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Greve dos professores coloca em causa: exames, notas, matrículas, formação de turmas, etc…

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A comunicação social ainda não percebeu que a greve começa a 4 de junho e vai afetar os exames.


A greve marcada por todos os sindicatos de professores, a partir de 18 de junho, às reuniões de avaliação de todos os anos de escolaridade, exceto os que preveem exames (9º, 11º e 12º) vai criar o caos nas escolas e colocar em risco o arranque do próximo ano letivo, avisam os diretores.

“Vai atrasar a atribuição de notas, o processo de matrículas, a formação de turmas e a requisição de professores. É uma bola de neve. Temo que o arranque do próximo ano letivo esteja em causa, porque o caos vai ser lançado nas escolas”, afirma ao CM Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep).

O dirigente lembra uma greve idêntica ocorrida em 2013 (ver texto à parte) e nota que o Governo está de mãos atadas. “Basta faltar um professor para a reunião de avaliação não se poder realizar, tendo de ser marcada outra para 48 horas depois. É uma greve que pode ter uma adesão pequena e ter efeitos colossais. O Ministério da Educação vai ser encostado à parede, porque neste caso não há serviços mínimos nem outros trunfos para minorar os constrangimentos da greve.”

A greve marcada pelas duas maiores associações sindicais (Fenprof e FNE) e oito sindicatos vai, para já, poupar os alunos dos 9º, 11º e 12º, que têm exames marcados, mas mesmo estes alunos podem vir a ser afetados. “Quando saírem os resultados dos exames [12 de julho] vão ter de ser feitos novos conselhos de turma e veremos se a greve continua e afeta estes alunos.”

Recorde-se que os sindicatos anunciaram greve para de 18 de junho até ao final do mês, mas admitem prolongar a paralisação para o mês de julho.

“Vai haver atrasos no encerramento do ano letivo e no início do próximo”, avisa Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, lembrando que desde novembro que os sindicatos começaram a negociar com o ME, responsabilizando a tutela por ter deixado o problema arrastar-se até este final de ano letivo, depois de ter assumido um compromisso de que satisfaria as reivindicações.

Os sindicatos exigem a reposição dos mais de 9 anos em que o tempo de serviço esteve congelado, mas o Governo oferece menos de três anos. Os docentes pedem ainda um regime especial de aposentação e horários sem ilegalidades.

Paralisação idêntica em 2013 obrigou Nuno Crato a ceder

Em 2013, os sindicatos de professores também fizeram uma greve às reuniões de avaliação que deu resultado e obrigou o então ministro da Educação, Nuno Crato, a recuar.

A greve decorreu entre os dias 7 e 26 de junho, tendo bloqueado a atribuição das notas internas aos estudantes. Os professores adotaram uma estratégia que poderá agora ser repetida. Combinavam entre si apenas um professor para faltar ao conselho de turma, o que era suficiente para a reunião não se realizar. Depois, contribuíam todos para pagar ao docente em greve o dinheiro que este tinha perdido.

Na reunião seguinte escolhia-se outro docente e assim sucessivamente.

Os sindicatos reclamavam então contra a intenção do Governo de fazer passar à mobilidade especial e, no limite, afastar da Função Pública, todos os professores com horários zero, ou seja, sem turmas para ensinar. “O risco era que milhares de professores fossem penalizados”, recorda Mário Nogueira.

Nuno Crato acabou por recuar e no dia 27 os docentes voltaram a realizar as reuniões de avaliação. Apenas 12 docentes foram para a mobilidade.

Governo alega que repor todo o tempo custa 600 milhões

O Governo tem alegado que a reposição de todo o tempo de serviço congelado aos professores acarretaria uma despesa permanente de 600 milhões de euros por ano. O executivo propôs devolver apenas um terço do tempo congelado, o que foi recusado pelos sindicatos.

“Professores não estão a brincar”

“Espero que o Governo perceba, até dia 4 de junho, que os professores não estão a brincar”, disse ao CM Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, numa alusão à reunião com o ministro da Educação, marcada para dia 4, e que poderá ser a última possibilidade de acordo.

