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“João, queres fazer a avaliação a que faltaste?” “Não professor, deixe lá isso…”

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Começo a ficar um bocadinho cansado de ser “secretário” dos alunos e dizer a cada um deles, quais as avaliações a que faltaram e se estão interessados em fazer a dita. No meu tempo de aluno, se por acaso faltasse a uma avaliação, além dos meus pais justificarem a falta ao diretor de turma, eu na primeira aula tinha o cuidado de justificar a minha ausência e pedir à professora se não se importava de me fazer um novo teste. Fazia-o com algum cuidado, pois tinha consciência que estava a sobrecarregar a professora e apesar de não ter culpa do sucedido, a professora também não o tinha e estava a fazer-me um favor.

Hoje em dia tudo é diferente, muitos alunos estão-se a borrifar para a escola… além de não darem qualquer tipo de satisfação quando faltam, de não entregarem justificações dentro do prazo, ou apresentarem justificações do mais ridículo que há, é muito raro ver um aluno pedir ao professor para fazer-lhe uma nova avaliação. Infelizmente tem de ser o professor a dizer aos meninos, “olha, faltaste à avaliação tal… vamos fazer para a semana, pode ser?”.

Até parece que temos de pedir a agenda do aluno, pois é uma pessoa com muitos compromissos e como bons funcionários públicos que somos, temos de lhes prestar um serviço e agradecer humildemente a paciência para nos aturar…

Está tudo ao contrário, é o professor o que mais se preocupa com o sucesso dos seus alunos, quando deviam ser estes os principais interessados.

E depois temos as pérolas como me aconteceu hoje… O João é nome fictício.

Eu – “João, falta-te fazer a avaliação de salto em comprimento…”

João – “Deixe lá isso professor”.

Eu – “João, olha que sem essa avaliação vais ter negativa”

João – “Ó professor, está frio e não me apetece ir saltar…”

Por isso bem pode o secretário de estado falar em emagrecimento dos currículos, redução da carga letiva, ou em definir o que é essencial nos programas, que infelizmente haverá sempre alguém que está na escola apenas para cumprir calendário. As pedagogias são muito bonitas, mas a vontade própria, neste caso a preguiça própria, é tramada e nem os melhores pais ou professores do mundo conseguem demovê-la.

Já dizia o outro… E o burro sou eu? Pelos vistos sou… Mas não por muito mais tempo…

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