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Há Professores A Afirmar Que Vão Abandonar O Ensino Por Exaustão E Inadaptação Ao [email protected]

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Andreas Schleicher, diretor da OCDE disse recentemente que “os Professores vão ter um trabalho muito duro em Setembro”.

«Os estudantes que têm autonomia estão bem, não é preciso grandes preocupações. Mas o mesmo não se passa com os que estão em desvantagem. Para estes, o papel do professor será extremamente mais importante e isso foi uma coisa que esta crise mostrou. Se olharmos para o futuro da educação, vamos ver uma maior procura por professores que vão para lá do seu papel de instrutor», refere o responsável, acrescentando que «os professores vão ter um papel muito duro em Setembro».

Não é só em setembro, o trabalho tem sido muito duro e foi agravado com o ensino à distância. Naturalmente que para o ano, a crise económica irá sentir-se com maior intensidade e muitos alunos virão de famílias em plena crise financeira com repercussões bem vincadas ao nível da sua estabilidade emocional.

Desemprego regista maior salto mensal de sempre em abril

Crise chegou em força no mês passado com o número de inscritos nos centros de emprego a disparar. Algarve regista o maior aumento.

É um sinal da brutalidade do impacto da pandemia na economia num curto espaço de tempo. O número de pessoas inscritas nos centros de emprego de todo o país disparou no mês a seguir ao primeiro estado de emergência que praticamente encerrou o país da noite para o dia.

No final do mês de abril estavam registados 392 323 desempregados, o que representa um aumento de 22,1% face a igual período do ano passado, ou seja, mais 71 083 pessoas sem emprego. Mas, se é certo que para as habituais análises se utiliza a variação homóloga, para expurgar efeitos momentâneos no emprego e desemprego, neste caso vale a pena olhar para o que aconteceu em apenas um mês.

Fonte: dinheiro vivo

 

Será preciso estar atento aos sinais e os professores serão, mais uma vez, os primeiros a detetar a crise social que aí virá.

Ninguém ensina um aluno com fome!

Ninguém ensina um aluno vítima de violência familiar!

Precisamos por isso de professores frescos como uma alface do Lidl, com enorme disponibilidade emocional para lidar com as adversidades. A mensagem que vão ler mostra bem que muitos professores não estão preparados para um embate fortíssimo, pois eles próprios estão a passar dificuldades, sem capacidade de resistência pelos níveis históricos de exaustão.

É verdade que o ensino à distância veio dar uma injeção de adrenalina aos professores como há muito não se via. O querer estar à altura numa fase onde o país precisava de todos, levou a que muitos professores ultrapassassem dores e frustrações de há muitos anos. Mas com o passar do tempo, a adrenalina começou a diminuir e ao perceber-se que todo o próximo ano letivo será um misto de ensino presencial com ensino à distância, onde as tecnologias continuarão a ser parte essencial do processo de ensino-aprendizagem, levou alguns/muitos professores a querer atirar a toalha ao chão por exaustão e inadaptação ao ensino à distância.

Ainda ontem abordei o assunto da pré-reforma ou ausência de componente letiva a partir dos 60 anos. Seria importante voltar a colocar esta temática no centro das prioridades, pois não é em setembro ou outubro que se alteram as coisas.

Faço 60 anos em breve e para o ano vou meter baixa…não aguento mais. Nem fisicamente nem psicologicamente. Nem com faz de conta que ensina e faz de conta que aprende. Além de que sou do grupo de risco. A aposentação devia estar em cima da mesa. Está mais que na altura de dar lugar aos novos. Adaptam-se bem às tecnologias e eu nem me apetece. Estou cansada. Com os pais a chegar a idade de que precisam de mim para fazer esta última travessia. Serão a minha prioridade.

Ana Laura

7 COMMENTS

  1. Se estão exaustos com o [email protected] então como estarão os que têm de dar aulas presenciais a uma turma inteira, debaixo do calor da tarde e a ter, com máscara, de projetar a voz de modo a ser ouvido ao fundo de uma biblioteca ou de um refeitório. Estamos, nós e os alunos, a ser tratados como animais.

