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Ideologia De Género! Sou Ignorante?

Na Declaração Universal determina que a família tem o direito a ser protegida diante o Estado, Estado que, nesta caso em específico, ao contrário do que estabelece a Constituição da República Portuguesa, está a programar a educação segundo diretrizes ideológicas!

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Em primeiro definir que ideologia é essa?

Para isso passo a citar Filipe Anacoreta Correia que a define de forma muito simples e percetível.

Ideologia de género é “aquela que serve a ideia de que o género é matéria meramente volitiva ou de construção social. Que independentemente da idade e sem que se explique exatamente como é que isso se processa, a criança pode escolher (“autoatribuir”) um género, uma identidade, um nome, a casa de banho e o vestiário que pretende utilizar.”

E acrescenta que “o entendimento subjacente à ideologia de género tem uma visão – chamemos-lhe filosófica, antropológica ou ideológica — que, por mais estranha que possa parecer à maioria dos mortais, certamente ninguém quer proibir de ser defendida. No entanto, deve ter o lugar que numa sociedade aberta se consagra a toda a diversidade: espaço para ser afirmada ou contestada, mas nunca imposta.”

Portanto, ninguém aqui está contra a diversidade de ninguém e essa é uma falsa questão levantada por todos aqueles que defendem a ideologia, acusar os não defensores de retrógradas, fascistas, ignorantes, acéfalos e etc, estou, sim, contra a imposição, sobretudo em meio escolar, de uma Ideologia que atenta contra a ciência, a biologia e não tem sustentação para ser doutrinada nas escolas!

Já em outubro de 2017 escrevi sobre este assunto “Ideologia do género, ao que nós chegámos! Para onde nos querem levar?”, que fui atualizando e que republiquei em julho passado “Ideologia de Género! Concorda?”. Não sou bruxo, apenas sou interessado e atento pelas questões relacionadas com a educação, pelo que imaginava que mais tarde ou mais cedo chegaria cá!

Não demorou um ano e a lei foi aprovada Lei n.º 38/2018 de 7 de Agosto, chamo a atenção para o timing em que estas leis são aprovadas!

Um ano depois sai o despacho Despacho n.º 7247/2019, outra vez em pleno agosto entre um feriado e o fim de semana, greve dos motoristas em curso e no dia em que saem as Listas de Colocação de Professores, estavam, portanto, reunidos os ingredientes todos para que passasse despercebido…só que não!

No entanto é estranho que esta situação não tenha sido noticiada por nenhuma, repito, nenhuma operadora de televisão, perderam horas a fio com diretos nas estações de serviço, que afinal estavam com combustível e nem sequer filas tinham, portanto, a informar todos os telespectadores de que afinal não havia nada para informar!

Enquanto as televisões se entretinham a noticiar o que afinal não era notícia, dois Secretários de Estado, em final de mandato, assinavam, pela calada, um despacho que não é mais do que a implementação perigosa da ideologia de género nas escolas. Será que este assunto não tem relevância suficiente para aparecer nos telejornais? Porque será que não apareceu?

O assunto, mais uma vez, aparece primeiro nas redes sociais e só depois é noticiado pelas televisões, mas sempre na perspetiva de defesa do despacho com a presença do SE João Costa a mostrar que, das duas uma, ou não leu o despacho que assinou, ou prefere que a discussão fique pela rama, entenda-se casas de banho, pois essa questão será a mais “fácil” de contornar!

O assunto é demasiado socialmente fraturante e polémico para ser aprovado e despachado desta forma, na Silly Season, prova disso é  Petição Pública que já leva mais de 31000 assinaturas para que se suspenda o Despacho! Dá que pensar, ou serão apenas 31 mil ignorantes?

Na realidade o assunto é bem mais complexo que a simples questão: onde poderão tomar banho ou fazerem as suas necessidades os alunos trans?

Quando foi introduzida a disciplina Educação para a Cidadania,  que permitia ensinar às crianças que o género é uma construção social, que o sexo é biológico mas que cada um depois pode escolher o seu género, tendo sido convidadas, para essa informação “formação”, Associações com interesses duvidoso, já dava para desconfiar das intenções governativas, agora, com este despacho que dá autorização para que o Estado, através da doutrina escola,  imponha ao país a teoria de que a biologia é indiferente para definir o sexo de uma pessoa, que cada um constrói o seu género independentemente dos seus cromossomas ou dos seus genitais.

Que alguns acreditem nesta teoria, nada contra, que aproveitando os cargos de poder queiram impor a todas as crianças é um problema de todos nós! Problema maior sobretudo para aqueles que têm filhos em idade escolar e que, queiram ou não, verão os seus filhos serem doutrinados, em meio escolar, na ideologia defendida por João Costa.

