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Hipotéticos Caminhos Que O ME Poderá Seguir Para Combater A Falta De Professores

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Quanto mais cedo assumirmos que não vamos ter professores suficientes, mais cedo vamos começar a encontrar soluções para o que aí vem. Neste momento as Universidades não conseguem dar resposta à saída em massa prevista, não por falta de cursos via ensino, mas sim pela falta de candidatos a professores.

Melhorar as carreiras dos professores não aparenta ser a solução a curto/médio prazo para aumentar o número de candidatos. Então qual será o rumo que o Ministério da Educação poderá seguir para combater a falta de professores?

Aumento das horas extraordinárias 

É um mero remendo que até já está a ser implementado, mas com a idade avançada dos professores, o desgaste associado e a previsível saída de 50% dos professores nos próximos 10 anos, não será uma solução para ficar.

Fusão de disciplinas

Portugal tem um tipo de ensino (exceto no 1º ciclo) onde cada professor é especialista na sua área curricular e leciona uma, no máximo duas disciplinas ao longo da sua carreira. Algo que nos difere de outros países que já avançaram para um ensino por temáticas, chegando mesmo a acabar com as típicas áreas curriculares. A fusão de disciplinas é neste momento possível em virtude da Flexibilidade Curricular, não será por isso de estranhar que no futuro vejamos professores de diferentes áreas a dar Português, Informática, Educação Física, etc. Lembro que neste mesmo ano, foi aberta a porta a professores com uma simples formação lecionarem Informática…

Esta é uma das “soluções” que mais me preocupa, pois é como ir ao hospital para ser operado ao coração e ter como “especialista” no bloco operatório, o médico de família…

Colocação de profissionais “não” professores nas salas de aula

Todos devem ter conhecimento que no passado não era necessário um ter um curso superior via ensino para lecionar. Algo que acontece atualmente em áreas muito específicas, mais propriamento nos cursos profissionais, pois jardineiros, agricultores, eletricistas e mecânicos, não abundam nas salas de professores.

Acredito que possa estar em cima da mesa a contratação de profissionais extra escola para lecionar determinadas áreas: engenheiros para as físicas e químicas, biólogos para as biologias, escritores, jornalistas para português, etc.

Importação de professores

O caso Inglês é apenas um de vários países que optaram por importar professores para dar resposta às suas carências. Algo que já acontece em Portugal noutras áreas sociais, como na Saúde. Se calhar, daqui a uns anos vamos ouvir falar brasileiro na sala de professores, pois acredito, com a violência que por lá anda, até vinham a nado se o Ministério da Educação fizesse uma parceria com o Governo brasileiro.

Contratação de “projetos” de professores

Tive professores que me disseram que começaram a dar aulas antes de terem o “canudo” nas mãos. Em situação de aperto, acredito que essa solução possa ser visada, criando um ambiente um pouco caricato nas escolas, onde teríamos “netos” professores com “avós” professores. Um óbvio choque geracional, onde a falta de experiência e o cansaço teriam de arranjar forma de coabitar.

Alteração do Concurso de Professores

Quem foi ou é Quadro de Zona Pedagógica, sabe que o seu papel é um pouco como um “tapa buracos”. Pertence aos quadros, mas não pertence a uma escola. A deslocalização de professores com este tipo de vínculo pode ser um caminho a seguir, obrigando-os a mudar de QZP com uma simples alteração legislativa, alargando ainda mais a sua área de cobertura.

As Autarquias que resolvam

A descentralização está a avançar a todo o vapor e não podemos esquecer que a contratação de professores pode a qualquer momento passar para as mãos das Autarquias. A presidente do Conselho Nacional da Educação chegou mesmo a colocar essa hipótese e o Governo recentemente até “atirou” a ideia de arranjar uma solução para a falta de professores, visando a nova política de descentralização… E descentralização, todos sabem o que isso quer dizer.

Permitir o regresso de professores reformados

Não é caso virgem e até aceito que alguns colegas queiram regressar, mas só se a reforma não estiver a corresponder às suas expectativas. O Ensino, as Escolas, são ambientes muito intensos e não é qualquer um que terá a capacidade de regressar para um ambiente onde a indisciplina é diária.

O que não vai acontecer

Os alunos ficarem sem professores.

Anda muito boa gente “motivada” com a ideia dos alunos ficarem sem professores, vingando-se assim de anos em que se sentiram desvalorizados e humilhados pela tutela e sociedade em geral. Acham mesmo que isso vai acontecer? Imaginem o custo político para o Governo se isso acontecesse? Impensável!

A antecipação da ausência de componente letiva a partir dos 60 anos.

O motivo pelo qual estou a abordar este assunto ao de leve, prende-se com o efeito colateral da falta de professores. A antecipação da ausência da componente letiva, é uma medida que tem vindo a ser falada com alguma insistência e da qual até concordo. Porém, não me parece que no panorama atual e futuro, tal possa vir a acontecer, pois seria uma medida que iria acelerar e agravar o problema da falta de professores.

Realço novamente que as hipóteses apresentadas não são as minhas escolhas. Julgo que muito poderia ser feito para melhorar os índices de interesse dos professores mais velhos e professores mais novos, mas para tal acontecer o superávite não pode ser uma prioridade governamental.

Alexandre Henriques

4 COMMENTS

  1. E que tal aumentar a atratividade da profissão em termos de salário , subsídios de habitacao, transporte, etc…?
    Alex …deixa de ser miserabilista .

  2. Essa distinção entre o Brasil e Portugal é estúpida.
    Os professores que vêm do Brasil falam brasileiro? Não, falam português, mas com sotaque brasileiro, exatamente igual ao inglês americano e do Reino Unido.
    Essa diferença é estúpida, e não sei quantos anos tem Alexandre, mas deve ter 35 anos para cima. Que ainda vê os brasileiros com discriminação.

    Cumprimentos,

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