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Um professor de ensino básico e secundário pode ser Ministro da Educação?

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Nem tudo o que tem sido esta destruição da Escola pública passa pela política de subsídios. Foi claro ao longo dos últimos 15 anos uma aposta na destruturação da carreira docente e no ataque à dignidade profissional dos professores, a obsessão até na humilhação de uma classe laboral. Recorde-se o que foi a campanha de descredibilização pública dos professores levada a cabo nos governos de José Sócrates, que foi prosseguida com igual afã no executivo liderado por Pedro Passos Coelho. Não é assim por acaso que os novos licenciados têm fugido de integrarem a carreira docente pública. Tanto isso é verdade que é sabido que são menos de meio milhar os professores que têm menos de 30 anos e leccionam no sistema público.

É aos professores que compete dar alma, dar substância ao sistema de ensino. Sem professores que se sintam dignificados e respeitados no desempenho da sua profissão não há ensino que funcione e que seja um investimento no futuro. Ora, um país que não investe no ensino público e que não investe nos seus professores, é um país que não aposta no futuro. Um país sem um sistema de ensino público sólido não tem futuro, nem crescimento económico, nem desenvolvimento social. Pode até ser considerada uma visão romântica e antiquada, perante os que cantam hossanas à mercantilização da vida, mas sem um sistema de ensino público digno e estruturado não haverá investimento no futuro, nem aposta em ter cidadãos capazes de assegurarem o futuro.

Carregar aqui para ler todo o artigo da São José Almeida ao jornal Público

perfilLi todo o artigo mas foi esta parte final que mais cativou a minha atenção, não só pela sua objetividade mas principalmente pela identificação com tantos e tantos estados de espírito que reinam nas salas de professores.

Existe a ideia que a classe docente é desprestigiada pela população geral. Não é verdade! No meu recente estudo sobre (in)disciplina na família os encarregados de educação reconheceram a competência dos docentes com uns inequívocos 69,2% quando questionados sobre o que mais gostavam da escola do seu educando. É um facto!

São José Almeida levou e bem, a questão para os últimos governos, mas eu quero ir um pouco mais além e levar a questão para a escolha do próprio Ministro da Educação. Qual a razão para nunca se escolher um professor de ensino básico ou secundário no ativo para Ministro da Educação?

Vamos lá ver…

Falta currículo? Com tanto mestrado, doutoramento, pós doutoramento e mais não sei quantos pós qualquer coisa que há, certamente que se iria encontrar um professor com umas quantas páginas de currículo à la carte

Falta o conhecimento da realidade? Se dá aulas todos os dias certamente que não haverá nenhum candidato mais adequado…

Falta qualidades de liderança e de trabalho? Quem lida com 100,200, 300 alunos por semana e ultrapassa a sua carga laboral semanal, certamente que era capaz de gerir o suposto “monstro” da 5 de Outubro…

Faltam cartões de militância partidária? Não devia ser um critério, ou até mesmo o principal critério, mas deixemo-nos de demagogias. Laranjas, rosas, azuis, vermelhos… há de tudo na escola.

Então afinal o que é??? Sim, ajudem-me lá que estou de férias e o processador está em período “zen”, qual o motivo para nunca escolherem um professor no ativo para Ministro?

Espera lá…

Será que existe algum estigma contra o ensino não superior? Será que é preciso estar a lecionar em Universidades para se ter o estatuto necessário para ser Ministro? Será que a prática de anos e anos no terreno, de quem respira escola a cada inspiração diurna ou noturna, não vale mais que muitos teóricos que “cantam umas prosas bonitas” no superior?

Será que a valorização dos professores não deveria passar também por aí? Que melhor mensagem para a população em geral e que melhor base de apoio poderá ter um Ministro da Educação?

Esta reflexão não é uma indireta a Tiago Rodrigues, ele é apenas mais um ato de nomeação “monárquica” que existe na educação. A crítica é a todos os Primeiros que deviam dar mais crédito a quem é gregário todos os dias e leva com o embate das fraquezas da escola pública…

Estes gregários mereciam mais respeito e esse respeito podia passar pelo reconhecimento e valorização do seu trabalho que está congelado há quase 8 anos. Pois… É que o dia 30 está já aí…

FALTAM:

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8 COMMENTS

  1. O dado que nos falta é saber se alguma vez algum foi convidado,sobretudo desses colegas que estão na linha da frente. Nunca convidaram nem um diretor de escola ou agrupamento? Acho que os que gostam de dar aulas recusariam. Alguns diretores saltariam de contentes mesmo se estivessem em 25º lugar na ordem de escolha para ministro e todos os outros 24 tivessem recusado. Por isso, acho que terá toda a razão. Acho que nunca o poder convidou professores do básico e secundário para ministro da educação 🙂 . Quanto aos doutoramentos , seria resolvido facilmente ,se fosse separada a educação superior da não superior.Mais um ministro, pois é, mas não seria por aí que o país iria à ruína. Acrescento que entre nós haveria o problema mais ou menos parecido: um ministro que fosse professor do básico a mandar no secundário? Ui Ui , rasgar-se-iam algumas vestes, mesmo que esse professor tivesse doutoramento, obra publicada, prémios científicos ou literários . Nem mesmo um Nobel se aceitaria. Verdade ou não?

      • Concordo. Na minha opinião, o ministro da Educação não tem de ser professor , assim como no Ministério da Saúde não tem de ser médico, mas deveria ser alguém com profundo conhecimento do sistema de educação (ou de saúde) pública e privada , e alguém que respeite os profissionais do setor, que os ouça, que se aconselhe com profissionais do setor que estejam na linha da frente, a dar aulas (ou nos hospitais e centros de saúde), não só os especialistas de ” ciências da educação”, ou professores do dito ensino das Ciências de Educação que seria suposto formarem professores. Chega de “eduquês”, que agora voltou em força pelo que tenho lido. Como escolher esses conselheiros? Não seria o Conselho de Escolas que só tem diretores, teria de ser encontrada uma forma de os escolher por representatividade de opiniões entre os professores e outros profissionais do setor. Talvez por eleição directa, por exemplo distrital, em vez de ser por convite, era preciso haver candidatos, claro está. Mas isto é apenas uma ideia que me surgiu agora.

        • Não tem mas ajuda, o problema é que nunca foi. Existe uma clara “castração” dos professores no ativo para uma série de cargos que são atribuídos a amigos bem conhecidos ou pela indicação de amigos bem conhecidos. Até podem fazer um excelente trabalho, a crítica é à exclusão sistemática de quem sabe mais do que muitos que pensam que sabem.
          E mesmo que um Ministro não seja professor, julgo que fazia todo o sentido rodear-se de pessoas que estão na escola. Não chega ir às escolas ouvir professores, é positivo mas não é a mesma coisa que sentir a burocracia e a indisciplina reinante entre outras coisas…

          • Este post é muito falacioso.
            Quer ver dois professores do Secundário que foram governantes na Educação:
            João Casanova
            João Grancho

            Estão entre os piores inimigos da escola pública e dos professores. Queremos mesmo mais destes?

          • Quero alguém competente acima de tudo, de preferência com conhecimento prático da realidade.

  2. …quando a galinha tiver dentes ou um qualquer deus descer à terra, em vez de um bu(r)rocrato qualquer, tivermos alguém como um professor que esteve no terreno de operações, a orientar o ministério, então, sim será reposta a justiça e a verdade do facto!

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