poucos ‘professores’.
    Um comentário final: este texto, revelador de uma incomensurável raiva, é também revelador de um deficitário conhecimento da língua portuguesa.

    • O conhecimento em língua portuguesa até pode ser deficitário, mas é bem melhor que o seu nível de interpretação de texto. É uma pena que não tenha percebido que esta estratégia é para ser implementada em situações onde o caos impera. Se calhar nunca assistiu, nem sofreu na pele a indisciplina extrema, se calhar teve a sorte de passar o tempo preocupada apenas com a correção gramatical…
      Mas já que é especialista na matéria, partilhe connosco como colocaria uma escola em ordem, uma escola onde por exemplo os professores têm medo de passar nos corredores sozinhos?
      É que pelos vistos a maioria aqui dos agentes de ensino precisa de alguns professores que até já nem dão aulas…

    • Para quem vem com lições de moral sobre várias coisas, apoucando, através da ortografia era bom que a senhora antiga professora começasse por corrigir a sua…
      A Dona Isabel , em algumas escolas que conheço, baixaria logo a soberba para níveis residuais… Já vi, por escolas onde andei, muitas entradas de leão e muitas saídas de sendeiro… a mim nunca me beliscaram… Sabe porquê? Eu explico: treino militar, 1,95m de altura, 110 kg de peso… experiência, inclusive na adolescência, de ter crescido numa zona muito pesada e de perceber muitos sinais… É disto que estamos a falar!!!
      Felizmente que tive a sorte de ter uns progenitores bem formados que até me obrigam a tratar moderadamente bem pessoas como a professora Isabel!

    • Se tivesse a cabeça a fervilhar de tanto cansaço e preocupações para dar resposta a tantos problemas de mau comportamento, cumprir calendário e muito, muito mais assuntos , que só quem vive na escola o sabe, de certeza que não estaria com esses reparos. porque quando vimos para aqui, vimos encontrar alivio, ajuda e descontraídos, para bom entendedor, meio palavra basta. E eu já conto 64 anos. Desculpem colegas.
      Agradeço e gostei do testemunho do colega, com o qual concordo plenamente, e se assim não for, nunca chegaremos a lado nenhum, isto é, nunca mais se estabelecerá o respeito na escola.

    • Só por curiosidade, por que razão abandonou o ensino? uma vez que não dá apenas lições a alunos mas também a professores, estamos a perder a descoberta da quadratura do círculo:ensinar e aprender sem sofrimento. Deve ser uma espécie de ginásio de estética, emagrecer sem dietas e sem esforço. Assim deve ser, deite-se e aprenda razões e maneiras, enquanto assiste a um vídeo jogo de realidade virtual. Com essas facilidades todas, o ciclo de ensino passa a ser em semanas em vez de anos. Finalmente a educação vai dar lucro. Não se perca colega Isabel, estamos a precisar de um mago Centeno em educação: aprendizagem indolor e sem custos. Viva a Disney.

  2. Professora Isabel, tanta sobranceria relativamente aos seus colegas…deve ser uma pessoa muito triste, que tem orgasmos pseudo-intelectuais com o mal dos outros🤬🤮Estamos tão fartos de pessoas como vc!

  3. A comentadora Isabel deve ter ser uma “especialista” da educação.
    Por isso, aguardo ansiosamente por uma nova intervenção sua, onde partilhe todo o seu conhecimento, e me oriente nesta fase tão difícil.

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