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Investir é preciso

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O que escrevo hoje vem mais em jeito de desabafo, provocado por uma discussão que tive, sobre um artigo que reflecte a opinião de um antigo Presidente da República, e que aqui vos deixo.

Nessa discussão, um amigo meu dizia-me que ainda se esbanjava muito dinheiro em educação, que o país não comportava gastar mais dinheiro com o Ministério e que a devolução de verbas hoje anunciada era disso um exemplo.

Qualquer bom gestor sabe que para colher frutos é preciso investir. Naturalmente é necessário ser criterioso nos investimentos e saber distinguir o que pode ser uma aposta ruinosa ou uma aposta com forte possibilidade de retorno. Jorge Sampaio já afirmou por diversas vezes a sua convicção de que Portugal necessita de mais investimento na educação. Nomeadamente tendo em conta a contracção económica e social que se sentiu nos últimos anos. Não poderia estar mais de acordo com o antigo Presidente da República.

Em textos anteriores já aqui elenquei alguns dos problemas que prejudicam o nosso sistema educativo. Problemas que todos nós sentimos no dia-a-dia das escolas. Muitos deles podem ser resolvidos com alguma reorganização dos serviços, mas desenvolver um modelo que resolva gradualmente os problemas implica uma assunção por parte do estado de que a educação não é uma despesa, mas um investimento, que tem o seu retorno no médio e longo prazo. Implica a consciencialização de que o dinheiro gasto em educação não é dinheiro mal gasto.

Hoje discute-se a devolução do dinheiro, gasto com a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), aos professores. Não pretendo analisar aqui se a prova deve ou não existir, isso já foi sobejamente discutido e o Tribunal Constitucional já decretou a medida inconstitucional. Devemos é refletir se esta devolução significa ou não por cobro a uma injustiça e se esta é uma forma de investimento na valorização dos nossos professores?

Portugal é hoje dos países da União Europeia que menos gasta em educação, curiosamente a par com a Grécia. A aposta que fazemos poderá ser dispendiosa e desnecessária se decidirmos que queremos um modelo de sociedade assente nos baixos salários e na fraca especialização, aí até podemos aceitar que temos licenciados e estudantes a mais. Podemos até defender que não precisamos dos professores que temos e reduzir o seu número. Mas se nos queremos integrar no grupo dos países mais desenvolvidos, temos de reforçar a aposta na educação, valorizando os ativos existentes e criando as condições necessárias para qualificar as gerações de forma a dar resposta às necessidades e exigências do país.

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