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Há informação sobre educação pouco rigorosa

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Confesso que é incomodativo assistir à divulgação de informação que não corresponde à realidade quotidiana, induzindo a população a preconceções erradas, e revelando que os jornalistas não estão devidamente informados de como funcionam muitas instituições da sociedade. Assim, como cidadão ativo e consciente, derivado da obrigação profissional de formar cidadãos ativos e conscientes, no que respeita às noticias sobre o perfil do aluno, informo o seguinte:

– desde há muitos anos, que muitos professores têm formação académica baseada na pedagogia construtivista, com orientação para a aprendizagem pela descoberta, trabalhando também a metacognição, tendo o aluno como o agente central da aprendizagem. Por isso, as aulas expositivas já não são maioritárias em muitas salas de aula, há muitos anos, no ensino básico e secundário.
– a pedagogia construtivista implica que o aluno seja um agente ativo e colaborante na aprendizagem, mas o que se verifica é que muitos alunos não o são, manifestando resistência a essa atitude e boicontando deste modo o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, ainda existem muitos encarregados de educação que também resistem à utilização dessa metofodologia porque consideram-na muito difícil e menos cómoda para os seus educandos. Vários autores de livros escolares que aplicam essa metodologia nos conteúdos, e que também lecionam, já relataram que foram objeto de queixa de encarregados de educação que consideram que não deve ser o aluno a construir a aprendizagem e a descobrir, mas o professor a ensinar…
– num mundo onde o lúdico e o entretenimento estão disponiveis constantemente e imediatamente, é muito dificil que os jovens queiram usar a tecnologia com conteúdos cientificos e culturais, o que dificulta imenso a pedagogia não expositivista.
– como a escola não é uma instituição com um objetivo lúdico e de entretenimento, tem de competir com a sociedade civil onde existem instituições cujo negócio é o divertimento, não tendo os mesmos recursos que essas instituições, sendo uma concorrência desleal, o que leva à conflitualidade entre o aluno e o currículo.
– as dificuldades sócio-económicas e familiares, indispõem vários(as) alunos(as) psico-emocionalmente para a aprendizagem, não sendo relevante a metodologia pedagógica utilizada, mas o acompanhamento personalizado de modo a colmatar essas falhas sociais.
– existe uma miriade de fatores que interferem na aprendizagem (pessoais, sociais, familiares, biológicos, económicos, genéticos, fisiológicos, psicológicos, emocionais), sendo redutor e pouco rigoroso, reduzi-la à qualidade profissional e à metodologia pedagógica.
– para a utilização de metodologia pedagógica não expositivista, são necessárias condições materiais, logisticas, profissionais, organizacionais, laborais, que os governos não estão interessados em proporcionar porque apenas estão obcecados com o orçamento e o quanto se pode poupar…
– outro fator importante para implementar uma pedagogia não expositivista, muito exigente em termos de organização de trabalho, é a motivação profissional que nenhum governo está interessado em estimular, como se vê pela destruição da carreira dos professores em prol da poupança na remuneração, apenas para pagar os desvarios financeiros dos vários governos e do sistema bancário…
– nunca se fala do ensino universitário, pedra basilar do futuro individuo produtivo, e onde o expositivismo continua a ser predominante nas salas de aula, já não falando na organização pedagógica atávica que muitas vezes prejudicam os alunos seriamente.
 
Concluindo, quando noticiarem sobre métodos de aprendizagem nas escolas, seria conveniente que se informassem no que se passa nas muitas centenas de escolas do país, e verificariam que afinal não é só na escola Y ou Z que trabalham pedagogia não expositivista há muitos anos…
Mário Silva

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