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Há Professores A Quebrar E A Desistir. Não Pode Ser, Poupem-se!

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Ainda ontem partilhei um artigo de uma mãe que disse basta ao Ensino à Distância.

“Eu, mãe de dois filhos pequenos, trabalhadora, decidi DESISTIR hoje do ENSINO À DISTÂNCIA”

Esse texto teve uma aceitação significativa o que é um claro sinal de alerta para as dificuldades que algumas/muitas famílias estão a sentir.

Hoje vou ao outro lado, a quem está dentro do sistema.

Uma professora que se sente impotente e incapaz de conciliar a sua vida profissional e familiar. Algo que muitos docentes com filhos e netos devem estar a sentir. E o problema maior, é constatarmos este tipo de desabafo e decisões na 2ª semana de aulas do 3º período, sabendo que ainda faltam 2 meses, repito, 2 meses, para isto tudo terminar…

Estamos em situação de emergência nacional, por isso, o bom senso não é recomendável, é OBRIGATÓRIO!

Se temos os pais e os professores a desistir, daqui a nada serão os alunos. E deixem lá as ameaças com a CPCJ e Escola Segura que todos sabemos não ter capacidade de resposta para a escola presencial, quanto mais para a escola à distância.

Ficam uns humildes conselhos e observações:

Reduzam a carga laboral;

Corrijam tarefas por amostragem;

Não façam aulas síncronas semanais;

Apostem na exercitação e consolidação;

NÃO É OBRIGATÓRIO LECIONAR MATÉRIA NOVA; 

A avaliação está mais que fechada;

Isto é uma maratona;

Peçam ajuda;

POUPEM-SE!

Não podemos ter professores que como ontem foi publicado são os médicos do Ensino a quebrar e a abandonar o barco. Precisamos de todos! Estamos em situação de emergência!!!

Coragem!


Sou professora e estou desesperada. Tiro o chapéu aos colegas que estão a conseguir seguir caminho. Eu parei. Tenho 60 anos e acho que estão a exigir de mim o que já não posso dar.

Há quantos anos deveria estar reformada!…

Tenho-me adaptado a muitas mudanças ao longo do meu percurso profissional mas, agora, o meu país está a tratar-me muito mal. Durante 40 anos ao serviço da educação, sempre procurei exercer a minha função com o profissionalismo que me era possível. Tive momentos muito difíceis, mas fui-me adaptando às mudanças.

Agora digo: «Chega!». Respeitem-me.

Adoro o trabalho em sala de aula e os meus alunos são como meus filhos, mas neste momento não sou capaz de lhes dar a resposta que eles e os pais merecem.
Vivo os dias frente ao computador a tentar funcionar com o Teams.

Deixei de ser pessoa, esposa, mãe, avó….

Tenho em casa um neto que precisa de mim, pois os pais são profissionais de saúde não podem estar com ele. É uma criança em idade escolar que, como todos os outros tem de assistir às transmissões #Estudo em Casa, às aulas síncrones com a sua professora e executar todos os trabalhos que lhe são enviados. O meu neto tem 6 anos. Embora seja uma criança autónoma, tem de ser acompanhado em todos estes momentos por um adulto para que se concentre nas transmissões da RTP memória e acompanhe a professora. Nem sempre é fácil.

Por esta experiência que vivencio em casa, imagino o desespero de muitos pais, com filhos de diferentes idades, em teletrabalho, e toda a sobrecarga e preocupações que a vida lhes trouxe, em gerir este momento.

Peço desculpa aos meus alunos por não ser capaz de responder a este desafio que tantos dizem estar a correr tão bem.

Madalena Rodrigues

21 COMMENTS

  1. E depois ainda temos que ouvir o Inexistente a gozar connosco a dizer para não irmos férias e o PALERMA do Rui Rio a dizer que o melhor é cortar a esmola de 0,3% ! PQP a todos! A revolta é para quando? Vamos deixar que nos enxovalhem até quando? A desconsideração que os sucessivos governos nos têm feito é para aguentar até quando? E o uso dos computadores próprios e a internet nossa é para disponibilizar gratuitamente? E temos que andar sempre a ser acusados nas caixas de comentários que não fazemos nada e que é só férias e que os funcionários públicos são uns lordes ? Basta! (para não dizer chega! que pode ser mal interpretado)

  2. O Alexandre já pensou bem em algumas das soluções que apresenta?
    1. Não façam aulas síncronas semanais;
    2. Apostem na exercitação e consolidação;
    3. NÃO É OBRIGATÓRIO LECIONAR MATÉRIA NOVA;
    4. A avaliação está mais que fechada;
    Não creio que o Alexandre esteja a apelar à desobediência.
    É o ME que, através do servilismo e nepotismo de alguns, o obriga.

