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Governo não entregou computadores prometidos aos professores

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A promessa do Governo era de que todos iriam receber um computador e acesso à Internet. Desde os alunos aos professores, e os menos favorecidos estariam na linha da frente. Isto foi em abril. No início do segundo período do ano letivo 2020/2021 menos de 10% da comunidade estudantil recebeu esses computadores e entre os professores não há registo de um único reforço.

A denúncia é feita por Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, e Mário Nogueira, da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Até ao momento, da intenção de entregar 1,2 milhões de computadores (para toda a comunidade escolar), chegaram apenas 100 mil, segundo o representante dos diretores de agrupamentos e escolas públicas. “Irão chegar nos próximos tempos mais 260 mil, mas mesmo assim vão ficar a faltar quase um milhão de computadores. Estamos longe de conseguir atingir o objetivo”, lamenta.

“Se acontecer um novo confinamento, mesmo que seja só parcial, os professores vão ter de usar os computadores pessoais, porque não chegou nenhum dos computadores prometidos pelo Governo”, explica Filinto Lima, acrescentando que muitos terão de usar os computadores pessoais ou os da escola “que são, na sua grande maioria, obsoletos”. Mário Nogueira atribui a culpa deste atraso ao Ministério da Educação que não se esforçou por reforçar a necessidade que era bastante clara.

Mário Nogueira é ainda mais crítico: “O Governo prometeu que em setembro haveria computadores para todos. E neste momento nem chegam a 10% dos alunos”.

“E entre os professores temos de nos lembrar que muitos são casais com filhos na escola. Ou seja, há casas em que, indo para confinamento, dois professores terão de dar aulas via computador, com filhos a terem aulas também em casa, neste regime. E até podem ter dois ou três computadores, mas muitas vezes não chega para todos”, continua o secretário-geral da Fenprof.

Há ainda uma outra crítica feita ao Governo. “Tivemos muitos professores que tiveram de reforçar a sua rede em casa e adquirir computadores porque os empregadores – neste caso, o Ministério – não conseguiram providenciar os equipamentos necessários. Propusemos ao Governo haver uma compensação para quem teve de adquirir equipamentos para trabalhar, nem que fosse a nível de IRS e nem isso foi acolhido. É o desrespeito habitual pelos professores”, denuncia o secretário-geral da Fenprof.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, anunciou no final do primeiro período a aquisição de mais 260 mil computadores para as escolas. “Posso anunciar que já compramos mais 260 mil computadores. Pelo menos 260 mil computadores, numa altura em que todo o mundo luta por computadores”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues no final de uma visita às obras de requalificação da escola básica e secundária Sidónio Pais. Segundo o ministro, a prioridade foi que os alunos de ação social escolar fossem os primeiros a receber os equipamentos.

Professores como prioritários na vacinação

Tanto Filinto Lima como Mário Nogueira mostram apreensão em regressar a um confinamento geral, apesar de admitirem que se os especialistas assim considerarem, apoiarão esta decisão. Mas que caso os professores continuem a dar aulas, pedem ao Governo que os coloque entre as profissões prioritárias a receber a vacina, numa segunda fase.

“Já que não querem fechar as escolas, já que querem que seja o último reduto a fechar, era justo que os profissionais da educação fossem prioritários na aplicação da vacina, até porque é sabido que a classe é muito envelhecida”, recorda Filinto Lima.

Mas Mário Nogueira diz que o Ministério da Educação já revelou à Fenprof que nenhuma profissão que não os profissionais de saúde e funcionários de lares serão considerados prioritários e que irão receber a vacina aquando da sua vez.

Sobre o confinamento geral, ambos lembram as consequências “terríveis” que este encerramento pode comportar: aumento das desigualdades na aprendizagem, a aprendizagem deficitária em todos os níveis, especialmente entre os alunos com menos autonomia digital” e ainda as dificuldades acrescidas para os alunos com necessidades especiais.

Fonte: Sábado

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  1. E também ficaram na gaveta as promessas de reforçar a velocidade da Internet em todo o país, para o caso de ser necessário voltar às aulas online

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