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E se fosse permitido bater nos alunos?

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palmadaNão é permitido, todos sabemos, nem mesmo os pais podem fazê-lo. Sou da opinião que a agressão física não pode, nem deve ser encarada como uma solução. Mas e se fosse? Que sociedade teríamos? Que escola teríamos?

Eu não sou do tempo da ditadura, por isso tenho dificuldade em imaginar uma escola onde o “ponteiro” acertava bem e a régua tatuava as mãos dos alunos. A título pessoal, lembro-me de ter apanhado uma reguada por ter dado um erro numa palavra e em casa a colher de pau tinha um sabor seco, intenso em que permanecia um ardor picante durante uns minutos…

Muitos de nós, frustrados pela dificuldade em lecionar meninos mal comportados dizemos de boca cheia – Ai, umas belas estaladas é que era!!! As coisas mudavam num instantinho. Os pais vão um pouco mais além, incapazes de mudar um comportamento, descarregam muitas vezes a bateria da irritação com uns belos açoites, agarrando o braço da criatura, não vá esta fugir, e assim terminar o “prazer” de bater em carne fresca…

Mas vamos imaginar que os professores podiam bater nos alunos, sim, a sério, imaginem que estava escrito no estatuto do aluno/professor a alínea não sei das quantas dizendo: o professor sempre que considere necessário pode utilizar a força física como mecanismo preventivo, punitivo e dissuasor.

Imaginaram?

Agora respondam às seguintes questões:

Ficariam satisfeitos por ver um colega dar um chapadão a um miúdo por este gritar nos corredores?

Ficariam saciados por ver um aluno levar uns belos pontapés quando fosse chamado à direção por este ter perturbado a aula?

Ficariam descansados por ver um aluno levar umas quentes réguadas por ter insultado um colega de carteira?

Onde terminaria a razoabilidade da punição física?

Qual seria o limite?

Sentiriam justiça?

Gostariam de trabalhar nessa escola?

Gostariam que os vossos filhos frequentassem essa escola?

E acima de tudo…

Gostariam de ser vocês os “justiceiros pedagógicos”?

Muito do que se passa na escola deixaria de acontecer, a pequena indisciplina, não tenho dúvidas, seria rapidamente eliminada, mas a médio/longo prazo o que teríamos era uma sociedade mais violenta, onde o inaceitável seria padrão e a violência geraria uma catadupa de incidentes cada vez mais violentos.

Não sou puritano e aceito que uma palmada numa fralda, uma pressão num ombro, o obrigar um aluno a ficar sentado ou mesmo levá-lo com a utilização da força para determinada zona seja necessária desde que enquadrada. Em casos extremos, reações extremas! Algo perfeitamente legítimo e sem traumas acrescidos, trata-se apenas de colocar uma ordem natural ao sentido das coisas, os adultos mandam e os menores obedecem.

Banalizar a violência não é solução, já chega o que assistimos diariamente sobre este assunto, principalmente nos mais novos, chamam-lhe  “coisas de miúdos”. Uma forma carinhosa de aceitarmos a chapada, o murro, o pontapé, o “vai para o c$%lho”, limpando a nossa consciência, algo que espremido mais não é que a submissão à nossa impotência perante tão grande avalanche de falta de regras e estratégias/modelos educativos eficazes.

Mas continuo a acreditar que a maioria dos docentes e não docentes, além de muitos pais, permanecem modelos sociais para as crianças e jovens deste país. A palavra pode ser tão forte como o punho e serão estes os timoneiros de uma nau que precisa de corrigir o rumo. Haja articulação, estratégia e uma defesa intransigente dos valores morais e sociais. Liderando pelo exemplo, sempre pelo exemplo…

Se assim não for… Que sociedade teríamos? Que escola teríamos?

Fica um mapa de uma sociedade onde as agressões são permitidas e uma notícia sobre o assunto.

Video of Georgia school principal paddling boy goes viral

 

estados unidos_agressões

Reconhecem o país?

É essa a sociedade que querem?