      • Caro Alexandre, vejo que sim, mas fiquei sem resposta (que também não tem que a dar, obviamente).
        O Alexandre está a apelar à desobediência?
        Isto porque:
        1. Não façam aulas síncronas semanais; OS PROFESSORES SÃO OBRIGADOS E HÁ ESCOLAS QUE É DE MANHÃ À NOITE
        2. Apostem na exercitação e consolidação; SECRETÁRIO DE ESTADO E MINISTRO JÁ DISSERAM QUE SE PODERIA IR MAIS ALÉM NAS APRENDIZAGENS
        3. NÃO É OBRIGATÓRIO LECIONAR MATÉRIA NOVA; QUEM DISSE, INEQUIVOCAMENTE?
        4. A avaliação está mais que fechada; NÃO, NÃO ESTÁ, A NOTA DO 3.º PERÍODO PODE SER ALTERADA
        Cumprimentos.

        • Apelar à desobediência?
          1- as aulas síncronas podem ser feitas em pouco e nem todas estão a obrigar à sua prática semanal.
          2- claro que disse, e disse que era obrigatório?
          3- diz o bom senso…
          4- e será diferente? Vai dar negativas em caso de emergência? As notas que vão ser alteradas são para cima. E julgo que entendeu o que quis dizer… baseava-se na não obsessão pela avaliação.
          5- tudo o que foi escrito resume-se em algo muito simples, cumpram o horário e não abdiquem de viver. Se querer desviar a atenção para o acessório eu prefiro centrar-me no essencial.
          6- pela minha sanidade mental, pela sanidade mental dos meus alunos e suas famílias, se tiver que desobedecer, meu caro, é já e que venham os processos disciplinares.

          • É bem mais o que nos une do que o que nos separa. E também não é problema se existir algo que nos separe, pois não Alexandre?
            1. “as aulas síncronas podem ser feitas em pouco e nem todas estão a obrigar à sua prática semanal”, pois, o problema é das que estão a obrigar;
            2. Do que valerá a pena ao Alexandre sugerir aos professores para apostarem na exercitação e na consolidação se os mesmos estão a ser obrigados pelos seus diretores?
            3. Diz o bom senso de quem? Ministro e SE só tinham era que o declarar. Deixar ao bom senso dá nisto, ensino a diferentes velocidades.
            4. Para mim não será diferente, mas as instruções permitem que sim. Ambos estamos de acordo.
            5. e 6. Concordo em absoluto e não diria melhor.

  3. Alexandre: Mas qual é a base legal para, por exemplo, não lecionar matéria nova? No princípio de tudo isto, cheguei a ouvir o SE Costa dizê-lo, referindo que o que se pretendia era a consolidação de conteúdos e não novas aprendizagens, pois iria haver mecanismos de recuperação no próximo ano letivo para os anos não terminais. Mas, pergunto de novo: onde está escrito? Não podemos basear-nos em “achismos” e no que o SE anda a dizer nas entrevistas ou reuniões com os Diretores. Precisamos de suporte legal e precisamos que todos se orientem pela mesma bitola. Há quem avance “a todo o gás” nas matérias (mesmo que nem todos os alunos acompanhem), há quem vá consolidando, etc.
    Estou como a colega: prestes a desistir de tudo isto. Mais de 60 anos e mais de 40 de serviço e nunca me senti tão perdida.
    Se há colegas para quem tudo isto é um mar de rosas e andam deslumbrados com as tecnologias, tiro-lhes o chapéu!
    E outro assunto de que ninguém fala. Porquê o adiamento do final do ano letivo? Perdemos alguma semana de aulas? Não trabalhámos com os alunos naquelas duas semanas?

    Cansada, cansada e farta! Se antes já era difícil, agora nem tenho palavras.

    • A avaliação apesar de existir no 3 período, é uma avaliação por competências, que não obriga a leccionação de matéria nova. Exemplo: pode mandar ler um livro novo, mas a análise do texto pode ser feita por pressupostos já lecionados. Os próprios exames, vão ter perguntas opcionais para salvaguardar a não leccionação no 3 período. O Ensino à distância, não garante o ensino para todos, logo não devemos avançar com matéria. Não faz qq sentido e as orientações do 14-G dão muita flexibilidade às escolas e aos professores. Para o ano haverá um período de compensação, já foi assumido pelo ME. Eu gostava é que me dissessem onde está escrito de forma clara que as aulas têm que decorrer como se estivesse tudo normal. Até a própria flexibilidade curricular do ensino presencial permite esperar pelos alunos.

