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Indisciplina, a ponta de um “Iceberg”

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A classe docente está grata ao COMREGRAS porque marcaram um “Antes e um Depois”, fazendo toda a diferença …

Finalmente, alguém descobriu “a ponta de um iceberg”, um fenómeno de enormes e assustadoras proporções, do qual começa a vislumbrar-se apenas uma parte “à superfície”, mas cujas dimensões reais são muito superiores.

Os professores e, restantes profissionais da educação, conhecem bem a verdadeira extensão da indisciplina nas escolas portuguesas e sabem o quão nociva esta se revela no processo de ensino/aprendizagem e em todo o sistema educativo. A violência entre crianças e jovens é cada vez mais precoce e vai danificando o sistema educativo português, sem que os responsáveis de direito, façam algo para resolver ou reverter esta situação. Este problema vai arrastando avidamente as escolas e os profissionais da educação para o fundo.

Os estudos, sobre indisciplina, apresentados publicamente pelo ComRegras, merecem toda a atenção por parte do Ministério da Educação e têm toda a pertinência, sendo amplamente esclarecedores sobre a realidade dramática que vivemos, no contexto da escola atual. Estes revelam inequivocamente, os números crescentes e preocupantes dos casos de indisciplina e violência registados.

Todavia, sabemos bem que os números da indisciplina e comportamentos violentos e desviantes, em contexto escolar, são em número bastante superior aos registados em estatística. O que explica isto é que a maioria dos docentes desiste pura e simplesmente de fazer participações disciplinares, pois sabem que estas medidas são ineficazes e incapazes de fazer face a um problema já enraizado e de difícil solução.

Participações disciplinares e até a aplicação outras medidas correctivas e sancionatórias, são tão banais e rotineiras nas nossas escolas, que se tornaram já incapazes de fazer face à gravidade das ocorrências e pôr-lhes travão. As medidas de ordem disciplinar existentes são encaradas com indiferença por parte de elevado número de alunos e inclusive, por parte de vários encarregados de educação, que delegaram na escola toda a tarefa educativa, negligenciando totalmente as responsabilidades que lhes cabem por obrigação.

Os procedimentos disciplinares previstos e aplicados são demasiado benévolos e indulgentes, permanecendo o aluno indisciplinado e reincidente, quase sempre impune, mantendo os mesmos comportamentos abusivos, violentos e desajustados durante todo o seu percurso escolar.

 O que resulta de tudo isto? Quem são os prejudicados pelos índices de indisciplina?

 Todo o sistema educativo; professores e alunos; sobretudo aqueles que querem ser bons alunos; os que ainda respeitam a escola e o que ela representa.

São irremediavelmente prejudicados aqueles que têm sede do saber; valorizam os professores os conhecimentos; os que têm aspirações socioculturais; os que desejam trabalhar para obter um futuro promissor.

Mónica Guimarães

3 COMMENTS

  1. Só o sistema público de educação é que perde com a indisciplina.
    Porque é que as escolas privadas só admitem os alunos que querem e as escolas públicas têm que albergar alunos que só perturbam os colegas, os professores e o país, no final?
    Há alunos bem comportados, vítimas de bullying, que não têm outra opção senão abrigar-se desta escumalha em escolas privadas. E as escolas privadas ganham mais alunos e bons alunos. Estes preferem pagar do que ser sacos de pancada…mas os agressores continuam acoitados nas escolas públicas, a martirizar toda a comunidade, mas a receber subsídios do estado , a usufruir de livros e materiais gratuitos e as vítimas que continuem a pagar e a sofrer.
    É revoltante!

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