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Fraudes em exames escritos em Português…..

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Nos destaques de notícias de hoje vamos atravessar o Atlântico.

Pelo Brasil, o escândalo do momento é a descoberta de um esquema fraudulento relacionado com exames no setor de Educação (no caso o ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio). A notícia completa pode ser lida aqui no site da Veja.

As operações da Polícia Federal brasileira realizadas, ontem, domingo, em pelo menos oito estados, tinham os nomes sugestivos de Operação Jogo Limpo e Embuste,  resultaram em prisões e na descoberta do esquema que fazia com que alunos pagassem entre 150 mil a 180 mil reais (uns 40 a 50 mil euros) para ter notas para entrar no curso que desejavam. O esquema da fraude parece ser impossível de reproduzir em Portugal em circunstâncias semelhantes mas os recursos usados merecem atenção. Fica a descrição em Português saboroso:

“Membros do grupo – entre eles, professores e alunos veteranos, chamados de pilotos – faziam a prova rapidamente e saíam no tempo mínimo, com as respostas anotadas. Depois, de um hotel, eles transmitiam o gabarito para candidatos do exame em várias cidades do país. As alternativas corretas eram passadas por celular para receptores do tamanho de um cartão de crédito – com um chip semelhante a de celulares, que os candidatos grudavam no peito, e o áudio era ouvido por meio de pontos minúsculos no ouvido.”

A Folha de São Paulo acrescenta mais dados, nomeadamente que a pena para os detidos pode chegar a 20 anos de cadeia e que um dos instrumentos usados no esquema era tão pequeno que teve de ser retirado com uma pinça do ouvido do aluno que o estava a usar.

Por cá, as notícias do dia em educação têm centro na questão dos concursos e na negociação da sua nova legislação que está ao rubro na sequência do que Mário Nogueira anda a dizer estes dias.

Por cá, concursos ….

O tema concursos apareceu hoje, pelo menos, no Correio da Manhã e JN e há novidades das propostas em discussão: incentivos para a manutenção no interior, concurso anual (isto é, todos os anos mesmo para os professores de quadro), bolsa de substituições regional para acabar com ofertas de escolas de 8 ou outras menores de 22 horas, etc. Vale a pena todos os professores estarem informados sobre isto e terem opinião (seja ela qual for). Quando nos abstemos alguém decidirá por nós.

E espera-se que Mário Nogueira não caia nas armadilhas passadas de umas negociações à volta de umas pizzas de madrugada. Não escondo que até gosto dele e até tenho aprendido a viver com ele como representante mais visível da classe docente. Mas espero que também tenha aprendido algo com o passado e não caia no costume destas coisas: muito espalhafato inicial e resultados coxos.

A CGTP volta à carga com o descongelamento dos salários para 2017 (que não vai acontecer mas é bom que não se deixe esquecer).depositphotos_55076389-businessman-counting-50-euro-banknotes

Como se percebe, nas opções de divulgação que por aqui fazemos, essas questões estruturais (salário e carreira) são para este blogue muito mais importantes que a discussão sobre as licenciaturas falsas e as declarações do ex-secretário de estado sobre o ex-licenciado ex-chefe de gabinete (assunto que já fedeu que baste). Quem quiser ler mais alguma coisa sobre isso pode mesmo assim ir ao Expresso que tem a melhor síntese. Outra notícia a que escolhemos hoje não dar destaque são as atividades de tipo propagandístico e pseudo-participatório do Ministro, na sexta-feira, que pessoalmente, acho que já entram no domínio de folclore para entreter. Especialmente, se ainda não sabemos qual o critério legitimador das pessoas que foram ouvidas (sejam alunos ou outros quaisquer). A TVI fez notícia e podem ver aqui.

imageAntes de terminar, destaque às opiniões de Richard Zimmler sobre a ligação entre o que se passa nas eleições americanas e os problemas educativos. Às tantas, uma reflexão para Portugal, em que o problema não é tão grave, mas os níveis de ignorância publicamente exibida estão a subir (vejam-se os comentários na internet e redes sociais):

“Existe um fenómeno estranho nos Estados Unidos que quase não existe na Europa: a palavra intelectual tem uma conotação negativa. Quem tem mais conhecimento é uma pessoa suspeita, duvidosa. Temos [nos Estados Unidos] muitos milhões de pessoas – e isto vai parecer muito estranho – que valorizam a sua própria ignorância. Que se orgulham de ser ignorantes, de não conhecer o resto do mundo, de não conhecer bem os temas mais importantes e que realmente só valorizam os Estados Unidos como o país mais poderoso, mais interessante, com gente mais rica”

2 COMMENTS

  1. “Membros do grupo – entre eles, professores e alunos veteranos, chamados de pilotos – faziam a prova rapidamente e saíam no tempo mínimo, com as respostas anotadas. Depois, de um hotel, eles transmitiam o gabarito para candidatos do exame em várias cidades do país. As alternativas corretas eram passadas por celular para receptores do tamanho de um cartão de crédito – com um chip semelhante a de celulares, que os candidatos grudavam no peito, e o áudio era ouvido por meio de pontos minúsculos no ouvido.”

    Penso que já tiveram acesso as provas antes, pois é proibido sair com a prova (ou seu rascunho) antes de meia hora para o final da prova. Ainda há 4 tipos de prova (amarela, rosa, branca e azul), com questões mescladas. 768 candidatos foram desclassificados nas provas por usar de método proibido na realização das provas (celular, maquinas filmadoras/fotográficas, etc).

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