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Gostaria de ter alunos mais motivados? Seja empático!

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Oficina de PsicologiaCom frequência os professores deparam-se com a falta de motivação das crianças na sala de aula, seja qual for a disciplina ou idade. É uma das principais causas de insucesso escolar e é difícil lidar com a mesma. Várias são as razões que contribuem para os alunos se sentirem desmotivados: terem de fazer algo obrigatório, que não gostam, ou que acreditam não serem capazes, ou ainda por não sentirem o seu esforço valorizado. Existem vários obstáculos incontornáveis à motivação dos alunos, não depende unicamente dos docentes, mas as atitudes destes podem ser cruciais para motivar os alunos.

Segundo um estudo recente (“The First Steps Study”) de duas Universidades na Finlândia, professores empáticos aumentam a motivação para a aprendizagem e competências académicas dos alunos, como a leitura, a escrita e aritmética. A investigação concluiu que a interação entre o professor e o aluno é mais importante para os resultados de aprendizagem do que fatores estruturais, tais como materiais educativos e o tamanho das turmas. Além disso, outros estudos científicos indicaram a interação professor-aluno como um fator importante durante os primeiros anos de escolaridade, pois neste período a criança necessita de ter uma relação segura com o seu professor. Adicionalmente, há indícios de que a atitude empática do docente tem um papel importante também posteriormente, quando os desafios académicos se tornam maiores e a interação protetora professor-aluno é menos intensa.

Mas como ser empático e ter uma atitude calorosa em sala de aula? Sendo a empatia a capacidade de nos colocarmos na perspetiva do outro, o professor deve demonstrar uma postura compreensiva face às necessidades e dificuldades do aluno, tentando perceber as razões pelas quais a criança não demonstra motivação ou sucesso.

Não raras são as vezes em que as crianças em consultas de psicologia partilham situações nas quais o professor não a compreende, interpretando como desleixo ou falta de esforço algo que poderá ser insegurança, ou até ansiedade, e desvalorizando os esforços da criança. Há também casos de crianças que manifestam reações de medo intensas com somatização em relação aos professores mais autoritários e menos empáticos, com impacto negativo no seu desempenho escolar.

Conversar e ouvir a criança atentamente, ajudando-a a expressar as suas emoções, faz com que esta se sinta num ambiente mais seguro e encare o professor como alguém em quem pode confiar e pedir ajuda. Desta forma, sentir-se-á mais compreendida, o seu trabalho mais valorizado, colaborará mais e sentir-se-á mais motivada na aprendizagem.

Assim, desenvolver a capacidade de empatia e utilizá-la como uma ferramenta preciosa de trabalho não só contribui para o sucesso da criança, como facilita o processo de ensino-aprendizagem e melhora a relação professor-aluno e o ambiente em sala de aula.

Elogiar o esforço investido, o bom comportamento, a curiosidade, ignorar os comportamentos desadequados, valorizar o que de melhor acontece nas aulas, gerir expectativas de auto-eficácia dos alunos, propor atividade novas e diversificadas são outras estratégias eficazes para sala de aula.

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil

Oficina de Psicologia

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