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Há diretores para todos os gostos…

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quantos-queresFilinto Lima, diretor e presidente da ANDAEP – Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas – e já agora colaborador do ComRegrasdeu uma entrevista ao DN que vai no seguimento da sua linha de pensamento. Maior autonomia para as escolas, contratação dos professores por parte dos diretores, eleição do diretor por base mais alargada, necessidade de mais confiança do Ministério de Educação nos diretores/escolas e alguma preocupação quanto ao processo de municipalização escolar.

A figura do diretor, como qualquer chefe que se preze, é um tema de conversa dentro e fora das escolas. E como normalmente não se perde muito tempo a elogiar, a crítica costuma ser o timbre das conversas.

Não sou advogado dos diretores, alguns são uns “sacaninhas” que julgam que o seu cargo lhes dá direito a tudo, esquecendo-se que também eles são colegas de profissão e não “donos” da escola ou dos professores. Mas mantenho a minha posição mesmo que vá contra a corrente… Na maioria dos casos, considero-os pessoas corajosas, que trabalham muitas e muitas horas em prol da escola e que estão na posição mais ingrata, onde muitas vezes “são presos por terem cão e presos por não terem”.

Quem está do lado dos que nunca erram, nunca têm dúvidas e estão sempre certos, quando chega a hora de efetivarem essas críticas, voltam para a sombra pois é sempre mais fácil estar do lado da oposição do que estar nos “cornos do touro”. Assim não custa nada… e assim se vê quem tem “H” ou “M” grande…. é que anda por aí muita gente de peito inchado mas sem músculo para o sustentar…

O modelo de gestão precisa de ser revisto, verdade, mas muitos presidentes de conselhos executivos são agora diretores e não foi por isso que ganharam virtudes ou defeitos. Alargar a base da sua eleição, irá aumentar a sua responsabilidade/legitimidade e a comunidade educativa ficará satisfeita por ter voz na eleição do seu líder, mas pouco irá alterar o estilo ou as decisões de quem “manda” nas escolas. A promiscuidade que existe entre alguns conselhos gerais e diretores precisa de acabar rapidamente a bem da escola, a bem da democracia.

Ficam algumas frases da entrevista:

apesar de o diretor ser um órgão unipessoal adota na sua atuação práticas colegiais, até porque a grande maioria é proveniente dos anteriores conselhos diretivos e executivos.

Os sucessivos ministérios da Educação [ME] não confiaram nos seus diretores. A falta de confiança nas escolas é outro problema. A desconfiança nos seus líderes, os diretores, por parte do ME, afeta o percurso da educação.

” As escolas não podem ser joguetes dos partidos políticos e, nesta matéria, é mesmo desaconselhável que o sejam”

“Os sucessivos ministérios não confiaram nos seus diretores”

(Ana Bela Ferreira – DN)

5 COMMENTS

  1. A parte que gosto mais é a da contratação dos professores pelos senhores diretores… Como se vê luminosas ideias, e uma grande ideia de si mesmos, não andam só pelos municípios…
    Ao facto dos diretores serem os antigos presidentes dos executivos só em parte é verdade… Muitos dos melhores pura e simplesmente não quiseram aturar MLR e quejandos, nem a ímpia legislação que produziu. Legislação que mudou, radicalmente, as hierarquias na Escola Pública. Temos agora um chefe, eleito muitas vezes em concubinato político com a edilidade, e um poder que se alargou na liderança de um orgão fundamental : o Conselho Pedagógico.
    É necessário não só mudar a natureza do cargo diretivo , tornando-o de facto colegial, mas dar também aos restantes docentes um papel ativo na escolha da política educativa dos agrupamentos. Um dos busílis da questão é, sem dúvida, a eleição do Presidente do Conselho Pedagógico pelos professores: para acabar com os iluminados!

  2. Ao longo da minha vida já conheci e trabalhei sob diversos modelos de direção e gestão escolar, a começar pelo do DL 769/76 e Portaria 677/77.
    Parece-me que o atual é aquele que é mais responsabilizante e revela maior potencial para uma liderança orientada para resultados.
    Subsiste, no entanto, a fragilidade do modelo de eleição do diretor. Não se compreende que as candidaturas sejam apreciadas por uma comissão especializada do Conselho Geral, que esta elabore um relatório sobre as vantagens e inconvenientes da eleição de cada candidato e que, depois, se faça tábua rasa disto tudo, se coloquem todos os candidatos em plano de igualdade e que tudo se venha a resolver pelas preferências de 21 “magníficos”.
    A meu ver, trata-se de um processo anacrónico.
    Nestes termos, parece-me que o modelo poderia ser muito melhorado se, para efeitos da eleição, se constituísse um colégio eleitoral formado por todos os docentes e não docentes, delegados de turma e representantes de pais, um ou dois por turma.
    Penso que um incompetente ou um ditador não teriam hipóteses.

  3. Ó Luís Costa você tem tanta razão… Aliás ”diretor”, infelizmente, muitas vezes, não tem rimado com ” professor”… E é verdade: não há mais contenda porque muitos vão comendo e calando…
    Nestes últimos anos, e a partir de toda a sanha legislativa de MLR, do altamente desrespeitoso com a classe docente Valter Lemos, muitos diretores, com honrosas excepções, foram a correia de transmissão, e a mão, que segurava na mão do Ministério…
    A partir dessa data, e com toda a ”festarada” dos rankings , muitos agrupamentos tornaram-se numa passadeira de vaidades, empresas de entregas de diplomas, uma esquina de lugares comuns…Não há agrupamentozinho do país, na vilazinha mais esconça , onde não haja o raio de um ensino absolutamente meritocrático, um milhar de atividades onde o jornal da terra há-de publicitar, até à náusea, os prémios dos viçosos alunos … Sim, porque o agrupamento , na atualidade, vive para o prémio e para as luzes da ribalta… E quem brilha no meio de toda esta tralha pedagógica, neste enresmar de ”happenings” : o senhor diretor, o homem com uma ”Ideia”: a Sua Ideia! E é muito isto que os muitos professores têm vindo a aturar nos derradeiros anos! Alguns já não aguentam !
    Depois há aquilo que já foi aqui dito, mas que nunca será demais repetir, os diretores não representam os professores nem têm o direito de falar em seu nome.

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