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Foi Um Erro Prolongar O Ensino Básico Até Ao Dia 26 De Junho

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Estamos fartos!

Não haverá aluno, professor ou encarregado de educação que não tenha pensado que as aulas já deviam ter acabado. Existe um clima de saturação muito grande, algo que costuma acontecer no formato presencial, mas que é atenuado nesta altura do ano pelas inúmeras atividades que ocorrem nas escolas e consequente convívio.

Acredito que o Ministério da Educação tenha tido a intenção de dar tempo às escolas para se adaptarem e consolidarem este novo ensino, de modo a não prejudicar os alunos. Mas a realidade mostra que o ensino à distância é muito mais cansativo que o ensino presencial. Os alunos em casa não têm pausas com os seus amigos, fazem atividades atrás de atividades como se uma fábrica se tratasse, e os professores/pais, estão sempre ligados na tentativa de acompanhar e ajudar os mais novos para que esta crise não os afete em demasia.

Isto tudo já devia ter acabado, até para não prejudicar o início do próximo ano letivo que inevitavelmente terá de começar mais tarde.

São 2 meses e meio de um ensino antinatura, sem pausas, sem tempo para desligar convenientemente, pois até nos fins de semana e feriados as tarefas continuaram e os emails não pararam de surgir.

Quando tudo isto começou, escrevi um artigo intitulado Ou Começam A Respeitar O Horário De Descanso Ou Daqui A 1 Mês Estão Todos KO, infelizmente hoje estamos a assistir ao “KO” emocional de muitos alunos, professores e pais.

Sendo este um espaço onde os maioria dos leitores são professores, uma palavra para eles que não tiveram a habitual e tão necessária pausa na Páscoa. A adrenalina para dizer “presente” e ajudar as escolas/alunos veio trazer uma chama que há muito não se via no corpo docente, mas esse empenho, essa dedicação, teve um preço e agora a fatura está a ser cobrada a uma classe docente muito envelhecida.

Um alerta, este 3º período deve ser encarado como tal, o próximo ano letivo não pode funcionar nos mesmos moldes. A comunidade educativa não vai aguentar e as falhas vão ser mais evidentes. Julgo que as escolas, em particular os professores, focaram-se demasiado nos conteúdos, querendo casar o ensino presencial com o ensino à distância. Algo que nos alunos mais “velhos” tal pode ser possível, mas nos mais novos é muito complicado. Os professores terão de apostar cada vez em formas de trabalho “inteligentes”, por competências, onde por caminhos travessos se segue o caminho tradicional. Se este final de ano foi penoso, dando a sensação que foi bem mais que 2 meses e 1/2, o que dizer de 9 meses de escola num sistema misto como o que se está a preparar?

Reduzir, reduzir, reduzir! Se queremos terminar o próximo ano com alguma sanidade mental, urge reduzir as atuais aprendizagens essenciais e horas de trabalho, seja para alunos, professores e encarregados de educação que tão importantes foram nesta fase e merecem a devida vénia.

Faltam cerca de 3 meses para arrancar o ano letivo 2020/2021, parece muito, mas tendo em conta o que ainda falta saber, fazer, e as férias que todos merecem, é curto, muito curto.

Pensamento positivo, mas conscientes das dificuldades…

Alexandre Henriques

18 COMMENTS

  1. Muito bem. Eu que sou pai e professor mereço o quê? Como pai e como professor não ter direitos. Já se vêem os congelamentos e eu que não progrido desde 2009. Não tenho direito a subsídio porque estou em teletrabalho, embora saibam que isso me impede de apoiar a minha filha.
    É isto.

