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A importância do auto-conhecimento na carreira do professor

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Muito se tem vindo a falar no auto-conhecimento para a nossa felicidade. Partilho dessa teoria, quanto mais sei quem sou, mais me é possível alterar padrões que não me fazem bem. Se é assim na minha vida pessoal, também o é na minha profissão.

Mas porquê o auto-conhecimento? Já certamente sentiste que a tua profissão precisa de uma lufada de ar fresco, mas não sabes como dar a volta. Pois isso acontece, quando não estamos a satisfazer alguma necessidade nossa, não sabemos bem o que falta, não sabemos o que queremos, e depois resumimos isso ao que nos lembramos, para alguns professores é o salário, para outros as condições da escola, para outros… e depois temos dias em que nos sentimos tão bem com a forma como correu o dia, que parece que tudo é perfeito e nada no salário mexeu, nada nas condições da escola mexeu, nada… Então o que acontece nuns dias e não acontece grande parte do tempo? Muitos de nós não paramos para perceber. Seja na vida profissional, seja na vida pessoal, até porque somos isso tudo, o pessoal e o profissional.

E porque o que fomos ontem não o somos hoje, é necessário percebermos em que fase estamos do nosso processo de auto-conhecimento e da análise profissional que precisamos para crescer.

Para vos fazer reflectir, vou tornar este pequeno artigo numa parte ínfima do que acontece numa sessão de coaching educacional. Em análise um dos 12 itens da nossa ferramenta – aulas inspiradoras.

Numa escala de 0 a 10, classifica o quanto as tuas aulas são inspiradoras, sendo que zero não são inspiradoras e 10 são brutalmente inspiradoras. Não se trata de avaliar se se é bom ou mau professor. Um coach não está nem aí para o julgamento, nem rotulagem, um coach está para guiar o professor, através de questões, na reflexão e tomada de acções para tornar as suas aulas inspiradoras, por exemplo.

A titulo de exemplo, e porque não temos a fórmula certa para cada professor, deixo algumas questões que podemos fazer para aprofundar este item:

O que é uma aula inspiradora? Qual foi o professor que mais te inspirou? Porquê? O que diferencia o teu comportamento do professor que te inspirou? Todas as matérias são inspiradoras? Que matérias são mais inspiradoras para ti? Porquê? O que falta nas outras? O que precisas de fazer para chegar a um 10? E ao longo da conversa as perguntas vão surgindo e o professor vai ficando com uma ideia onde se encontra, vai encontrando soluções para tornar a sua aula inspiradora, e vai aplicando de forma consistente e persistente as tuas acções, corrigindo o que é preciso corrigir, mas sempre a aplicar para que com o tempo a turma entre no novo registo. O que não dá certo hoje, não quer dizer que seja errado, mas que pode demorar mais um pouco de tempo a implementar. Porque afinal de contas tudo é um treino.

Lembra-te do professor que te inspirou, lembra-te que ele pode não saber que te inspirou e mesmo assim ele continua a inspirar, porquê? Simplesmente porque ele quer. Se queres que o sistema mude, então muda o que precisas de mudar em ti.

 

Raquel Barreto

Life Balance & Self-Esteem Coaching

1 COMMENT

  1. Se há uma coisa que terrível pós-modernismo é uma espécie de esoterismo, sem qualquer base científica, que quer substituir o Racionalismo e as Luzes. Dentro desta onde segue o movimento anti-vacinas, a volta ao parto natural, a cura pelas ervas, em geral, a meditação em segundos, e toda a casta de práticas, mais ou menos transcendentes, que hão-de fazer do professor sofredor , no professor iluminado, qual Buda sob a grande árvore…
    A propósito citarei, com uma grande reverência um místico verdadeiro , e arriscando no cabotinismo , o iluminado, demasiado humano , cheio de angústias, Álvaro de Campos:
    ”…E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo,
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. …”

    ”…Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó príncipes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo? …”

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