Tornar as escolas laboratórios de experiências duvidosas com resultados desconhecidos é demasiado perigoso, estamos perante os futuros adultos deste pais. As crianças não podem ser cobaias ideológicas!

Este despacho é um passo para impor a ideologia de género nas escolas, como já tinha referido em outubro de 2017, é um instrumentalização das crianças para fins políticos. Se há adultos que acreditam que o género é uma mera construção social, que a sociologia se sobrepõe à biologia, que a ideologia se sobrepõe à ciência, têm liberdade para o fazer. Mas façam um favor: deixem as crianças em paz!

Na Declaração Universal determina que a família tem o direito a ser protegida diante o Estado, Estado que, nesta caso em específico, ao contrário do que estabelece a Constituição da República Portuguesa, está a programar a educação segundo diretrizes ideológicas!

A imposição de ideias discutíveis, pela via da autoridade estatal, é característico de um género totalitário, é esse género que nos tem presenteado o atual governo!

Nos últimos quatro anos de governação da geringonça temos assistido a uma nova forma de tolerância, que existe mas apenas com aqueles que alinham no pensamento de quem nos governa, quem não o faz é humilhado, achincalhado! A chamada intolerância de quem se diz tolerante!

Felizmente, como dizia o poeta, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”!

Alberto Veronesi

 


Em jeito de conclusão queria deixar algumas questões, de Helena Matos, que nos devem preocupar:

O Artigo 4.º desse despacho intitulado “Mecanismos de deteção e intervenção” é próprio de um Estado totalitário. Leia-se bem o que lá está escrito:

“1 – As escolas devem definir canais de comunicação e deteção, identificando o responsável ou responsáveis na escola a quem pode ser comunicada a situação de crianças e jovens que manifestem uma identidade ou expressão de género que não corresponde à identidade de género à nascença.”

Ou seja, na escola alguém – escolhido com que critério? – detecta a partir da sua observação ou de uma denúncia que uma criança manifesta uma identidade ou expressão de género, que não corresponde à identidade de género à nascença. Note-se que identidade ou expressão de género são conceitos em si muito mais vagos, subjectivos e latos que a transsexualidade. É total o arbítrio para que estes funcionários escolares do género detectem estar diante de uma criança que manifesta uma identidade ou expressão de género, que não corresponde à identidade de género à nascença.

O que acontece a seguir é o suficiente para que qualquer um que tenha saúde e meios emigre: “2 – A escola, após ter conhecimento da situação prevista no número anterior ou quando a observe em ambiente escolar, deve, em articulação com os pais, encarregados de educação ou com os representantes legais, promover a avaliação da situação, com o objetivo de reunir toda a informação e identificar necessidades organizativas e formas possíveis de atuação, a fim de garantir o bem-estar e o desenvolvimento saudável da criança ou jovem.”

Portanto, com base numa apreciação feita não se sabe em que termos começa um processo, não se sabe coordenado por quem e muito menos se percebe com vista a quê. Pode, por exemplo, a escola decidir que a criança deve mudar de género? Que poderes, competências, saberes têm as escolas para desencadear um processo destes? E quem é que numa escola pode ser obrigado a assumir responsabilidades num processo desta natureza: os professores? Ou vai franchisar-se esse trabalho para aquelas associações já contratadas para leccionarem Educação para a Cidadania e que podem passar da redacção de questionários para a produção de ordens sobre a vida das crianças?

Muito sinceramente algum de nós está a imaginar ver-se “em articulação” com umas criaturas ad hoc que nos informam que o nosso filho, neto, sobrinho… manifesta uma identidade ou expressão de género que eles determinarão (a lista mais actualizada conta 58 géneros pelo que as possibilidades são múltiplas) e que há que iniciar um processo com vista ao que eles definem como “desenvolvimento saudável da criança ou jovem”?

Nada disto é novo: as crianças já tiveram de ser reeducadas para viverem numa sociedade sem classes. Houve até quem defendesse que considerar a pedofilia um crime era uma forma de o capitalismo impor o seu controlo sobre o corpo. Agora é a ideologia de género a cumprir esse papel totaliário do experimentalismo social: do Homem Novo à [email protected] apenas muda o vocabulário.

O que também não é novo – e por isso chegámos aqui – é considerar que esta agenda não só não pode como também não deve ser contestada. Que estas nunca são as verdadeiras questões. Ou que sendo verdadeiras nunca é o momento oportuno para as discutir. Ou que sendo o momento não se está a discutir da forma correcta… Eis a armadilha da falsa questão.

A armadilha da falsa questão levou à instituição da presente ditadura das minorias, à criação de um clima sufocante de auto-censura, a campanhas fulanizadas de perseguição a quem manifesta um pensamento divergente e à criminalização da própria referência à realidade. A liberdade de expressão é hoje um privilégio para quem não depende de um emprego e de quem pela idade já não tem muito a perder.

