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Hoje Abandonei A Sala De Aula – Ana Paula Costa

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Numa formação sobre (in)disciplina, lembro-me de ouvir um inspetor afirmar perentoriamente que o professor nunca deve abandonar a sala de aula. Lembro de ter pensado na altura, “se fosse o Sr. Inspetor a ser gozado de cima abaixo queria ver se também não fazia o mesmo, ou até algo bem pior…

Recomendo a leitura do texto de Ana Paula Costa, um retrato real do quotidiano de algumas (muitas?) escolas. Gostaria de ver quem muito fala sobre flexibilidade e das teorias que em parte até concordo, passar 1 mês com determinadas turmas, ou ver as altas patentes entrar em determinadas escolas e salas de aula, sem aviso prévio, sem serem escolhidas a dedo para ficarem bem na fotografia.

Em tempos conheci uma diretora que ao deixar de o ser pediu só as turmas mais complicadas… A intenção até era boa, mas passou o ano a queixar-se e a dar razão aos professores que lhe diziam durante o seu mandato que era impossível ensinar quem não queria aprender… Na altura, a culpa era dos professores, depois passou a ser dos alunos e dos pais…

É o que chamo levar uma chapada da realidade!

P.S – Colega Ana Paula Costa, o facto de se importar e querer continuar, só prova que precisamos de si e que pode fazer a diferença. Todos nós já “abandonamos” aulas, todos nós já dissemos que nos íamos embora. Só que há algo que nos faz sempre regressar e a Ana Paula sabe tão bem como eu o que a faz regressar… Força!


Hoje abandonei a sala de aula

Hoje abandonei a sala de aula pela primeira vez em dezasseis anos de profissão. Hoje eu abandonei a sala de aula onde estava há cerca de dez minutos com a minha direcção de turma, alunos do décimo segundo ano.
Pensei muito antes de escrever este texto. Pensei nas palavras que ia usar, no que descrever mas, uma sensação se sobrepõe inevitavelmente a todas as outras… A de quase impotência, a de frustração e a necessidade de desabafar.
Não, não há vítimas numa sala de aula, nem alunos, nem professores (salvo, lá está, naqueles tristes casos em que alguém é vítima de agressão). Não, não sou vítima mas, abandonei a sala. Abandonei a sala por raiva, por frustração, porque a ingratidão dói, por sentir o meu corpo todo a tremer e ter uma sensação de quase desmaio, por sentir uma lágrima a começar a rolar pela minha face… e… Raios me partam se eu os deixo verem-me chorar, nem que seja um choro de raiva. Não! Por isso abandonei a sala.

(…)

2 COMMENTS

  1. Muito obrigada pela partilha.
    É verdade sim. Algo nos faz continuar.
    Estamos juntos.
    Até já
    Ana Paula Costa

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