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Fundos Retirados Do Privado Para O Estado?

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João Costa é capa do Jornal I, hoje. Entrevista que considero interessante de ser lida, mesmo discordando em muito do que disse.

O principal ponto em que discordo é quando faz a “ligação direta” entre ensino privado e investimento na escola pública. A constante, ideológica, evangelização de virar a Escola Pública contra a Escola Privada, e vice versa, é pura demagogia.

Os dois sistemas de ensino são complementares e seria impossível acabar com a segunda, pois a Escola Pública não suportaria tal situação!

A pergunta foi:

“De acordo com a OCDE, Portugal é um dos países onde o ensino privado é mais elitista, pois o financiamento das instituições está a ser reduzido. O ensino privado deve ser mais apoiado?

O que o estudo mostra é que temos, na globalidade, alunos com uma condição socioeconómica mais elevada no ensino privado – porque é pago -, mas também que há mais segregação dentro de cada um dos sistemas do que propriamente entre sistemas. Há, por vezes por via do urbanismo, focos de separação entre alunos com meios financeiros distintos. A nossa linha política é de apoio da escola enquanto serviço público, direito universal e até um dever compete ao Estado providenciar este serviço público de qualidade. Ter uma lógica de financiamento do privado, tendo este gestão e recursos próprios, seria desviar investimento da escola pública e, como ainda há muito a fazer nesta, essa é a nossa prioridade!”

Esperem lá, terei percebido a pergunta?

O Dr. João Costa responde que é elitista porque é pago?

Então mas é isso mesmo que a OCDE diz, que nem todos têm igualdade de oportunidades, porque nem todos podem frequentar o ensino privado, por ser pago!

Então mas se estamos a falar de igualdade de oportunidades, estamos a dizer que para todos os estudantes as oportunidades devem ser iguais, eles devem ter liberdade de escolher onde querem estudar, ou percebi mal?

Como se faz isso?

Pode ser feito através de contratos de associação ou mesmo de financiamento direto, ou será muito diferente atribuir uma bolsa de estudo a quem quer frequentar um ensino privado no 1.º ciclo e na universidade?

Com este governo assistimos a uma verdadeira guerra cega contra os colégios com contrato de associação, sem dó nem piedade, pensando sempre ideologicamente e pouco nos alunos que lá estudavam!

Dizem que muitos não serviam ninguém a não ser os seus donos?

Certo, que se fechasse esses!

Agora fazê-lo sem o mínimo de critério é só cegueira ideológica, mais nada!

Mas a pergunta da OCDE referia-se a uma igualdade de oportunidades, se os ricos podem ter a mesma oportunidade de frequentar a escola pública, porque é que os pobres não podem frequentar a escola privada!?

Ah, esperem lá, a “linha política é de apoiar a escola enquanto serviço público, de direito universal, e por isso há que providenciá-lo com qualidade!”

Ora bem, qualidade é tudo o que tem faltado na escola pública!

Excetuando os muitos e bons professores que por lá trabalham arduamente, diariamente, no limiar das suas forças, de resto a qualidade é escassa!

Essa falta de qualidade nota-se nos muitos casos de escolas sem condições minímas, as turmas enormes, a indisciplina, a falta de material, de auxiliares, entre muitas outra relatadas diariamente!

Portanto não se pode falar em investimento na escola pública! Poder, pode, mas é falso, quem lá anda sabe que as coisas estão, de ano para ano, piores!

Os que podem, escolhem as privadas, os que não podem sujeitam-se a oportunidade que o estado lhes dá!

Portanto estamos a falar de uma igualdade de oportunidades com algumas nuances, ou seja, há uma oportunidade, estudar na escola pública da tua zona de residência e mais não podes esperar que o estado faça por ti, mas não tens oportunidade igual à do teu vizinho que está num colégio!

Perguntam: Há escolas públicas com qualidade?

Claro que há, mas são cada vez menos!

Esta confusão que se pretende sempre fazer parecer que está relacionado, é demagogia, dizer que não há para o público porque se financia privados é falso!

Não há para a educação em geral, por ideologia!

Investir na escola pública, dando-lhe a qualidade desejável por todos nós, é, entre outros:

  • investir nos seus recursos mais preciosos, os professores;

e isso já percebemos que não é prioritário!

  • atacar de frente o maior problema nacional da Escola Pública, a indisciplina;

continuam a assobiar para o lado!

  • diminuir turmas

lá reduziram dois alunos, mas é manifestamente pouco, custa caro, não há dinheiro!

  • devolver a autoridade aos professores;
  • a mudança na eleição da liderança nas escolas;
  • o reforço de meios para aplicação da nova legislação;

Sobre isto nem uma palavras!

Com o dinheiro que se gasta em muitas outras frentes, podiam perfeitamente concretizar o sonho de qualquer professor, uma escola pública de qualidade!

Enquanto não priorizarem a Educação, pelos menos deixem-nos escolher, deem-nos a liberdade de escolher, isso sim é igualdade de oportunidade!

Preferem o IP3, ou a recapitalização dos bancos?

Alberto Veronesi

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Parece-me claro que tem deve ser financiado é cada aluno e não a escola.
    O Estado deveria atribuir um valor para educação a cada jovem, e caberia a este – à família – a escolha da escola.
    Mas isto é capaz de ser considerado fascista, sei lá…

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