  2. Boa noite.
    Eu sou mãe, de três rapazes. 17, 15 e 6 anos. 3 ciclos diferentes. Divididos entre ensino público e privado.
    E… apesar de não ser professora, sou… Enfermeira!
    No meio de uma PANDEMIA!!
    Lamento, mas EU não me incluo neste texto. Portanto a primeira frase está logo errada.
    Não, não estou farta, nem sequer me passou pela cabeça, que as aulas já deviam ter terminado.
    Ou era suposto os miúdos ficarem com matéria em atraso, os do ensino básico, não saberem ler porque não terminaram as letras nem outros temas exigidos pelo programa e os do ensino secundário, não darem programa essencial para realizarem os exames nacionais e comprometer a entrada nas faculdades?? Enfim… Uma sucessão de lacunas na vida escolar dos nossos filhos para que os professores, que estão exaustos, pudessem atingir o merecido descanso. É isso?
    Mais. Eu e o meu marido (que por acaso é médico) temo nos dividido entre as nossas profissões e o apoio escolar aos nossos filhos.
    Não estamos em teletrabalho. Não temos férias nas várias interrupções lectivas (aliás, nem tivemos nenhum dia de férias, porque pertencemos a um grupo de trabalhadores, denominado de serviços essenciais). Não ganhamos o nosso salário por inteiro. Também não temos subsídios,. As nossas carreiras também estão congeladas, e… ainda somos professores dos nossos filhos. (E o Prof. Alexandre Henriques entenderá o que lhe escrevo).
    Os miúdos não têm pausas com os amigos? Óbvio. Chama se distanciamento social.
    Mas mesmo assim eles fazem as tais pausas… e até presenciais. Que, deixe me dizer lhe, concordo com as mesmas. Desde que cumpram a etiqueta respiratória, o devido distanciamento e higienizem as mãos com frequência.
    Actividades e actividades sem fim? Por favor!!
    Lamento discordar de si e dos que comentam o seu blog.
    Ainda há dias, uma colega sua se queixava, em pleno telejornal, que as despesas de electricidade tinham aumentado muito e que tinha levado a escola para dentro de casa… Enfim.
    Nem sequer comento estas afirmações.
    Mas realmente, estou um pouco saturada de ano após ano, ouvir sempre este tipo de discurso.

    • Compreendo a sua opinião e aceito, a partir do momento que toma como ponto de partida a sua situação profissional, perco qualquer tipo de argumentação. Tenho imenso respeito pelo seu trabalho e dos seus colegas, aproveito a oportunidade para lhe dar os parabéns. Vocês são os nossos heróis!

    • Não sei se será assim, relativamente a situação profissional se estivesse na linha da frente, a reação seria outra!!!!!!
      Tal como se queixam dos velhinhos abandonados nos hospitais, nada como despejar pela manhã os miúdos na escola, e esperar pela tarde para o regresso a casa.

  3. Mais cedo ainda? Pelo contrário, deveriam fazer como noutros países e se necessário fosse estariam a começar as aulas presenciais neste momento. Mas há que manter as férias de agosto neste país. Tristeza… Agora deveriam voltar à escola para tirar dúvidas e consolidar o trabalho feito. Sou mãe e professora, mas entendo que o tempo não é de relativizar e desprezar os nossos alunos. Vamos ter de conviver com isto! Com esta mentalidade que irão eles aprender nos próximos anos? Temos de nos adaptar e deixar de fazer de professores e alunos uns coitadinhos. As outras classes profissionais também não se podem dar ao luxo de acabar tão cedo! Este problema no ensino explica a grande falta de competividade do nosso país e dos nossos alunos. É sempre a nivelar por baixo e depois quando entram no mercado de trabalho estão muitíssimo mal preparados. E este ciclo não quebra. Ninguém questiona o enorme período de férias e depois queixam-se que é impossível cumprir o programa! Não vamos a lado nenhum e infelizmente ainda não será esta pandemia a mudar o paradigma do ensino neste país.

  4. Coitados dos professores que se ade dizer dos profissionais de saúde…. E de quem passou pela loucura nos supermercados pela ganância de querem levar tudo com medo que o mundo ia acabar…. Que dizer que chegava a passar 12 horas por dia para tentar repor nas prateleiras os alimentos para terem sempre a disposição, tendo um bebé de 10 meses… E uma filha de 11 anos… Que infelizmente deparei que paciência é o que falta aos professores que até em videochamada chegam a gritar.. A não respeitar os pais e os alunos pois mandavam os trabalhos e depois não era como mandavam…. Enfim se foi assim em videochamada imagino presencialmente… Vergonha e os pais receberem o ordenado mínimo, desdubrarem se quer em trabalho quer em ajudar,e os professores não terem noção de como falam com os alunos…. E dizem que recebem pouco????? Recebem e muito pela falta de respeito que mostram aos alunos… Se eu ao fim de 12 horas como fiz na pandemia viesse descarregar nos meus filhos ou no trabalho ia ser bonito. Por isso digo vergonha e gritar não ter paciencia para os alunos…. Vergonha e ainda se queixarem… Cansados????? Coitados…. E triste não terem sido gravadas as videochamadas pois o ministério da educação deveria ter conhecimento…