“É uma das greves mais justas”

Filinto Lima, da Andaep, concorda com a greve. “Esta é das greves mais justas, porque querem tirar o tempo de serviço que prestámos numa época muito difícil da troika”, disse, acrescentando: “O Governo injeta milhões para os bancos não falirem e dá uma ninharia à Educação, área que diz ser prioritária.”

“Isto vai prejudicar todos”

Correio da Manhã – Como comenta a greve às avaliações?

Jorge Ascenção (Presidente Conf. Nacional Associações de Pais) – Não pondo em causa a legitimidade das reivindicações, é lamentável que se esteja a prejudicar assim a escola pública. Esta forma de greve vai prejudicar toda a gente, alunos, professores, famílias, e vai suspender a escola e prejudicar o trabalho feito ao longo do ano. –

Condena esta forma de luta?

– O direito das crianças à educação é o mais importante e tem de ser salvaguardado. Havia outras formas de reivindicar. Isto terá consequências nefastas e agravará a ansiedade em época de exames.

–O próximo ano letivo pode ser afetado?

– Sim, a greve pode prolongar-se para lá de junho e afetar o próximo ano letivo. Os professores vão acabar por ser vítimas disto, porque em algum momento vão ter de fazer as reuniões de avaliação e as próprias férias podem ficar em causa e os professores também têm famílias. Além disso, esta greve tem efeitos a longo prazo que vão perdurar no tempo.

PORMENORES

Acordo em novembro

Em 18 de novembro de 2017, Governo e sindicatos de professores chegaram a um compromisso que previa a recuperação dos mais de 9 anos de tempo de serviço congelado para efeitos de progressão na carreira. O compromisso assumido nunca foi contudo concretizado, tendo o Executivo proposto a devolução de um terço do tempo, o que foi recusado.

Aposentação e horários

No compromisso assinado em novembro, o Governo ficou também de apresentar propostas para um regime especial de aposentação e para o fim das ilegalidades nos horários. Estas propostas também nunca chegaram a ser apresentadas.

Manifestação com 50 mil

Os professores organizaram no dia 19 de maio uma manifestação na qual garantem ter estado mais de 50 mil pessoas para contestar o não cumprimento das promessas. No dia 23, a equipa ministerial foi ouvida no Parlamento, não tendo apresentado propostas concretas.

Despacho é gota de água

Os sindicatos afirmam que a gota de água que os fez decidir avançar para a greve foi a proposta de despacho de organização do ano letivo apresentada pelo Ministério da Educação, a qual não prevê alterações nas ilegalidades em torno dos horários dos docentes.

Fonte: Correio da Manhã

6 COMMENTS

  1. Siga!
    Eu alinho e estou farto de ser desconsiderado, farto do incumprimento da Lei e em particular da Constituição, farto do rumo que a Escola tomou desde os Governos de 2005, farto do menos fingido pelo mais, farto… farto… farto! Estou cansado de tanta hipocrisia! Farto de andar a pagar esta CRISE que dura… dura… dura…
    Faço GREVE a partir do dia 4 de Junho às reuniões de avaliação se os meus Colegas estiverem comigo e unidos numa equipa que merece respeito!
    Ps.: – Pelo que vejo esse Presidente que representa os E.E. apenas está preocupado com o prosseguimento de estudos a todo o custo. Para ele contam as “notas” e não o saber dos alunos… não percebe nada disto!

  2. Vamos ver se os que têm uma carreira mais curta alinham em massa nesta greve!
    Perdoem-me a sinceridade, mas em greves anteriores eram os “da velha guarda ” a lutar!
    Vejo a classe desunida, apática, conformada, sem garra …
    Assim… todos nos calcam!!!

  3. Não são os professores que prejudicam a escolaridade e o direito à educação dos alunos portugueses, como se subentende pela declaração dos pais no correio da manhã, é o governo que não valoriza a educação , não valoriza o país… é o governo que tudo faz para que os portugueses se tornem cada cada vez mais ignorantes, derrubando os professores de todas as formas, professores que tudo tem feito para que o ensino em Portugal deseja digno…

  4. A informação está incorreta: só em 2017 é que foi revogada a possibilidade de mobilidade especial para os profs; portanto o Crato não cedeu nessa matéria. Onde cedeu foi na intenção de eliminar a redução da componente letiva para o cargo de DT. Por isso é que na época muitos profs consideraram que foi irrisório o que se ganhou com a greve.

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