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Indisciplina Nas Aulas Vende Mais Explicações

2019
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Parece presságio, mas talvez se comece a perceber que sim, que a indisciplina é de facto o mal maior das escolas públicas em Portugal.

Quando se tem de recorrer às explicações apenas para que os explicadores façam o que os professores não conseguem, por estarem constantemente a interromper as aulas para chamar a atenção, relembrar regras!

Estamos a chegar ao limite…hoje temos desde do primeiro ano de escolaridade alunos que carecem de explicações não devido a dificuldades mas sim devido à impossibilidade da criação de um ambiente propício em diversas escolas do país!

É este o papel inclusivo que se quer de uma educação universalizada e de inclusão?

Acham mesmo que a flexibilização e inclusão resolvem este problema?

Haja coragem! Em primeiro para que se assuma o problema e em segundo para atacá-lo de frente sem medos nem receios!

Quando um aluno depende, exclusivamente, de uma explicação para aprender o que a escola não lhe consegue ensinar, estamos a caminhar perigosamente para o fim dessa escola!

E muito fazemos nós que em ambientes, por vezes, de enorme hostilidade ainda conseguimos!

Alberto Veronesi

 


A indisciplina nas salas de aulas está a prejudicar o ensino e é um dos motivos pelos quais cada vez mais pais procuram explicadores para os filhos mais cedo, logo no 1.º Ciclo. A ansiedade e a pressão pelas boas notas justificam que já não se vendam apenas aulas particulares de Matemática, mas também para as línguas, as Ciências e, até, o Português.

É em plataformas online como o OLX que mais se anunciam e procuram explicadores. Com perto de dois mil anúncios na categoria “explicações e aulas particulares”, no OLX os termos mais pesquisados nos últimos dois meses são “1.º Ciclo” e “preparação exame”. Quanto a disciplinas, a Estatística vem antes da Contabilidade e só depois surgem Físico-Química, Francês, Biologia, Inglês e Português.

“A indisciplina leva os professores a perderem grande parte das aulas a falar de regras e não a dar matéria. As turmas com quase 30 alunos também não ajudam. O resultado é que, quem quiser que os filhos estejam preparados tem de procurar ajuda fora”, analisa João Carlos Pereira, um dos líderes do Movimento Professores Precários. Para os profissionais deslocados de casa e com horários incompletos, explica, o rendimento das explicações acaba por ser “uma questão de sobrevivência” para muitos. E trabalho não tem faltado porque “os pais começam a procurar explicadores para os filhos mais cedo, ainda no Ensino Básico”.

EXCESSO DE PRESSÃO

Rui Martins, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, acredita que aumentou “a pressão dos pais para os filhos terem boas notas” e Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, responsabiliza o sistema de ensino de estar “demasiado orientado para resultados quantitativos”. Jorge Ascenção rejeita responsabilidade das famílias na “indisciplina, que sempre existiu” e prefere falar de “irreverência”, com a qual “os professores não sabem lidar” numa altura em que “a escola mudou, tem de acomodar todos, os que querem lá estar e os que não querem”.

ESCOLA-CASTIGO

A escolaridade obrigatória pode ser como uma pena para “os alunos desmotivados, que se transformam em indisciplinados”, e um castigo para os colegas pressionados pelos pais para terem boas notas, admite Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Ainda assim, não será por falta de preparação dos professores que os alunos precisam de explicações. “Também há pais que querem ajudar os filhos mas não conseguem explicar a matéria da forma como hoje é lecionada”, diz.

Para os professores que acompanham a matéria, refere João Carlos Pereira, as explicações são uma “oportunidade de conseguir suportar as despesas de deslocação, visto que, muitas vezes, com horários incompletos, mal conseguem pagar o alojamento e alimentação”. Apesar do aumento da procura pelas famílias, também há mais oferta e os preços têm-se mantido estáveis.

LIGADOS À TECNOLOGIA

Os jovens licenciados também encontram oportunidades no setor. Pedro Melo e Inês Vilas-Boas, 29 e 26 anos, licenciados em Engenharia do Ambiente e em Engenharia Zootécnica, respetivamente, dão explicações online e não têm mãos a medir. “Começámos pelas explicações presenciais, mas como nos mudámos para o Porto, passámos a 100% online. Descobrimos que muitos dos nossos alunos estão mais atentos ao computador do que estavam connosco e alguns até melhoraram as notas”, relata Pedro. De início, o projeto ExplicaMais só oferecia explicações de Matemática, hoje abrange todas as disciplinas do Ensino Básico (exceto Francês e Espanhol) e juntou Físico-Química às do Secundário. “Trabalhamos de segunda a sábado de manhã e, por vezes, aos domingos. A vantagem é que podemos fazer isto em qualquer parte do Mundo”, resume Inês.

Maioria dos alunos quer prosseguir estudos superiores

Pouco mais de metade dos inscritos nos exames nacionais pretendem seguir estudos superiores (55% em 2018). Este ano, o total de inscritos deverá variar pouco em relação ao ano passado (cerca de 160 mil alunos), pelo que se mantém também a estrutura dos cursos de origem (a maioria provém de Ciências e Tecnologias) e dos exames a realizar. Português é a prova com mais inscritos (perto de 80 mil), seguindo-se Biologia e Geologia (48 mil) e Matemática A (48 mil). Filosofia será o primeiro exame da primeira fase, a 17 de junho.

22 euros: Aulas de música ainda são mais caras

No OLX, música, guitarra e piano são as disciplinas mais caras, seguidas de Direito (19€) e Contabilidade (16€). No ExplicaMais, os valores rondam 12€/hora (Ensino Básico) a 14€/hora (Ensino Secundário).

12 euros: Preço médio estável há vários anos

Quem está no setor garante que o preço não tem subido porque há cada vez mais explicadores: a partir de 5€/hora para o 1.º Ciclo e podendo passar dos 20€ por hora no Secundário.

Fonte: JN

1 COMMENT

  1. “Jorge Ascenção rejeita responsabilidade das famílias na “indisciplina, que sempre existiu” e prefere falar de “irreverência”, com a qual “os professores não sabem lidar”…..
    Este papagaio perdeu mais uma oportunidade de ficar calado. Não se trata de irreverência, é mesmo falta de educação. Para que conste, tenho para mim que os nossos alunos são o reflexo do que se passa lá em casa. Se lá reina a confusão e a falta de educação, não é na escola que os alunos se vão mostrar educados e bem comportados. É uma questão de interesse pelas aulas, de saber estar e de respeitar aqueles alunos que querem aprender cada vez mais para terem um futuro melhor. Já não falo no respeito pelos professores porque estes, na opinião de muitos pais, são os culpados da escalada de indisciplina que aumenta à medida que os anos vão passando e de tudo o que de mau se passa no ensino. Felizmente, há PAIS bem formados e educados, e que sabem transmitir valores aos FILHOS, que se revelam importantes na formação da personalidade de cada um. Quanto aos paizinhos de cujo vocabulário não consta a palavra “NÃO”, que satisfazem todos os desejos dos meninos e que até os incitam a comportarem-se mal nas aulas, o único sentimento que me inspiram é pena por não quererem ou não saberem ser pais de verdade e com P maiúsculo. Em vez de insultarem, julgarem, acusarem os professores, seria mais produtivo que dialogassem com eles e que juntos encontrassem soluções para os problemas dos seus filhos. O problema é que muitos não vão sequer à escola durante o ano. E aos iluminados das Confederações das Associações de Pais, faço-lhes um convite: Deixem os vossos gabinetes e venham dar umas aulinhas e no fim veremos se a vossa opinião mudou ou não..

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