Como chegámos aqui? Há décadas uma parte da sociedade começou por alienar o seu direito a impor questões chegando-se ao presente paradoxo de termos agora como as verdadeiras questões as questões outrora classificadas como falsas: a violência doméstica antes de se ter tornado na presente arma de arremesso contra o heteropatriarcado branco foi apresentada, pelos gestores da verdade das questões, como um drama de faca e alguidar que nem valia a pena abordar porque a luta de classes resolveria esses desvios pequeno-burgueses. Idem para a defesa do ambiente em que a solidariedade socialista com “mon ami Mitterrand” levou até a que Portugal tenha praticamente silenciado o assassínio, em 1985, pelos serviços secretos franceses, do fotógrafo português Fernando Pereira, activista do Greenpeace. E no caso dos refugiados, os mesmos – e em alguns casos são rigorosa e fisicamente os mesmos – que em 1975, em nome do apoio à descolonização, tentaram impedir portugueses brancos e negros de deixar África agora se pudessem transferiam a população dessa mesma África para a Europa.

Sim, chegámos aqui porque enquanto uma parte da sociedade foi recuando porque as suas questões nunca eram as verdadeiras questões, a outra conseguiu impor não só as suas questões como também fazê-lo a  um ritmo cada vez mais alucinante. Mal se sai de um assunto-causa já outro aí está e assim sucessivamente sem que haja tempo para reflectir no que se acabou de aprovar. Se por acaso um escolho se levanta nessa marcha logo somos avisados, como aconteceu no caso da eutanásia, que “haverá lei”.

Ao contrário do que escreveu o Miguel Pinheiro a propósito do Despacho n.º 7247/2019, acho que de facto existe uma guerra cultural. Ou melhor uma situação de controlo cultural de que a estupefação por este despacho ter sido contestado é um sinal.

Com a esquerda a fazer a apologia das contas em dia e a sociedade portuguesa a ficar aprisionada na tenaz de uma ditadura fiscal versus um Estado que não assegura os serviços mínimos aos cidadãos, a oligarquia já nem esconde ao que vem: “Bloco quer mais funcionários públicos e quotas por raça nas universidades”; “António Costa: Vou analisar o parecer [da PGR sobre as incompatibilidades] e, se concordar homologo, se não concordar não homologo”… a armadilha da verdadeira questão tornou-se no instrumento de controlo do pensamento não alinhado. Mas se à primeira todos caem e à segunda só cai quem quer, à terceira só cai quem é parvo.

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6 COMENTÁRIOS

  1. É tão ignorante como aqueles que, durante tanto tempo, violentaram as crianças esquerdinas obrigando-as a escrever com a mão direita, impondo uma ideologia da “normalidade” credora de uma mentalidade simplista e pobre do ponto de vista existencial que hoje, por ultrapassada, nos parece ridícula. Quando a experiência de vida é limitada e só se conhece o próprio bairro, tende-se a considerar alienígena tudo o que transcende a rua em que se vive. Este é um assunto tão transparente que a sua discussão não deveria ocupar às pessoas de bem, mais do que uma semana, resolver e andar para a frente que já estamos atrasados e não somos atávicos. Bem mais importante é focar-se no número de crianças que não vai à escola e a passividade do Estado em relação a esses casos. Concentremos energias no que interessa.

    • E tu és a iluminada cheia de mundo e sofisticada. És uma avançada mental. Daquelas que come tudo o que os média lhes metem à frente, sem a menor capacidade crítica e depois repete chavões armada em esperta. Felizmente não somos todos como tu, não emprenhamos todos pelos ouvidos, nem vamos acobardar-nos perante a agenda bloquista de demolir a sociedade portuguesa por dentro e sexualizar precocemente as crianças.

  2. Gostei muito do seu artigo
    Denota uma boa capacidade de análise e reflexão crítica, além de bom senso. De facto , é um assunto que requer tempo e escuta democrática de opiniões oriundas de técnicos, pais e outros agentes envolvidos na educação e formação de crianças e jovens, o que não aconteceu. Tomaram- se as decisões de forma precipitada e leviana , como , aliás já se tornou hábito , lamentavelmente!

  3. MUITO BOM!

    “Amadorismo Legislativo Ou Simples Incompetência?
    AGOSTO 24, 2019 ~ PAULO GUINOTE
    Os processos de mudança de género e nome, para existirem oficialmente, devem seguir uma tramitação que pode ser consultada aqui. Desde logo se percebe que dificilmente estarão em causa “crianças”, mas sim adolescentes, a menos que comecemos a tratar estas questões de modo informal.
    …”
    https://guinote.wordpress.com/2019/08/24/amadorismo-governativo/

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