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“Houve Um Abandono Dos Alunos Com Necessidades Educativas Especiais”

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Já lidaram com um aluno autista profundo? Daqueles que bate nele próprio e a todos os que o rodeiam? Que se despe e tenta fugir da sala e da escola?

Eu já e foi apenas uma manhã que nunca mais irei esquecer.

Recentemente uma mãe matou o seu filho autista e só não morreu com ele porque foi salva a tempo. Uma mãe que dormia com a porta trancada pois temia pela própria vida, uma realidade em muitos lares onde a tranquilidade é uma palavra desconhecida e onde o perigo está sempre presente. Não vou justificar nada, nem o pretendo fazer, pretendo apenas lembrar que uma minoria de alunos e consequentes famílias sofreram muito nestes tempos de confinamento e tal como o título diz, foram “abandonados” pelas contingências.

Não é por isso de estranhar que quase 90% dos professores de Educação Especial peçam um reforço das horas de apoio direto aos alunos no próximo ano letivo por o regime de ensino à distância ter provocado a estagnação ou regressão das suas competências.

Algo precisa de ser efetivamente considerado, pois a realidade é muito difícil, as nossas vidas são um sonho comparando com a destes pais e filhos.

Fica o resto da notícia.


Num questionário realizado pela Federação Nacional de Professores (Fenprof), entre a última semana de maio e primeira de junho, 88,5% dos docentes que responderam (384) defenderam que os alunos precisam de “apoios acrescidos”. Para cerca de dois terços (66,9%) serão necessárias mais horas de apoio docente direto, assim como mais horas de terapias (59,5%).

Os alunos abrangidos pela Educação Inclusiva integram o grupo – tal como os alunos do Pré-Escolar, 1.º e 2. ciclos e sinalizados como de risco de maus tratos – dos que devem manter-se prioritariamente em regime presencial se a evolução da pandemia voltar a forçar o fechar as escolas no próximo ano letivo. Nas orientações apresentadas pelo ministro da Educação, na semana passada, recorde-se, Tiago Brandão Rodrigues prometeu o reforço do crédito horário das escolas para serem contratados mais docentes, técnicos e funcionários.

A Fenprof considera de “parcas” as condições anunciadas pois, em média, estima a Federação, vão traduzir-se num reforço de três professores por agrupamento para aumentar tutorias, coadjuvações, equipas multidisciplinares e apoios.

Máscaras para alunos com surdez

No questionário, os professores alertam que no próximo ano com todos os alunos de regresso às escolas os equipamentos de proteção individual não podem limitar-se à distribuição de máscaras e álcool-gel. Há atividades desenvolvidas com alunos com pouca autonomia e, por isso, consideram imprescindível a disponibilização de batas (65,5%), luvas (62,6%) e viseiras (52,8%). E até de toucas, óculos e fatos de proteção completa apesar de em “menor percentagem”, refere o comunicado da Fenprof.

No caso de alunos com surdez, 13,7% alertam que professores e alunos devem usar máscaras transparentes por causa da Língua Gestual Portuguesa.

Se a pandemia forçar nova fase de ensino à distância, mais de metade dos docentes (56,8%) defende que estes alunos devem receber novos equipamentos informáticos adaptados “às suas características” – 38,2% considera que os professores devem receber material idêntico para trabalhar com os alunos à distância.

Os alunos com menor autonomia e maiores dificuldades de aprendizagem foram os “mais penalizados” com o ensino à distância, garante a Fenprof.

Fonte:JN

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