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Gostava de dar aulas nesta escola.

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pense-fora-da-caixaEstou cansado do modelo tradicional, das queixas do costume, das dificuldades em mudar de paradigma e da estagnação que o conformismo enraizou na sala dos professores. Tenho 14 anos de serviço e só de pensar que tenho pelo menos mais 25 anos desta letargia fico de braços caídos…

Por isso digo que gostava de dar aulas numa escola que não tem medo de arriscar e pensar fora da caixa, que identifique os problemas e crie soluções sem desculpas de terceiros. Não existe um modelo perfeito, mas existem modelos gastos, desatualizados e que o resultado é mais do que conhecido e eu estou farto, fartinho…

A escola sem TPC e onde ninguém chumba até ao 9.º ano

Há 13 anos, o director da escola secundária de Carcavelos decidiu que tinha de fazer alguma coisa. O diagnóstico não era animador: os “rankings” davam más notícias, a escola mirrava, tinha apenas 400 alunos, na sua maioria oriundos de bairros problemáticos.

A opção de Adelino Calado foi pelo Agrupamento de Escolas de Carcavelos e por um projecto educativo para 15 anos. Um projecto inovador, que dá mais autonomia aos 2.900 alunos e que os ensina a aprender.

A primeira alteração: nesta escola ninguém chumba até ao 9.º ano. “Mesmo que tenham negativas, os alunos não repetem”, explica Adelino Calado. “O que têm de fazer é recuperar no ano a seguir o que não conseguiram no ano anterior ou então podem ser orientados para outras ofertas que existem na escola.”

“Com esta medida, a escola acabou com os problemas disciplinares e a evolução dos alunos tem sido muito boa”, afirma o director do Agrupamento de Escolas de Carcavelos.

Aqui não há TPC

Nesta escola não se ouve o toque para a entrada e a saída das aulas, os alunos são responsáveis pelo livro de ponto e não há os tradicionais TPC. A experiência foi feita com alunos do primeiro ciclo. Chegou-se à conclusão que não havia diferença entre os alunos que faziam os trabalhos e os que não faziam.

“Por exemplo, no primeiro ciclo, a Matemática, em vez de estar a mandar várias fichas com contas, o que fazemos é sugerir ao aluno que lá em casa vá à despensa e some os quilogramas. Ou então, quando for ao supermercado, que some os preços dos produtos para ver se fica com a mesma soma da caixa.”

Não há trabalhos para casa e também não há testes. A escola optou por outros instrumentos de avaliação que não deixam nenhum aluno para trás. Há 11 instrumentos diferentes para avaliar os alunos e apenas um teste por cada período. “O objectivo, para a escola, é perceber como é que estão os alunos, se eles sabem o que era suposto. Não é para notas. É para aferir as aprendizagens.”

Com este novo projecto educativo a escola captou alunos e melhorou as notas. Mas os desafios continuam. Um exemplo: em vez de os proibir, a escola decidiu deixar os alunos usarem o telemóvel na sala de aula.

Foram os estudantes que definiram as regras: os telemóveis podem ser usados como calculadora, agenda e para consultar a internet. Quem não cumprir tem um dia de suspensão. “A medida entrou em vigor em Setembro e até agora mandei 15 alunos para casa”, refere Adelino Calado.

Ficam os links das duas entrevistas que já fiz ao Diretor Adelino Calado.

A escola que não chumba

Os alunos do Agrupamento de Escolas de Carcavelos usam os telemóveis nas aulas – Entrevista exclusiva!

7 COMMENTS

  1. …não vejo nada de novo, excepto que se parece mais com uma praia de naturismo, em que tudo parece normal sem o ser! tudo igual ao normal, mas em que nada é proibido e que era obrigatório deixou de o ser! Cuidado com os escaldões nas partes mais sensíveis!

    • Essa teve graça. Não é nada de novo para quem já esteve numa escola assim, eu como nunca estive, seria tudo de novo.

  2. Se é assim tão bom o senhor ministro que nos faça formação sobre esse modelo e o senhor diretor que partilhe os instrumentos de avaliação, tenho 34 anos de serviço e estou receptivo a aprender

  3. Lecciono há 30 anos e, de há uns anos para cá, tenho pensado na importância das retenções. Regra geral, não trazem mais sucesso (muito pelo contrário) e tornam a máquina da educação demasiado cara. E porque não, com bastante informação aos alunos e EE, deixar de reter alunos? Obviamente que, caso não consigam recuperar (por falta de esforço e dedicação pessoal), quando chegarem ao final do ensino obrigatório, apenas terão direito a uma declaração de frequência sem sucesso, não podendo continuar para o ensino superior. Entretanto, poder-se-ão encontrar soluções ao nível do ensino profissional… Muito provavelmente, os que mais ganhariam seriam os mais jovens que, anualmente, recebem nas suas turmas diversos bi e tri-repetentes 🙁

  4. A suposta modernidade: ”The OECD’s education director Andreas Schleicher says school technology had raised “too many false hopes”.
    Tom Bennett, the government’s expert on pupil behaviour, said teachers had been “dazzled” by school computers.
    The report from the Organisation for Economic Co-operation and Development examines the impact of school technology on international test results, such as the Pisa tests taken in more than 70 countries and tests measuring digital skills.
    It says education systems which have invested heavily in information and communications technology have seen “no noticeable improvement” in Pisa test results for reading, mathematics or science.
    Unplugged
    “If you look at the best-performing education systems, such as those in East Asia, they’ve been very cautious about using technology in their classrooms,” said Mr Schleicher.
    “Those students who use tablets and computers very often tend to do worse than those who use them moderately.””

  5. Para uma nova onda que varre o país e que diz que a escola vai mal e que vai ser salva por uma espécie de ”big brother” coletivo e práticas ” bué de modernas” e fixes , e tal…

    “One of the most disappointing findings of the report is that the socio-economic divide between students is not narrowed by technology, perhaps even amplified,” said Mr Schleicher.
    Andreas Schleicher.
    Andreas Schleicher has warned about students copying their homework from the internet.
    He said making sure all children have a good grasp of reading and maths is a more effective way to close the gap than “access to hi-tech devices” (esta parte é muito ”chata” para alguns, bem sei…)
    He warned classroom technology can be a distraction and result in pupils cutting and pasting “prefabricated” homework answers from the internet.
    The study shows “there is no single country in which the internet is used frequently at school by a majority of students and where students’ performance improved”.
    Among the seven countries with the highest level of internet use in school, it found three experienced “significant declines” in reading performance – Australia, New Zealand and Sweden – and three more had results that had “stagnated” – Spain, Norway and Denmark.
    The countries and cities with the lowest use of the internet in school – South Korea, Shanghai, Hong Kong and Japan – are among the top performers in international tests.
    The study did not gather a figure for the UK’s internet time in class, but the UK has among the highest levels of computers per pupil.”

    • A tecnologia traz benefícios óbvios. Mas também ela precisa de ser orientada e os alunos trabalhados a entender que a tecnologia é uma ferramenta e não um substituto de aprendizagem.

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