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Já Incluiram Os Pais, O Ambiente Familiar E O Material Informático Nos Critérios De Avaliação?

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Legalmente o 3º período conta para a avaliação, não há qualquer dúvida quanto a esse respeito, tal como não há qualquer dúvida que a avaliação que estamos a falar é de apenas uma pauta cheia de classificações no final do ano.

Mas uma coisa é uma classificação numa pauta, outra coisa é essa classificação corresponder ao trabalho realizado pelos alunos neste 3º período/ parte de 2º semestre.

O Ministério da Educação elaborou um roteiro de avaliação à distância, onde constam uma série de estratégias que os professores já conheciam. O problema não está, nem nunca esteve do lado do professor, o problema está nas limitações naturais deste tipo de ensino.

Quando referi que as classificações do 3º período deviam ser as mesmas do 2º período, muitos foram os que criticaram porque os alunos e professores têm trabalhado muito. O problema está logo nesse argumento, os professores e alunos supostamente trabalham não para uma classificação mas para o desenvolvimento académico do aluno, para que este aprenda e evolua. A nota é apenas o resultado de um processo muito mais importante que a nota em si.

E seguramente que o leitor vai concordar comigo, quando disser que os bons alunos no ensino presencial, por norma, são os mais aplicados no ensino à distância, salvo a exceção que sempre existe .

Mas não podemos analisar a questão da avaliação do 3º período, pensando apenas nos nossos 100/200/300 alunos, ou nos bons alunos, devemos sim pensar nos quase 2 milhões de alunos que existem em Portugal e em todas as situações anómalas que ocorrem no o ensino regular, profissional e inclusivo.

Ninguém pode neste momento garantir a 100% que o trabalho efetuado pelo aluno é o resultado dele próprio. Está mais do que provado que temos alunos com regime de codocência parental e outros em modo de total autonomia/abandono. O trabalho autónomo à distância, não permite verificar, de uma maneira geral, a autenticidade do trabalho efetuado.

Não quero com isto dizer que a maioria dos alunos são aldrabões e os pais seus aliados, nada disso, mas ao pensarmos em todos, temos de incluir todas as realidades e todas as realidades significa que o professor pode estar a avaliar o pai em vez do aluno. Mesmo sabendo que o trabalho não é do aluno, é a evidência que tem e é essa evidência que terá de utilizar para a sua suposta avaliação.

E depois temos as contradições que vão surgindo por diversos intervenientes da praça educativa.

Ainda ontem, pela Madeira, surgiu a notícia Conteúdos Lecionados Por Videoconferência Não Vão Ser Avaliados, dita por um elemento de um sindicado da região. Algo que afinal só corresponde em parte à realidade. Reparem no que diz a Secretária Geral da Educação da Madeira e que mostra bem o tipo de discurso oficial que não é preto, não é branco, é cinzento.

Ficaria mal se dissessem que não haveria avaliação, pois o ano teria terminado a 13 de março e este 3º período de pouco ou nada serviria. Mas também não podem dizer que este período vai mudar muita coisa, pois o ensino à distância é uma amostra de ensino e que felizmente não foi pior do que aquilo que se temia.

O que irrita é este ram ram de discurso, de duas faces, pois quem anda nas escolas já ouviu o que eu ouvi. “As notas são para manter e para mexer, só para cima, salvo um caso muito excecional e devidamente justificado”. Até o próprio José Lemos, presidente do Conselho das Escolas, órgão constituído apenas por diretores, disse que dificilmente os professores vão baixar as notas. E se ele o diz, o que é que acham que os diretores andam a dizer nas escolas?

Compreende-se que assim seja, pois o ensino à distância não garante equidade, nem a autoria das tarefas realizadas. Há casos até que nem mesmo a presença dos alunos está garantida, pois os micros e as câmara estão desligados, tal como alguns alunos assumiram numa reportagem da SIC. O ensino à distância é mesmo isso, à distância.

E depois temos o ponto central deste artigo, os critérios de avaliação.

Pergunto-vos, as vossas escolas já adaptaram os critérios de avaliação ao ensino que estão neste momento a praticar?

Acredito que a maioria irá dizer que não. Então como podemos cumprir com uma avaliação que não corresponde aos critérios de avaliação para os quais foram criados? Não pensem apenas na vossa disciplina, pensem em todas as disciplinas…

Agora imaginem que há um aluno que se “baldou” e o conselho de turma baixa-lhe a nota. Se o encarregado de educação estiver atento, vai fazer “barulho” pois estamos a falar de 1/3 do ano, nas condições que conhecemos e onde nem sequer os critérios de avaliação estão a ser cumpridos.

