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Hipotéticos 3 Cenários Para O Concurso De Professores

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O Ministério da Educação pretende alterar o concurso de professores. Isto é factual, consta do programa do Governo, e quer o Ministro Tiago Rodrigues, quer outros elementos da sua equipa já se pronunciaram contra o modelo vigente.

O objetivo é dar estabilidade ao corpo docente, potenciando o sucesso educativo. Julgo que ninguém discorda deste objetivo, pois é de elementar bom senso. Só que o que faz muitos professores torcerem o nariz a novas alterações é a eliminação (de vez) do princípio da equidade e de um sistema centralizado com critérios transversais. Apesar das inúmeras ultrapassagens que têm ocorrido na última década, o modelo atual ainda salvaguarda alguma coerência.

Mas afinal, o que está em cima da mesa?

Os cenários foram apresentados pelo Conselho Nacional da Educação e que o Blog DeAr Lindo ontem divulgou.

A caracterização da situação dos docentes em Portugal, o atual modelo de seleção e recrutamento destes profissionais e os diferentes modelos usados em países europeus foram o quadro de referência para a definição de três cenários ou modelos que poderão ser considerados neste domínio. Para cada um desses cenários apontam-se os eventuais benefícios e riscos, bem como os desafios que se colocam à respetiva concretização.

Cenário A corresponde, genericamente, ao modelo vigente em Portugal. Este cenário caracteriza-se por recrutar com base numa lista graduada, por ser inteiramente definido e processado a nível central para todo o Continente, não permitindo o conhecimento do perfil dos candidatos.
Cenário B recolhe inspiração nos sistemas adotados em outros países e caracteriza-se por uma maior aproximação ao contexto em que os candidatos poderão vir a exercer funções. Permite selecionar com base num melhor conhecimento do perfil dos candidatos e recrutar os que melhor se adequam aos projetos educativos municipais e dos agrupamentos de escolas.
Cenário C, também inspirado em sistemas de outros países, aponta para uma seleção dos candidatos ao nível do agrupamento/escola, com recurso a instrumentos e critérios diversificados, de modo a contratar os que melhor se adequam ao contexto e ao projeto educativo que se pretende desenvolver.

Embora se apresentem como alternativos, entre cada um destes cenários existe a possibilidade de adoção de facetas de uns e de outros, criando novas combinatórias. Essa diversidade aumenta o número de opções possíveis e permite perspetivar mudanças de caráter gradual, devidamente acompanhadas e monitorizadas.

É evidente o inclinar para uma seleção de professores feita pelas autarquias, ou pelos diretores de estabelecimento. A escolha pelas autarquias vai contra o que está estipulado no projeto de descentralização, pois este não contempla os professores no “pacote” de responsabilidades a assumir pelas Câmaras Municipais. Além disso, os próprios diretores seriam certamente contra, pois ficariam ainda mais amarrados aos humores do Sr.º Presidente. Mas os mesmos diretores esfregariam as mãos caso pudessem “capturar” a seleção dos professores. Os professores, esses “chatos”, ficariam ainda mais reféns dos caprichos das lideranças, que como todos sabemos, variam bastante consoante o caráter da pessoa que se senta na cadeira do “Chefe”.

Ambos os cenários são assustadores, como é assustadora a convergência entre PS e PSD nesta matéria. Temo que a título experimental vejamos algo deste género e a breve trecho, até como tubo de ensaio para uma escala mais alargada.

Municipalização, falta de professores, seleção de professores, indisciplina, burocracia, etc… caramba! Não há dia que não dê uma má notícia!

Alexandre Henriques

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2 COMENTÁRIOS

  1. Assustador! Mais para a sociedade do que para os professores, pois estes estão em debandada da escola, da sociedade é que não podemos fugir. O atual concurso por ser mais abstrato permite que se apresente a concurso uma plêiade de professores mais representativa da sociedade, pela sua diversidade e riqueza, nesta corrente desaguam na escola diferentes tipos de professores, mas o risco compensa, sendo o excedente positivo. Se o formato mudar, permitirá que indivíduos com um horizonte mais condicionado, metam as mãos na massa, para selecionar os professores, como se fosse um concurso de misses prendadas à moda de um qualquer Diácono Remédios, mesmo que o façam com a melhor das intenções, conduzirá ao fim da independência dos professores, já tão abalada, à indiferenciação e inevitavelmente a um empobrecimento da guarnição de professores. Como de costume o PS não dá por nada e o PSD vai sempre a reboque. Não terão estes partidos nas suas fileiras, intelectuais, que valorizem o progresso do conhecimento e a liberdade de pensamento, em vez da obediência, que toquem o sino para acordar esta gente?
    Claro que se isto vingar, é o fim dos concursos, serão apenas simulações para contratar apaniguados de uma deferência canina. Perigossíssimo quando se trata de formar cidadãos. Mais um ataque soez à escola pública e à cidadania, mais um passo em direção ao abismo.

  2. Só não vê quem não quer! Assim, decorre o tango dos barbudos: no mesmo sítio, passa a oficial, instala-se o lar, a instituição de acolhimento de jovens rebeldes e, por fim, a creche dos filhos dos desvalidos. O socialismo de Mao na sua pujança!

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