      • Poderia e deveria colocar a questão ao contrário: Onde se encontra escrito, clara e inequivocamente, que não se deve avançar com a matéria? É para isso que o ME existe. Não é deixar que cada escola ande agora a ritmos diferentes. A flexibilização que o Alexandra fala nada tem que ver com a equidade no acesso ao ensino por parte de todos os alunos, sem exceção.
        Relativamente a “Eu gostava é que me dissessem onde está escrito de forma clara que as aulas têm que decorrer como se estivesse tudo normal.”
        Aqui: Artigo 2.º, 3 — Compete às escolas, com o apoio dos serviços centrais do Ministério da Educação e em articulação com entidades que se constituam como parceiras, a implementação do plano de ensino a distância, garantindo os professores de cada turma o acompanhamento dos alunos, com vista a que todos tenham um acesso equitativo às aprendizagens.
        Aqui: 4 — A conceção e implementação do plano de ensino a distância deve garantir condições para a realização das aprendizagens em regime não presencial;
        Aqui: Artigo 5.º, 1 – …as medidas de apoio definidas para cada aluno, garantindo as aprendizagens de todos.
        Aqui: Artigo 7.º, 2 — As classificações a atribuir em cada disciplina têm por referência o conjunto das aprendizagens realizadas até ao final do ano letivo, incluindo o trabalho realizado ao longo do 3.º período…
        Aqui: Artigo 8.º, 2 — As classificações a atribuir em cada disciplina têm por referência o conjunto das aprendizagens realizadas até ao final do ano letivo, incluindo o trabalho realizado ao longo do 3.º período, independentemente da modalidade utilizada,…
        Aqui: Roteiro – Com o objetivo de garantir que todas as crianças e todos os alunos continuam a aprender no presente contexto, este roteiro consubstancia um instrumento de apoio às Escolas, na conceção da melhor estratégia e Plano de Ensino a Distância ([email protected])…

        • Onde está escrito a aprendizagem de novos conteúdos? Continuar a aprender não significa novos conteúdos. Eu não me fico pela legislação, retenho tb o que foi dito ao mais alto nível aos diretores, professores e conversas privadas que tive com diversas pessoas com responsabilidade.
          Agora pergunto-lhe, está a dar matéria nova? Se sim, como se sente sabendo que há alunos na turma, outras turmas, ou outras escolas, que estão a ficar para trás?
          Não me venha espetar com a legislação ao mesmo tempo que mete a cabeça na areia e ignora a realidade.

          • Já vi que o Alexandre está confuso.
            Onde está escrito que não se pode andar para a frente nos conteúdos?
            Se não se fica apenas pela legislação porque pergunta onde está escrito? Quem referiu o 14-G foi o Alexandre.
            Como é que o Alexandre pode dizer que a avaliação se encontra fechada se a legislação refere “… incluindo o trabalho realizado no 3.º período”?
            Conforme comecei termino, o Alexandre está confuso porque o diálogo que estamos aqui a estabelecer é inócuo, quer para mim, quer para o Alexandre. E também me parece que os dois temos a mesma opinião. Quando diz que nem todas estão a obrigar à sua prática semanal, eu refiro-me exatamente às que estão a obrigar e que os nossos colegas não têm outra alternativa se não obedecer. As que não obrigam estão bem. Avançar nos conteúdos é errado num modelo onde só poderá existir ensino. E sim, a avaliação deveria estar encerrada. O que é isso de “se tiver de ser alterada é para cima”?
            Como viu Alexandre é mais, bem mais, o que nos une do que o que nos separa, ou não?

    • Tem toda, a razão colega. Tenho 64 anos e meio e quase 40 anos de ensino. Sempre gostei de lecionar e usar. Recursos às tecnologias mas agora tenho a acrescentar muitas preocupações de saude também. Sou um grupo de risco, tenho incapacidade superior a 60% e doenças complicadas… Preocupa-me tambem como vai ser o regresso para o próximo ano letivo!!!

  4. Caro Alexandre acho que tem toda a razão no que escreve!!!
    Nos somos todos iguais e somos todos Gente!!!!

  5. Concordo Alexandre.

    As orientações do ME foram más, mas há escolas a exigir mais ainda. Dou exemplo cá de casa: somos dois professores, com dois filhos ( 5 e 8 anos). A minha escola está a ser equilibrada. Já a da minha mulher… 2 aulas síncronas por semana/turma; reuniões de Conselho de Turma semanais; Reuniões de Grupo Disciplinar semanais; exigência de envio de planificação semanal; criação de novos critérios e parâmetros de avaliação no imediato… estamos no limite. Desde a outra semana temos trabalhado sempre ate depois sas 24h, a organizar o nosso trabalho mais teórico. Durante o dia é um stress. Já chegamos a estar os dois em actividades síncronas, um dos filhos em aula síncrona e o mais novo agarrado ao tablet. O quanto me revoltei. Tb nao aguentaremos mt mais tempo…

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