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Há solução para a falta de professores substitutos…

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….mas às tantas tem de haver visão de gestor e não de contabilista.

Há muitos professores a precisar de ser substituídos, porque ficam doentes e, por isso, chegam a estar meses sem dar aulas. E a falta de professores para substituição começa a sentir-se em larga escala.

Diminuir aulas perdidas acelerando burocracia

O primeiro problema das substituições é que só podem ser operadas (abrindo seleção para um substituto) se a baixa declarada pelo professor for prevista para 30 dias. Por isso, o primeiro passo para todas as aulas serem dadas, sem quebras por falta de substituição, era substituir os professores logo que a baixa atingisse 10 dias previsíveis (mais de 1 semana). Os 20 dias de substituição contratada a mais (porque cada contrato de substituição tem, e deve ter, no mínimo 30 dias) teriam sempre uso nas escolas e o custo adicional não teria má utilidade. Mas evitava-se o prejuízo (mais caro) da falta de aulas. Se compararem o custo explícito dos dias “a mais” contra o custo oculto das aulas perdidas, qual é mais premente? (e o custo “a mais” só ocorreria nos casos em que o substituído regressasse antes dos 30 dias….)

Incentivar a escolha…tratando melhor as pessoas….

O segundo problema é mais complexo, porque tem a ver com a lógica do concurso. Os professores concorrem no início do ano para todo o ano. E não sabem, ao concorrer, o ponto da sua situação em termos de colocação, nem o que lhes pode aparecer pela frente. Uns arriscam mais (horários mais pequenos e mais longe de casa), outros, e é seu direito, não. (E o não resulta da liberdade….)

Mas todos concorrem às cegas e, por causa da forma como o sistema está feito para funcionar na fase das substituições (reservas de recrutamento), não sabem se escolher vir a aceitar um horário de 16 horas em substituição não significa perder um de 22 horas (que lhe dá mais tempo de serviço em menos tempo em dias, paga mais e até permite descontos completos para a segurança social). Há assim, pouco incentivo a aceitar horários mais pequenos.

O micromanagement que grassa na gestão de horários das escolas, que são distribuídos hora a hora, é um dos cancros de gestão do sistema. A IGEC excita-se a contar horas uma a uma nas intervenções de início de ano e todo o sistema de concursos gira (mal) à volta da horinha distribuída e contada.

Estragar a farinha para aproveitar (mal) o farelo…

A minha avó diria que quem lançou tal sistema de gestão de pessoas, estraga a farinha para tentar aproveitar o farelo. Neste caso, poupa em horas de substituição e gasta em aulas não dadas. E a vantagem, que muitos lançam ao ar, de que quem tem horários pequenos pode juntar dois(e fazer um completo) só existe na cabeça dos burocratas do ministério da educação que, cada vez me convenço mais, são da pior espécie de burocratas (os que constroem um mundo de fantasia só seu em que, se pudessem, até a gravidade aboliam).

Os professores, no início do concurso anual, escolhem entre horários de 3 tipos de intervalos de horas: entre 8 a 14 horas, de 15 a 21 e 22 (completos), de substituição ou anuais. Isto corresponde grosso modo aos limites da redução letiva que existiam antigamente e que agora são residuais (basicamente, tirando os professores mesmo muito antigos, a maioria dos professores ou tem 18 ou 20 ou 22 horas). E a minha proposta ousada é acabar com esses intervalos e fazer apenas 2 e só haver horários com essa configuração: horários até 11 horas (que incluiriam todos os que tivessem menos, estendidos a até essa duração) e horários de 22 horas (que seriam os de 18,19, etc estendidos até 22).

Ponderar os custos ocultos das aulas não dadas….

E dirão, se aparecer um horário só com 16 horas, que a extensão até 22 vai custar mais dinheiro ao Estado. E eu pergunto: o que custa mais? Ter alunos sem aulas, porque ninguém pega em horários que não garantam o mínimo ao trabalhador (que tem liberdade contratual de não aceitar, oh liberais desatentos…)? Ou pagar mais 6 horas que as Escolas vão aproveitar utilmente (até para dar apoios ou aulas complementares)?

Para não alongar o texto, não explico ao detalhe, mas até contas a provar isto conseguia fazer.

E para os que me venham com contratações de escola e ofertas de escola e escolha dos “melhores” pelos diretores e outros disparates do mesmo calibre estarei disponível para explicar, com dados e experiência (e desculpem invocar argumentos de autoridade), que isso, em vez de resolver, aumenta o problema. E nada tem a ver com a falta de professores (aliás, em oferta de escola também faltam….e agravam-se injustiças e compadrios).

Mas se, por exemplo, se acabar com a coisa estúpida e imoral que é um professor que trabalha 21 horas letivas por semana (95,5% do horário completo de 35 horas letivas e não letivas) só descontar para a segurança social (com as consequências nas prestações a que tem direito) como se trabalhasse meio mês, também não era mal feito. Talvez arriscassem mais, em horários mais pequenos…

Apliquem estas medidas (ou até um bocadinho mitigadas) e vão ver como a falta de professores para substituição fica bem reduzida se não desaparecer de todo.

E os alunos vão ter mais aulas…. que, calculo eu, é o objetivo de todo o exercício.

Agora o que nenhum patrão pode querer é não ter falta de pessoal, mas continuar a tratar mal o pessoal. As luminárias do ME, se estudassem gestão de pessoas, em vez de recursos humanos, talvez tivessem vantagem nisso.

2 COMENTÁRIOS

  1. Esta ideia já não é nova, já há uns anos foi proposta pelos sindicatos ao ME. Na prática era contratar pelo menos sempre com 50% do Horário ou seja 11h. Quanto ao das 22h não me recordo se também era proposto mas creio que faz sentido.
    Seja como for, há várias razões que contribuem para a falta de professores e, embora isso pudesse funcionar, creio que seria por pouco tempo. Do meu ponto de vista o maior problema da falta de professores é mesmo o de uma profissão altamente desgastante na forma como está actualmente estruturada. Os alunos estão todos os dias connosco e percebem o alto desgaste que muitos de nós atingiram, vêem a desmotivação que reina e que nem sempre se consegue esconder.
    Para este desgaste também muito tem contribuído a falta de autoridade do professor e a indisciplina, os alunos que eventualmente se poderiam interessar pela profissão vêem isso e obviamente que não o querem para si.
    Além do desgaste podemos ainda apontar os descontos para a SS e os valores das rendas em algumas zonas.
    Não creio portanto que seja fácil resolver o problema!
    Mas, acredito que sei como o vão resolver e não deve tardar muito. Já funcionou na década de 80 vai obviamente funcionar outra vez.

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