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(In)Sucesso Regional

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AlentejoNo final da semana passada foi publicada a estatística do (in)sucesso escolar relativo ao ano letivo de 2014/2015. Aí aparece, uma vez mais, o Alentejo como zona deficitária, local onde o insucesso se espraia como mancha de óleo que se cola a nós e não nos larga. Apesar da referência a uma progressiva melhoria a região continua no fundo da tabela. Mais. Dentro dos maus resultados conseguem-se identificar “microclimas”, isto é, zonas onde os resultados são ainda piores, onde é maior a persistência e a resistência à escola, ao sucesso escolar, à cultura de escola – são cinco os concelhos em 47.

Mais ainda. A situação agrava-se há medida que se avança no nível de escolaridade. É grave nos anos iniciais, é muito grave ao longo do processo de escolarização, à medida que a escolaridade avança. Por outro lado, se a transição entre ciclos é predadora no Alentejo (altamente seletiva) juntando-se-lhe a desertificação demográfica e a seleção na transição para o secundário (agravada, no meu entendimento, com formas concorrenciais não regulares) faz com que dentro de pouco tempo existam apenas amostras de turmas neste nível de ensino.

Será sina? Será fado? Será destino? Não haverá volta a dar?

Hoje, por que sou professor e sou alentejano, porra, mais que uma análise ou qualquer tipo de consideração, a partir desta introdução questões, coisas talvez para pensar, para que nós, professores, nos possamos inquirir, para que os senhore/as diretore/as pensem os seus planos de intervenção, para que os políticos se interroguem sobre o seu papel. Para que possamos falar, trocar ideias, partilhar situações e circunstâncias.

Que implicações terão estes resultados na formação de gerações, na construção das pessoas e do indivíduo? Qual o seu impacto no desenvolvimento social e económico dos respetivos concelhos, na região, no país?

Mas afinal a região não está marcada pela desertificação dando origem a que, pelo menos estatisticamente, os rácios de aluno/professor sejam dos mais baixos do país? Afinal a dimensão das turmas não tem reflexos nos resultados escolares? Temos efetivamente dificuldades de aprendizagem ou serão os professores exigentes demais? Será que a cultura escolar não se afirma no Alentejo?  O porquê da persistência da divergência entre cultura social regional e cultura  escolar? Será que os pais/encarregados de educação estão assim tão alheados e indiferentes ao que se passa com os seus educandos na escola? Será que a família está assim tão divorciada da escola que cria indiferença e “secura” aos resultados? Será que as famílias se contentam com o facto dos seus saberem “apenas” ler, escrever e contar? Os municípios, os eleitos locais, continuam distantes e irresponsavelmente alheados destes números? Qual o papel, a ação e/ou a intervenção dos conselhos gerais destas escolas/agrupamentos perante os resultados? E dos conselhos municipais de educação? Será que existe algum tipo de relação entre insucesso e indisciplina escolar?

por último, sem ser finalmente, até que ponto estes resultados, nas regiões e nos concelhos identificados refletem a crise ou como ela se repercutiu nos rendimentos escolares, individuais e familiares?

Que futuro à educação no Alentejo, para a escola alentejana, para as pessoas do Alentejo?

Porra que isto me dói..

Manuel Dinis P. Cabeça – http:coisasdasaulas.blogspot.pt

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