    • O seu comentário é lamentável. Respeite os professores! Aqui ninguém está a comparar com outras profissões, mas se quer mesmo ir por aí, quer comparar a sua vida e as suas queixas com os refugiados ou sem abrigo. Eu também sei jogar esse jogo…

      O texto fala em todos, professores, alunos e pais, não apenas nos professores!

  5. Sónia, uma andorinha não faz a primavera! Mas aqui só há a sua versão… não sei o motivo pelo qual o professor “gritou”, se assim se pode chamar pois, hoje em dia, infelizmente, chamar a atenção a um aluno é faltar-lhe ao respeito. Mas, ainda assim, tem bom remédio para a sua frustração e, passa a ganhar muito bem, de acordo com a sua opinião… ainda está muito a tempo de tirar uma licenciatura e ir para o ensino!!! Gostava de ouvir daqui a uns anos a sua opinião!

  6. E em cima de tudo isto, ESQUECERAM-SE de mencionar o dinheirão que se gasta em tinteiros e resmas de papel, que nem todos têm capacidade para suportar tais despesas… E o resto está tudo dito… E sim… Como encarregada de educação estou cansada, de chegar a casa, depois de um dia de trabalho exaustivo, ter que assistir a aulas, ajudar o meu filho a fazer as tarefas, enviar à professora, que está com o triplo do trabalho…e a culpa não é deste bem daquele… Simplesmente não estávamos preparados para esta nova realidade

  7. Se alguma coisa positiva se ganhou com o ensino à distância, foi testar os nossos alunos quanto à sua organização e autonomia no trabalho solicitado. Lamento se há situações de professores aos gritos. Desconheço esse tipo de atitudes. Recordo que somos milhares de professores que sofreram de bastante ansiedade por ser atirados para uma plataforma de trabalho sem formação prévia. Foi o meu caso, mas correu bem. Finalmente vão terminar os meus serões, de correção de atividades recebidas, até às 2 da manhã porque durante o dia tenho de dar assistência aos filhos enquanto professora, mãe e dona de casa. Tenho saudades dos meus alunos e mostro- me sempre disponível para comunicar com eles. Concordo que o próximo ano letivo terá de funcionar de modo diferente e acrescento, exigir que os alunos se mostrem na plataforma. Olhos nos olhos comunicamos melhor. Não há nada mais desmotiva te do que dar aulas sem ver as caras dos alunos.

  8. Os cursos para professores e para profissionais de saúde estão abertos a todos. Concorram! Gostaria de saber que área seria mais concorrida… PS: sou mãe de três filhos, se é que isso importa para alguém… Os pais, professores, profissionais de saúde que agora se queixam, são os mesmos que se queixavam antes e vão ser queixosos toda a vida… Queremos o quê: profissionais de saúde e de educação exautos e envelhecidos a fazerem mais do que fizerem? Tirem o curso (de professor ou de profissional de saúde), e, só depois de, pelo menos uns quinze anos de exercício da profissão, opinem … Já agora há enfermeiros/médicos e professores/educadores que ficaram em caça a cuidar (e fizeram bem), mas que, nas redes sociais vêm dizer que estão cansados… Sinceramente… É ainda agradecem os elogios. Enfim… Quem era azedo, com o Covid, amargou. É lamentável confrontar profissões: todas são importantes e, de facto, ninguém estava preparado para este terrível cenário… Cuidemos uns dos outros, em vez de estarmos a apontar isto ou aquilo que está menos bem. Sejam felizes!

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