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Haverá sobrediagnóstico dos alunos com Necessidades Educativas Especiais?

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Nos últimos anos assistimos a um boom da Educação Especial, é cada vez mais raro encontrar turmas sem alunos com necessidades educativas especiais e os colegas professores são cada vez em maior número. A inclusão veio para ficar, mas como já disse no passado, a inclusão foi imposta à escola pública sem que tivessem sido dadas todas as condições que estas necessitavam.

Sobre os alunos, existem sequelas que são por demais evidentes, mas outras como a dislexia, levantam algumas dúvidas. Quem está dentro da escola, já deve ter ouvido falar ou presenciado situações um tanto ou quanto incómodas, tais como:

  • Debates nos conselhos de turma pondo em causa a aplicação da medida “x” ou “y”;
  • Constatar nas aulas que as medidas exigidas não coincidem com as limitações dos alunos;
  • A utilização do argumento do insucesso ou mau comportamento como premissas para a integração na Educação Especial;
  • Pais a solicitar a integração dos seus educandos na Educação Especial, para assim obter “via verde” na transição.

Desta vez é o Júri Nacional de Exames que alerta para eventuais excessos.

Tanto a primeira situação como a segunda, tendo em conta a idade das crianças abrangidas, podem indiciar “uma eventual precocidade em alguns dos diagnósticos”, alerta este organismo, que no caso da dislexia lembra que, estando em causa crianças com seis ou sete anos, “podem não existir dados suficientes que consubstanciem um diagnóstico definitivo desta problemática”.

No que respeita às provas finais do 9.º ano de escolaridade, houve 4483 alunos que solicitaram condições especiais e destes quase metade pediu para realizar provas a nível de escola, um número que o JNE descreve como “muito significativo”. Dos 2079 pedidos apresentados foram indeferidos 245. Mais uma vez, a problemática com maior peso foi a da incapacidade intelectual (82%), seguindo-se-lhe as perturbações ligadas ao autismo (9%).

O número de alunos com Necessidades Educativas Especiais é preocupante. O que me leva a pensar na quantidade de alunos que no passado necessitaram de apoio e não o tiveram.

Uma coisa é certa, não deve demorar muito até que exista um “ajustamento”  na sensibilidade dos diagnósticos, é que as finanças não esticam e noticias como a de hoje são um forte incentivo para o garrote apertar…

 Quase um terço dos alunos com necessidades especiais estão no 1.º ciclo

Disléxicos aos sete anos? Pode existir um problema de sobrediagnóstico

(Público)

1 COMMENT

  1. NÃO.
    As NEE são muitas e variadas. Cognitivas, emocionais, leves, profundas, de linguagem.
    Neste rol, ainda esquecemos a sobredotação, também ela uma NEE.
    Na minha modesta opinião, o que falta são técnicos de apoio, formação de docentes e pessoal auxiliar, parcerias com instituições de saúde.

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