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Governo Vai Mudar Concurso De Professores, Reduzir QZP E Acabar Com Os Chumbos

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Tudo isto já tinha sido referido no ComRegras, mas agora é mais oficial… Ao menos assumem de uma vez por todas aquilo que há muito se quer e se anda a impor nas escolas – ninguém chumba até ao 9º ano!

Fica a notícia:


As medidas constam do Programa do Governo, hoje aprovado em Conselho de Ministros e entregue na Assembleia da República, no mesmo dia em que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu posse a todo o XXII Governo Constitucional, numa cerimónia que decorreu hoje de manhã no Palácio da Ajuda.

“O ensino é um dos setores em que a especialização e a formação dos profissionais são críticas para os resultados obtidos. Não é possível pensar na concretização de políticas públicas de educação alheadas de profissionais com carreiras estáveis, valorizadas e de desenvolvimento previsível”, escreve o Governo no seu programa, que transpõe, no que diz respeito a Educação, o programa eleitoral do PS.

Com mudanças nos concursos, o executivo quer alcançar um corpo docente mais estável e mais jovem, dando prioridade às escolas públicas que já são consideradas prioritárias pelos territórios de difícil contexto social em que estão inseridas – as denominadas escolas TEIP (Território Educativos de Intervenção Prioritária).

O Governo quer “estudar o modelo de recrutamento e colocação de professores com vista à introdução de melhorias que garantam maior estabilidade do corpo docente, diminuindo a dimensão dos quadros de zona pedagógica”, ou seja, diminuindo a extensão da área geográfica em que podem ser colocados, o que pode significar que os professores lecionem mais perto de casa.

No programa consta ainda a intenção de elaborar um diagnóstico a “curto e médio prazo (cinco a 10 anos)” da necessidade de professores nas escolas, “que tenha em conta as mudanças em curso e as tendências da evolução na estrutura etária da sociedade e, em particular, o envelhecimento da classe docente”.

Fixar professores nas regiões do país onde estes escasseiam e melhorar a formação contínua também são objetivos do executivo, que quer também escolas mais digitais e com melhor ligação à Internet.

Para as escolas o Governo quer também mais autonomia, dando-lhes poder de decisão em matérias como o número de alunos por turma, “mediante um sistema de gestão da rede”. Ao nível da gestão quer o modelo de administração escolar mais adequado ao processo de descentralização para as autarquias e dar mais meios técnicos, permitindo a que recorram a “bolsas de técnicos no quadro da descentralização”.

Do ponto de vista dos alunos, o executivo que hoje tomou posse assume que quer eliminar os ‘chumbos’ no ensino básico, ou seja, até ao 9.º ano de escolaridade.

“Criar um plano de não retenção no ensino básico, trabalhando de forma intensiva e diferenciada com os alunos que revelam mais dificuldades” é o objetivo enunciado, entre outros que apontam para um reforço do combate ao abandono e insucesso escolar, sobretudo do ensino secundário, “onde se encontra o principal foco de insucesso”.

Entre as propostas estão projetos de “autonomia reforçada para as escolas com piores resultados”, adequando a oferta curricular ao seu público específico, reforçando, por exemplo, o ensino das línguas, das artes ou do desporto, programas de mentoria entre alunos, para “estimular a cooperação entre pares”, e uma aposta declarada no ensino da matemática, a disciplina com mais insucesso.

Fonte: Sapo

11 COMMENTS

  1. Espectacular ; para os pobrezinhos uns gatafunhos, umas línguas, sabe-se lá quais, e muito desporto… Ora aí está uma educação progressista vinda de um governo Socialista. A cereja no topo do bola é o fim das retenções… numa escola flexível e desvairada não podia ser doutro modo , para que tudo desse certo: pobres crianças, pobres professores, desgraçada Escola Pública!!!

  2. É tudo muito bonito, mas eu quero ver o que me vão fazer a mim que ainda não consegui efetivar com 54 anos e só veja efetivarem colegas entre os 35 e 45 anos. Eu sou nova na carreira porque fui sendo prejudicada por falta de colocação até agora. Sou do grupo 300 a quem mandaram este ano para o Baixo Alentejo com um menor a estudar em Viseu.Pergunto se faz sentido? Não ,nem é justo.
    Sempre quero ver o que vão fazer.