Há escolas neste momento que já estão a trabalhar nesse sentido e até já estou em contacto com uma para partilhar em breve os seus critérios de avaliação.

Mas se é para avaliar, então tudo devia bater certo e neste momento não bate. Temos os problemas da autoria dos trabalhos, o agravamento das desigualdades e os critérios de avaliação que não estão ajustados. Ou vão avaliar os alunos apenas tendo como base as aulas síncronas?

Por isso pasmo, quando leio professores a referirem que não faz qualquer sentido questionar a avaliação do 3º período, só porque os SEUS alunos até trabalham e muito. Mas o nosso mundo não se limita às nossas turmas, é preciso dar um passo atrás, ver o quadro todo e tomar as melhores decisões. Felizmente que o inquérito ontem publicado pelo ComRegras, espelha bem as dúvidas que a avaliação do 3º período está a causar na comunidade escolar.

As avaliações vão surgir na pauta, mas garanto que a esmagadora maioria será igual às do 2º período. Mas sim, continuemos a dizer que o 3º período/2º semestre vai ter avaliação…

Alexandre Henriques

10 COMMENTS

  1. OK PERGUNTA
    Nos critérios de avaliação normais- presenciais já incluíram – a internet, os meios informáticos, os explicadores, os pais que fazem os exercícios aos meninos…etc etc etc… ou isso só interessa para um lado?
    Esta discussão que combinaram atirar agora para as redes é tão tão… nem sei que diga mas apetece-me dizer um palavrão mas sou um rapaz bem educado.
    A que propósito vem essa discussão? os professores sabem muito bem distinguir as coisas e a avaliar com efeitos na classificação ou não o que o aluno demonstrou. Os professores não vão pegar no resultado da ficha. OS professores não são assim.. seres em branco à espera dos vossos conselhos…
    Bem vamos lá ver qual será o grande problema que inventam amanhã ou depois…

    • José Martins, relaxe que o que é escrito aqui não depende do tamanho do ego de ninguém. E sabe o melhor de tudo, não precisa de ler, nem de vir cá… Seja feliz!

  2. Concordo.
    Fizeram-se aprendizagens, sem dúvida alguma. São aprendizagens paralelas de organização, de autonomia, de competências digitais. Ou não, para os inúmeros excluídos.
    Ficam essas aprendizagens para uso futuro (ou não), num contexto presencial adaptado à mais-valia das ferramentas digitais.
    Nada mais a declarar.

  3. Só quem não se quer dar ao trabalho de fazer pequenos testes individuais a realizar nas sessões síncronas e provas de avaliação oral dos conhecimentos adquiridos é que não consegue ter uma ideia clara e objetiva do nível que deve atribuir aos alunos no terceiro período. Isto, para além da fichas de trabalho que o aluno fez ou não fez, com ou sem ajuda, e da sua postura e participação nas mesmas sessões. Não há mais nada a dizer.
    É tão fácil e as pessoas fazem parecer tudo tão difícil…

      • E o aluno que não tinha onde dormir? Que não tinha de comeer?
        Já era assim!!! Não saberemos ser coerentes? Em nome da equidade vamos praticar a igualdade?
        Professor vê problemas!!!!!

  4. Os critérios estão a ser agora mudados?
    Então agora no final do período é que se mudam?
    Os alunos no início do 3período tinham de saber com que linhas se cosiam.
    Senão como posso fazer recursos de uma nota que não concordo se os critérios só são conhecidos “depois do jogo”?

  5. Os alunos da educação especial, os alunos sem computador…todas essas situações foram bem analisadas e tomadas medidas no sentido de resolver os problemas que surgiram. No caso da minha escola/agrupamento e das que conheço assim aconteceu. Se há problemas ainda por resolver, é porque não se diligenciou atempadamente nesse sentido, não se atuou de acordo com as indicações do Me. Não há maneira de levar os materiais a casa dos alunos?? Não há telemóveis, não há uma junta de freguesia que arranje computadores para esses alunos? A própria escola não os pode emprestar? As pessoas têm de ser criativas e proativas a contornar os problemas.
    Claro que há sempre casos difíceis de resolver ou impossíveis mesmo. Esses , residuais, terão de ser ponderados com todo o bom senso. É o que sempre se tem feito.

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