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Há falta de professores!

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Há falta de professores nas escolas. É um facto. Podemos encontrar facilmente nas mais recentes estatísticas sobre educação a razão  desta afirmação. Temos hoje menos 30 mil docentes nas escolas. Mas estes números traduzem-se em algo de muito real, que afeta diretamente as condições de trabalho dos professores em exercício e por consequência da qualidade do ensino e da aprendizagem dos alunos. Vamos a exemplos concretos:

  • Turmas com um número elevado de alunos, impedindo um trabalho mais personalizado e diferenciado, fundamental para o sucesso escolar.
  • Professores com muitas turmas e muitos alunos ( existem docentes com 10 ou mais turmas a seu cargo e 200 e muitos alunos).
  • Vocacionais, ou turmas onde se agrupam alunos com muitas dificuldades que só por si necessitavam de um tratamento muito específico, com equipas multidisciplinares e assessorias em todas as disciplinas.
  • Disciplinas, como as artísticas,  cujo  trabalho prático  é muito complicado de desenvolver em contextos de turma com um número elevado de alunos.
  • Desgaste dos professores com mais anos de serviço, que vêm hoje a sua merecida  redução  da componente lectiva ocupada com apoios, em contacto direto com alunos.
  • Carga burocrática elevada e pouco eficaz na resolução dos problemas reais dos alunos.
  • Indisponibilidade de tempo para um trabalho colaborativo mais aprofundado que seria essencial para uma melhoria das práticas.

Estes são só alguns exemplos que demonstram a deterioração das condições de trabalho docente, que têm uma relação directa com a qualidade do ensino. Tenho também aqui a obrigação de afirmar que os professores em exercício, tudo fazem para ultrapassar estes constrangimentos, mas é evidente que todos temos os nossos limites, e é muito complicado lidar com uma conjuntura tão desfavorável

A escola tem vindo a transformar-se numa fábrica de educação, onde os números, as médias, as estatísticas o sucesso (mas de quem pergunto eu?) os rácios, a poupança, os horários dos professores aos minutos, esmagam o que é o essencial da escola. Não estamos aqui a falar apenas do problema da quantidade de trabalho mas sim, e este é que é ponto fundamental , da sua qualidade. Necessitamos de uma educação global ( das expressões artísticas, das ciências, dos projetos, da criatividade), e não apenas a dos números e dos pragmatismos, necessitamos de mudar  um currículo do saber contar e ler para um currículo  de um país desenvolvido.

A revisão do diploma de concurso docente será brevemente  alvo de negociações, todos esperamos que estas possam definir uma forma de vinculação  dos professores contratados,  não só  por uma questão de devida justiça laboral, mas também por uma necessidade imperiosa de melhoria, rejuvenescimento, nova esperança e motivação pela escola pública. Apesar de todas as vicissitudes e dificuldades porque têm passado, os professores contratados são um dos belos exemplos de dedicação e fidelidade , alguns já de longa data, que têm um conhecimento profundo sobre a nossa escola, a escola de todos e para todos. Sabem muito bem, o que é essencial e o que não é para escola pública, onde a podemos melhorar, de que forma e como.

 

Álvaro Vasconcelos

Professor Contratado

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