  2. Calor com máscara não é viável, por isso mesmo os deputados no parlamento com ar condicionado , retiram a mascara para falar.

    Por Onde andam os representantes dos professores? AAA já sei, não dão aulas…

  3. Concordo e partilho a descrição feita. Quem consegue , a plenos pulmões, com uma venda na boca e no nariz projetar a voz e estar a falar 90, 130 minutos …… ?
    Impossivel! a parte cardiaca e respiratória faz um esforço enorme e, com calor, óculos embaciados ( estamos a falar de uma faixa etária acima de 50 que generalizadamente precisa de óculos para ler e ver ….humanamente é impensável.
    Uma coisa é entrar nos recintos fechados de máscara por uns minutos ; outra coisa é estar 5 horas diarias a falar e fazer se ouvir .Eu , por exemplo, para respirar , com máscara já estou a fazê-lo pela boca … Logo, temos pena se tiver de infringir a lei, as regras , o que quer que seja ! Ninguém pode obrigar-me a estar a discursar, em pleno raciocinio , a transpirar e a arfar para o ar entrar melhor!
    Para mim, será máscara abaixo do nariz, no minimo !

  4. Sinceramente, com 66 anos e mais um ano pela frente prefiro, eventualmente, enfrentar covid porque, ao menos, o tempo de tortura será menor.

  5. O texto está escrito a letras de ouro, mas esta frase é a chave de tudo: “Precisamos por isso de professores frescos como uma alface do Lidl, com enorme disponibilidade emocional para lidar com as adversidades”. É esta a fronteira que separa o ensino a.MLR e d.MLR. Antes de MLR qualquer pessoa familiarizada com as lides da educação e com inteligência mediana, captava de imediato esta verdade de La Palisse: o trabalho dos professores é preparar aulas e preparar-se para dar aulas e SÓ! o resto deve ser disponibilidade total para criar, aprender e refletir sobre. O que era uma evidência sensata a.MLR, deixou de ser, evaporou-se, descobriram a panaceia do horário sem fundo do professor: vai buscar ao seu tempo familiar, ao seu tempo das necessidades básicas, ao seu tempo de sono, ao seu tempo de se informar, ao seu tempo de intervir, ao seu tempo de preparar aulas e preparar-se para as aulas, à sua saúde física e mental. Enquanto houver um último exalar, há onde exaurir. Não há limites ao que se cobra de um professor, ele está lá para servir ad infinitum.
    Como já alguém disse, um professor toma mais decisões por minuto do que um neurocirurgião e, como já alguém disse também, os momentos letivos correspondem ao trafêgo de um restaurante concorrido, no período do almoço, dos tempos pré-covid. Alguém passou com a terraplanagem sobre esta absoluta verdade e encheu, criminosamente, o trabalho de professor de entulho. Todas as horas preciosas, necessárias para que os professores possam refletir sobre o pré e o pós do seu trabalho, foram invadidas por ervas daninhas. O período em que a mente vai processando ideias luminosas, produzindo com criatividade para adequar às situações e aos alunos, o período em que a mente vai, de forma inconsciente, repassando os seus registos sobre as observações que reteve dos alunos, está atravancado sob muitas camadas de escombros, soterrando qualquer possível Eureka. Continuam a derrapar na evidência:um professor não é um técnico, é um criativo, não é um organizador, é um decisor.
    É natural que os professores tenham aderido ao [email protected], tal como aderem a um novo prato, saturados da ementa que já não aguentam mais. O cérebro precisa de novidade, e professor que se preze, gosta de ensinar porque gosta de aprender, mas depressa percebe que o [email protected] é mais um bloco de entulho a acumular em cima do ensino presencial e nada vai mudar, a não ser para pior. Acrescentam-se mais horas de trabalho às já muitas horas de trabalho. “Os responsáveis” recusam-se a atender a isto, recusam-se a agir em conformidade. Enquanto a máquina trituradora em que se transformou a escola, para professores e alunos, continuar a fabricar salsichas, os “responsáveis” vão continuar a fingir que está tudo bem, a partir da sua câmara insonorizada, e continuarão a fazer ouvidos de mercador a quem clama:we don´t need these education, we don´t need these thought control.

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