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Interrupção letiva ou interrupção de contacto?

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Têm-nos chegado testemunhos diversos de profissionais de educação que têm vindo a ser formalmente impedidos de manter contacto com as crianças e famílias que acompanham, através de notas e diretivas que se sobrepõem à legislação em vigor.
O que significa “Interrupção letiva”?
Entende-se, no documento exarado do Conselho de Ministros, por “interrupção letiva” a suspensão de atividades com os alunos/crianças, letivas e não letivas, de forma presencial. Consequentemente deverão ser mantidas todas as atividades que, nas escolas, impliquem o planeamento, preparação e gestão da atividade escolar.
Continuamos em contacto porquê?
A missão da Escola não se deve resumir apenas à “questão” letiva. A aprendizagem científica, racional, literácita não é o único fundamento de uma “Escola para Todos” e não o é na prática das escolas.
A missão e responsabilidade da Escola, e dos seus agentes, para com crianças, jovens e famílias é superior apenas ao ato de Ensinar conteúdos e conceitos curriculares. A Escola é também um espaço de relações, de interações e, sobretudo, de formação social, moral e cultural. A Escola é um espaço de Vida.
Uma interrupção abrupta das atividades letivas não pode pressupor a demissão dos responsáveis e docentes do seu dever ético e função. Não devem cortar-se os vínculos já criados e que tão importantes são na construção de sentimentos de segurança e confiança em si, nos outros e na Escola. Pelo contrário, na interrupção é essencial manter esses vínculos.
Que resposta às famílias e crianças que continuam na Escola?
Há muitas famílias, que por terem profissões essenciais, têm de deixar os seus filhos nos estabelecimentos de acolhimento. As crianças vêem-se obrigadas a fazer uma nova adaptação ao espaço e a novas pessoas. Uma criança que entra num lugar novo fica sempre em estado de alerta, principalmente se essa entrada implica a separação das suas figuras de referência. Para diminuir os riscos de desapego, é o contacto com as figuras de referência que auxilia os processos de transição e permite que se estabeleçam relações seguras que são essenciais para que o seu dia na Escola seja vivido da melhor forma. As figuras de referência da criança, onde se incluem os seus educadores, devem apoiar esses processos, quando a mudança de grupo ou de instituição é inevitável.
Porque estamos preocupados?
Não podemos deixar que as medidas sanitárias ignorem a necessidade de preservar a saúde mental das nossas crianças e jovens. Porque, se o fizermos, teremos com certeza em mãos uma outra pandemia no campo da saúde mental, com resultados bem mais dramáticos.
É preciso encontrar respostas para perguntas que nunca foram feitas.

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