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Foi Assim – Pai é pai

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Infelizmente uma realidade demasiado presente…

Pai é pai

homer-dohPrecisava de falar com o pai do Daniel. Este “novo” aluno foi transferido para a nossa escola e usufruía de um Currículo Específico Individual. O seu processo individual era demasiado “vago” e ausente de qualquer relatório médico e psicológico.

A professora titular de turma e a minha colega de educação especial já não sabiam mais o que fazer. O Daniel, dotado de uma estrutura pequena e franzina, comportava em si uma agressividade de tal forma violenta que chegou a agredir colegas, uma auxiliar da ação educativa e a própria professora!

Estes “casos” existem! O pai recusava-se ir à escola! Todos as semanas era convocado e simplesmente não vinha! Um dia finalmente apareceu! Falei-lhe das características do seu filho! Para meu espanto, riu-se e disse-me:

– Faz ele muito bem! Ele tem de defender-se! Tem de aprender a ser um homem! Eu era assim da idade dele e ainda sou porque comigo ninguém brinca! Eu na escola partia tudo, levei muitas reguadas e estou aqui.

No meio do seu discurso, os palavrões eram mais do que as palavras.

– Mas olhe Professora, se ele a ofender dê-lhe “porrada” para cima tem a minha autorização! Não lhe faz mal nenhum! Mimos é que não!

O leitor pode concluir o “resto da conversa”. Aquele pai orgulhava-se da expressão “Tal pai, tal filho!”.

Pois e agora? Falei com a minha colega e fiquei eu a intervencionar o Daniel!

No dia seguinte, lá apareceu o miúdo! Ao ver-me… desatou a correr na sala à volta da mesa! Respirei fundo e deixei-o correr. Ao deparar-se com a minha indiferença, parou.Durante muito tempo foi assim. Tão depressa se empenhava nas aprendizagens como fugia da sala, destruía materiais e era muito agressivo!

Uma vez por semana, faço uma aula de relaxamento com os meus meninos especiais. O Daniel inicialmente “boicotava” aquele momento. Mas, aos poucos lá se foi adaptando e consegui, pacientemente, que ele colaborasse.

Um dia, chegou e disse-me:
– Hoje estou nervoso, quero relaxar!

E lá fomos os dois. Só os dois. Aproveitei o “momento” e disse-lhe o quanto gostava dele e o quanto estava orgulhosa por estar a evoluir! E no meio daquele ambiente, lá me foi dizendo que quando fazia asneiras em casa, o pai o fechava na cave de castigo! Fiquei esclarecida!

E mais uma vez, não tive dúvidas… sabia que tinha de ir pelos afetos, para “transformar” aquela criança rebelde numa criança educada e socialmente aceite.

A evolução do Daniel foi notória… no final do ano já não parecia o mesmo menino. Mas até quando? Será que durante as férias todo o nosso trabalho, empenho e dedicação foi “deitado por água abaixo”? Tenho algum receio, pois… em casa os “métodos” continuam os mesmos! Mas, pai é pai…

E quando as férias terminaram, ansiosa por ver o Daniel, fui informada que mais uma vez, o Daniel fora transferido.

Os pais mudaram de cidade… E agora Daniel? E agora? Outra escola… outra casa… outros amigos… E tu, meu querido?

Professora Manuela Cunha

Fonte: Educare

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