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Os dados conhecidos hoje são profundamente preocupantes, mais de metade dos jovens já sofreram violência no namoro. No momento em que as mortes às mulheres por violência doméstica tomam proporções assustadoras, as gerações futuras não mostram sinais de eliminar esta vergonha nacional.

Hoje é o dia de comemorar o amor, mas acima de tudo que se comemore o respeito como a essência de qualquer ato de amor.


Mais de metade dos jovens já sofreram violência no namoro em Portugal

Dobraram há pouco a esquina dos 20 e têm formação universitária. Ainda assim, 54,7% dos jovens em Portugal já sofreram pelo menos um acto de violência no namoro. Comportamentos como a difamação, o recurso às redes sociais para chantagear o outro, o hábito de vasculhar no telemóvel ou nos bolsos do casaco, as agressões físicas e a coacção para práticas sexuais não desejadas não são estranhos a mais de metade dos 2683 jovens inquiridos no estudo Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas, promovido pela Associação Plano i.

Entre rapazes e raparigas, além das 54,5% das mulheres e dos 55,3% dos homens que se declararam vítimas de violência num contexto de namoro, 34,5% dos participantes assumiram terem praticado pelo menos um acto de violência. Como no plano da violência doméstica, os rapazes surgem como sendo quem mais exerce violência sobre o outro, “embora a violência no namoro seja sofrida e praticada por ambos os sexos”, sublinha o estudo, desenvolvido no âmbito do programa de Prevenção da Violência no Namoro em Contexto Universitário e cujos inquéritos foram aplicados entre Abril de 2017 e Janeiro último.

Na análise da violência praticada e sofrida nas relações de namoro entre universitários, a psicológica prepondera: 21,3% das mulheres e 17,3% dos homens declararam que já foram culpados, criticados, insultados e difamados sem razão.

Quanto a ameaças, gritos ou comportamentos como partir objectos e rasgar a roupa, foram sofridos por 14,7% das mulheres e 6,9% dos homens. E 12,9% das mulheres (contra 9% dos homens) reportaram que já foram ameaçadas ou chantageadas através das tecnologias da comunicação.

A percentagem das mulheres que já se sentiram controladas na forma de vestir, no penteado ou nos locais que frequentam é um pouco superior: 19,6%. Entre os homens, 8,7% declararam terem também vivenciado tais situações.

Numa proporção bastante mais reduzida, 4,5% das mulheres e 2,9% dos homens disseram terem sido visados por ameaças de morte ou sofrido ferimentos que obrigaram a tratamento médico.

Divulgado na véspera do Dia dos Namorados, que se assinala esta quinta-feira, o estudo conclui que a violência (sofrida e perpetrada) está mais presente entre os jovens que apresentam “crenças de género mais conservadoras”. O que leva a coordenadora executiva do estudo, a criminóloga Mafalda Ferreira, a insistir numa tecla já de si bastante pressionada entre quem trabalha estas matérias: “Estas crenças de género, que colocam o homem numa posição de superioridade e as mulheres numa posição subalterna, são o que sustenta a violência. Por isso, o foco tem de estar na educação, nomeadamente nas escolas”, relembrou, dizendo acreditar que “se esta educação para a cidadania e para a igualdade de género for feita desde o pré-escolar, estas crenças são mais facilmente desconstruídas”.

Ciúme é uma prova de amor? 16,8% dos homens concordam

No plano das percepções, o cenário está também muito longe do ideal. Mais de um quarto dos homens (27,9%) e 12,7% das mulheres concordam que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres. Não mais tranquilizador é o facto de 6,1% das mulheres e 12% dos homens concordarem que as mulheres que se mantêm em relações amorosas violentas são masoquistas.

Ao mesmo tempo, 16,8% dos homens concordam que o ciúme é uma prova de amor (3,4% das mulheres dizem o mesmo). Entre os homens, 9% subscrevem a afirmação que defende que a família deve ser a prioridade das mulheres, sendo que 6,9% das mulheres dizem o mesmo. Por outro lado, 8,7% dos homens e 2,3% das mulheres discordam que os direitos e os deveres devam ser iguais, independentemente do género.

“Estas crenças estão enraizadas e são mais difíceis de desconstruir quando as pessoas estão na idade adulta. Daí que seja mesmo importante investir na educação para a igualdade de género desde muito cedo, para podermos trabalhar numa base de prevenção primária”, insiste Mafalda Ferreira.

Fonte: Público

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