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7 COMENTÁRIOS

  1. Achei muito interessante a reflexão realizada. De facto, a disciplina e a falta de regras é hoje um problema sério que nos tira a alegria e a vontade de ir para a escola. Ao contrário do autor do texto, eu sou do tempo da ditadura. No 1º ciclo, onde trabalho, assistimos a comportamentos e atitudes absolutamente impensáveis naquela época. Era no 1º ciclo que a disciplina era a sério, e ai de quem ousasse desafiar a autoridade do mestre! – Confesso que nem como exercício meramente imaginativo, consigo colocar a hipótese aventada pelo autor. Hoje a Comunidade rege-se por parâmetros e valores ( ou falta deles) que reprovaria de imediato essas atitudes e sobrava para o docente os ” excessos” a que tinha sido levado.
    Apenas de uma coisa estou certo: é necessária uma mudança muito nítida por parte da comunidade escolar em relação à forma como encara o trabalho do professor. Este tem e deve ser revalorizado e respeitado seja lá qual for o rumo que escola possa vir a tomar- penso eu…

  2. Na minha terra diz-se que é o bombo que acerta a música. Se um menino pode agredir o professor de forma violenta verbal ou física, tem de saber na hora quem é que manda. Tive um professor de física que estando a explicar a matéria e notava algum menino na brincadeira, ia pela sala de mais de 40 alunos, devagar sempre a explicar a matéria, calmamente e quando chegava junto do menino enfiava-lhe duas bananas nas ventas e calmo e sereno continuava sala acima a continuar a lição. Não é necessário partir osso. É só para que se saiba que há uma hierarquia. Claro que os Srs. psicólogos me vão pregar num cruz, mas uma vez consultei um prof. de psicologia sobre o assunto e a resposta não podia ser mais clara e respondeu-me: Se é esse tipo de linguagem que o menino entende melhor, não vejo onde está o problema. Mandar o menino para casa, não sei se resulta com certos pais. Mas com o meu resultava, ai se resultava. Não é ter medo, é respeitar . Afinal ainda estamos num pais civilizado.

  3. Adoro este país de brandos costumes, que se faz de ingénuo, devido ao pacto de silêncio geral (pais, diretores das escolas, diretores de agrupamento, colegas professores, auxiliares, …). Venho por este meio informar o pais de que ainda há muitos professores do ensino básico a recorrer a agressões físicas e psicológicas como forma de disciplinar os meninos. Tenho como exemplo o da minha filha quando a transferi, em 2016, para a escola básica de Esposende. A professora não só batia nos meninos, como dizia muitos vezes: ” vocês são uma cambada de inúteis”, “vocês não prestam para nada”, … Posteriormente, vim a saber que ela não era a única a bater na escola básica de Esposende. Outro exemplo, depois de a minha filha regressar à antiga escola (escola básica de Gandra, 2º ano), onde tinha aulas juntamente com os meninos do 4º ano, para meu grande espanto e da professora, na reunião de avaliação do final do ano, uma das mães de uma menina do 4º ano disse que não concordava com o facto de o professor substituto puxar o cabelo as meninas e dar uns croques na cabeça dos rapazes. Outro exemplo, este atual (ano letivo 2018/2019), a minha prima tem a filha dela na escola básica de Terras de Bouro, no 1º ano. A professora bate nos meninos, com o livro, com a régua, com a mão, já atirou o giz à cara de um menino, disse à minha prima que tem de pôr alguns alunos o mais longe possível dela porque senão não responde por ela… Na reunião de avaliação vários pais contestaram os métodos da professora cuja reposta foi: “então se não é assim que se faz diga-me como é que eu domino 24 meninos?!”. Após várias queixas na direção, nada! O espírito corporativo é mais importante, do que defender os direitos das crianças, que no fim das contas, são sempre Os mentirosos, Os sensíveis, Os que têm uma grande imaginação, Os manhosos, … Nunca eu imaginei que ao fim de 30 anos AINDA se batem e humilham crianças nas escolas deste pais, devido ao silêncio cúmplice de todos nós. Na educação escolar, ainda somos um pais em vias de desenvolvimento!

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