  3. Vejamos a lógica Xuxa:
    É preciso diminuir o insucesso no secundário então facilita-se nos 9 anos anteriores para os alunos se esforçarem menos e chegarem pior preparados.
    Entenderam? Não? Os alunos que passarem nas escolas nos próximos anos entenderão. Os burros somos nós.

  4. Vai ser a degradação da escola publica.
    Quem tiver €€€ vai colocar os filhos em altos colégios.
    Vai ser uma educação à Brasil.
    Estamos preparando um povo mais abrutalhado.

  5. Como a literatura e arte são uma excelente forma de refletir sobre a realidade permitam-me que pergunte se veremos no futuro alguns comentários semelhantes a esta passagem da “Mancha Humana” de Philip Roth?
    «(…)Eu fui professora de classes normais. As crianças com dificuldades são três em trinta, três ou quatro.Não é muito mau. Temos o progresso das outras para nos ajudar a continuar. Em vez de pararem e darem aos alunos mais atrasados aquilo de que precisam, misturam-nos, mais ou menos, e vão-nos empurrando com os outros, pensando – ou fingindo que pensam – que elas avançam levadas pela onda. São arrastadas, assim, para o segundo ano, terceiro ano, quarto ano… e depois é o falhanço grave.(…)»
    Dirão que terão apoio diferenciado, mas veja-se agora a perspetiva da personagem na função de professora de recuperação: «Quero fazer as coisas da maneira certa, mas não há uma maneira certa: cada criança é diferente e cada criança é um caso desesperado, e espera-se de mim que ponha tudo a funcionar.»
    Será exatamente isto que esperarão de nós, que se ponha tudo a funcionar e a exigência aumentará na proporção direta da incompetência das restantes estruturas e/ou lideranças.
    Quanto à diminuição do insucesso do secundário, veremos se descerá ou se terá uma solução estatística, arrastando o problema para o ensino superior e para novos programas de acompanhamento!
    Vamos esperar para ver, o volume de papelada esperado e o número de reuniões serão um bom indicador da bondade das medidas anunciadas, para já não falar num problema crónico da sociedade portuguesa, a organização!
    Velha do Restelo? Talvez, mas disposta a mudar de opinião perante evidências consistentes!

  6. Os Americanos adotaram essa medida há uns anos atrás, depois começaram a ver que os resultados, obtidos nos testes internacionais, vieram por aí abaixo. Havia uma regra no Vietname entre os militares, que era, ninguém fica para trás, essa regra foi aplicada no ensino e já foi abandonada, devido aos elevados problemas que surgiram na escola. Os alunos mal preparados, com levado défice de conhecimentos, foi o que fez soar os alarmes no sistema de ensino Americano. Julgo que em Inglaterra e França também tinham um sistema parecido.
    Palhaçada!!

  7. Leiam com atenção o programa: revisão das carreiras (a ideia é fazer progredir as chefias); revisão da gestão das escolas, tendo em conta a municipalização (imagino alguém na direcção numa assessoria junto do director); presumível fim das retenções no básico e fim de qualquer prova de avaliação externa; fim dos exames no secundário; alargamento de um ensino fofinho e flexível a algumas universidades , para onde irá a ralé, criando um sistema, grande ironia com socialistas, meio americanizado… Há mais desgraças que se podem perceber nas intenções dos super-privilegiados das carreiras especiais… mas já me parece bastante!!! Uma verdadeira hecatombe! Uma infâmia que se prepara para a Escola Pública de qualidade, a flexibilidade foi o primeiro passo…
    Continuem, quando tiverem as botas cardadas do tiranite autarca lá do sítio, sobre as orelhas, a bater palminhas à escola inovadora!!!! Só há um plano: destruir-vos a carreira; domesticar-vos ao de perto com a vigilância dos municípios; rebentar-vos, vós ajudastes… com a última resistência sindical para vos pôr de trela??? Que direis agora??? Que direis então!!!!???

  8. É possível acabar com os chumbos se forem criados currículos de nível, recursos para atividades práticas e formação específica para docentes em domínios do “saber fazer” para dar resposta aos alunos que simplesmente não se querem esforçar e, em alguns casos assumirem mais o papel de animadores sociais que propriamente de docentes.
    Outras formas de acabar com os chumbos será um retrocesso civilizacional que demorará muito tempo a resolver e, garantidamente, serão as classes sociais mais desfavorecidas que sofrerão mais.

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