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Japão: a violência escolar em números. E Portugal?

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Monte Fuji, um dos símbolos do Japão
Monte Fuji, um dos símbolos do Japão

Não será absurdo que consiga obter dados estatísticos, com alguma profundidade, sobre a violência escolar entre alunos japoneses e tenha dificuldade em ter dados com a mesma qualidade sobre a violência escolar em Portugal?

(Na verdade não é difícil… é mesmo quase impossível)

Dias a seguir a falar-se tanto dessa expressão, só posso comentar que falta mesmo “reporte estatístico”….

Para ter dados do Japão é fácil: basta ler uma notícia de jornal, neste caso da edição online, em inglês, do Asahi Jimbun de Setembro.

O ministério de lá faz relatórios e divulga-os.E ainda tira conclusões e pensa em medidas face aos dados.

Atitude fascinante e bem longe dos hábitos lusos que, há uns anos, na linha da nossa tradição administrativa desleixada, incluíram, segundo notícia do jornal Público, deixar caducar o organismo que fazia esse serviço público.

Houve até um governante (não sabemos se copiou a ideia de algum lado) que quis, antes de ser poder, dar-nos um número de telefone para telefonar e avisar se houvesse problemas.

Mesmo essa generosidade um bocadito bacoca, parece que morreu quando passou a ser governante.

Traduzi de forma livre, em baixo, parte do texto do jornal japonês (com adaptações à terminologia portuguesa) mas pode ser lido na íntegra aqui.

A parte mais interessante é o gráfico associado (que tem de ser consultado no link) e que mostra que essa análise estatística é recorrente, consistente e com estudo do longo prazo (os dados começam em 1997).

Como nota, recorde-se que apesar do tom alarmista da notícia, o Japão tem uns 127 milhões de habitantes para as suas “preocupantes” 11468 ocorrências no ensino básico e 35683 no 3º ciclo e que, segundo a notícia acima citada do Público, o Observatório da Segurança em Meio Escolar, no ano de 2009/2010, registou em Portugal 4713 ocorrências em contexto escolar (incluindo do 1º ao 12º ano).

E para um país de uns 10 milhões de habitantes fazia um retrato assim: “Em cada 100 ocorrências, 33 consistiram em ofensas à integridade física, 27 em furtos, 11 em injúrias e ameaças, sete em situações de roubo e aproximadamente três em ofensas sexuais.”

(Tradução livre da notícia)

Japão: A violência escolar estagna no nível básico, cai no 3º ciclo e no secundário

As escolas básicas japonesas estão a tornar-se em verdadeiros campos de batalha com a violência a atingir níveis recorde. Contudo, os conflitos no grupo dos alunos de 3º ciclo e secundário estão a diminuir, segundo dados de um relatório do Ministério da educação japonês, tornado público a 16 de Setembro.

Os episódios de violência reportados nas escolas básicas atingiram um recorde de 11468 no ano escolar de 2014 (com data de referência a Março) mais 5 por cento que um ano antes enquanto os números no 3º ciclo e secundário baixaram 10 %.

O ministro explicou que a espiral de violência entre alunos do ensino básico pode ser fruto da inabilidade para controlar emoções e fracas competências de comunicação.Também citou o número crescente de estudantes com de meios carenciados e com problemas no meio familiar como razão possível.

Dos 11468 incidentes, 7113 casos envolviam lutas entre alunos. O relatório também listava 2151 episódios de violência sobre professores, 207 sobre outras pessoas e 1997 de vandalismo.

O relatório incluiu dados recolhidos de toda a rede pública e privada de escolas básicas e secundárias do Japão.

2 COMMENTS

  1. Ao menos o Japão tem dados, nós simplesmente olhamos para o lado ou varremos para debaixo do tapete. A tutela nunca deveria ter acabado com o observatório para a indisciplina escolar, muito menos com a linha de apoio para professores. O ComRegras está tentar fazer esse trabalho, mas está a bater na resistência das escolas em facultar esses dados. Dados esses que deveriam ser públicos não só pela tutela mas também pelas escolas, mas a escolha é muitas vezes esconder como se isso fosse resolver alguma coisa.

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