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Há Cinco Anos Consecutivos Que 16 Escolas Inflacionam As Notas Dos Alunos

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Dados relativos aos últimos cinco anos, revelam que a prática de inflação de notas é mais comum do que se possa pensar, revelam também que é o ensino privado que mais recorre a ela.

Enquanto o aluno não for mais do que uma nota na pauta, todo o sistema continuará pervertido!

A notícia é do ano passado mas o tema é bem atual tendo em conta a recente denúncia, feita aqui no ComRegras, do estranho caso das notas inflacionadas no Externato Ribadouro.

Alberto Veronesi


Há 16 escolas que nos últimos cinco anos letivos estão entre as mais benevolentes com os alunos. Ou seja, são escolas onde ano após ano as notas internas ficaram tendencialmente acima das notas que os alunos obtiveram nos exames nacionais. A realidade já não é nova e em 2015 a Inspeção-Geral da Educação e Ciência chegou a abrir quatro processos de inquérito para investigar o problema.

O que também não tem mudado é o facto de a maioria destas escolas ser privada – é o caso de 13 dos 16 estabelecimentos de ensino – e localizar-se no Norte do país em concelhos como Braga, Porto ou Gondomar.

O Colégio de Nossa Senhora do Rosário, que ocupa o primeiro lugar nos rankings do Expresso, o Colégio Luso-Francês e o Externato Ribadouro, os três localizados no Porto, ou o Colégio D. Diogo de Sousa e o Externato Carvalho Araújo situados em Braga são alguns dos colégios privados entre as 16 escolas que têm sido mais benevolentes no momento de dar notas aos alunos entre os anos letivos de 2012/13 e 2016/17. A Secundária de Fafe e a Secundária de Monção, ambas públicas, também integram a lista.

Este indicador, que o Ministério da Educação designa por “alinhamento” e que está disponível no site Infoescolas, não mede apenas a diferença entre as notas internas e as notas de exame, já que é ‘natural’ haver uma discrepância entre ambas – até porque a nota interna da escola tem em conta outros parâmetros que não são medidos nos exames. Por isso, este indicador de “alinhamento” destaca quais as escolas que registaram os maiores desvios acima ou abaixo de uma diferença média considerada ‘natural’ entre as notas internas e as de exame, o que o torna mais consistente.

AS MAIS EXIGENTES

O que também se mantém ano após ano é o outro lado: o das escolas que tendem a ser mais exigentes na classificação dos alunos. Nesses casos verifica-se que as notas internas dos alunos são tendencialmente mais baixas do que aquelas que depois conseguem obter nos exames nacionais.

Há 21 escolas que nos últimos cinco anos letivos que têm ocupado esse lugar. Ao contrário das mais benevolentes a dar notas, a maioria das escolas mais exigentes é do ensino público – é o caso de 16 das 21 – e localiza-se no distrito de Lisboa.

A Escola Secundária do Restelo, a Secundária Rainha D. Amélia e a Secundária D. Pedro V, todas em Lisboa; a Secundária de Mem Martins em Sintra ou o Colégio Rainha D. Leonor nas Caldas da Rainha fazem parte das 21 escolas com notas internas tendencialmente mais baixas do que as de exame.

Em resultado dos quatro processos de inquérito abertos em julho de 2015 pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência, “para investigação mais aprofundada de indícios de responsabilidade disciplinar” em escolas suspeitas de inflação de notas, o Ministério da Educação informou no ano passado ter feito “recomendações” a essas escolas, que “tiveram várias intervenções de acompanhamento”.

Fonte: Expresso

4 COMMENTS

  1. Isto é nas disciplinas sujeitas a exame onde as avaliações são mais cuidadosas. Mas poucos imaginam as injustiças que vão por estes país fora quanto às que não têm exame. Há escolas onde se exige tudo dos alunos e outras onde nada se exige para dar 18, 19 e 20. São ainda os exames nacionais que travam algumas situações e que proporcionam alguma qualidade e justiça. Apesar de nao ser uma defensora convicta deste tipo de avaliação, em Portugal e no contexto específico do nosso sistema educativo, acredito que deveria haver exames em mais disciplinas e que deveriam ter um peso superior na av. FINAL.

  2. Numa cidade do interior sul, com duas escolas secundárias, numa delas os alunos das disciplinas específicas do 12º ano não sujeitas a exame começam a ter todos 20 no final do ano. Na outra escola têm de fazer o mesmo ou então ficam sem alunos, pois os pedidos de transferência no final do 11º ano iam em crescendo. A prática só ainda não se alargou a todas as disciplinas devido aos exames nacionais, se acabarem com eles então as universidades vão ter de selecionar os seus alunos pela cor dos olhos ou pela estatura ou por qualquer outro critério esdrúxulo já que do secundário sairão todos com nota máxima…

  3. Começo por dizer que o colégio do Porto não é o único. Em Braga, no Colégio D. Diogo de Sousa, há dois anos, os alunos do 10º ano, que estão agora no 12º, “conseguiram” 57 níveis 20 na disciplina de filosofia, em 120 alunos. Os restantes foram corridos a 18 e 19. Uma vergonha, na altura a IGEC foi informada e pouco fez. O colégio pertence à igreja que ainda tem, infelizmente, algum poder neste atrasado país. Além disso, nas disciplinas onde se avalia a oralidade, os alunos são todos corridos a 19 e 20. Na disciplina de português, por exemplo, a média interna é de 17,6 e a externa é de 13.
    Por fim, acrescento que muitos dos alunos destes colégios são filhos de professores. Por que será?

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