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Foi Assim – Apetece-me Chatear

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Foi assimHoje inauguro o espaço “Foi Assim”, um espaço onde toda a comunidade educativa pode partilhar situações de indisciplina que experienciaram.

Todos os que lidam com crianças/jovens e até mesmo com os pais, já viveram momentos do mais surreal que há. Episódios que nunca mais nos vamos esquecer e que a sociedade em geral não faz ideia da sua existência. Está na altura de denunciar essas situações! Estou cansado das teorias de pessoas que analisam a indisciplina sem terem conhecimento da realidade, sem nunca terem passado pela experiência. Chegou a hora de mostrar essa realidade e consciencializar quem de direito que assim não vamos lá.

O que vão ler aconteceu comigo, já lá vão uns aninhos. Aviso que o seu conteúdo tem linguagem imprópria.

Foi assim…

Apetece-me Chatear

O aluno chegou atrasado à aula, tendo entrado na mesma sem dar qualquer justificação pelo seu atraso. Ao aperceber-me da sua presença, chamei o aluno e comuniquei-lhe que teria falta de atraso, pois a justificação apresentada (ter ido a casa buscar os artigos de higiene para tomar banho) não seria aceite, pois quer o equipamento, quer os artigos de higiene devem ser preparados com a devida antecedência. Além disso, não era a primeira vez que o aluno chega atrasado à aula. Ao ter conhecimento da minha decisão, o aluno disse-me “então vou-me embora” acrescentando “desculpe lá, mas isso é uma estupidez”, saindo de imediato da aula. No momento em que íamos começar a avaliação de ginástica de solo, verifico que o aluno, tinha voltado a entrar na aula, novamente sem dar qualquer satisfação, deitando-se de seguida nos colchões com o telemóvel junto à orelha. De imediato disse ao aluno “se quer estar presente na aula não pode estar ao telemóvel”, o aluno respondeu em tom provocatório, “mas eu já tenho falta”, ao que eu respondi “não é por ter falta que agora pode estar de telemóvel na aula”. O aluno ao tirar o telemóvel da orelha diz “ai o caralho!”, tendo eu respondido “olhe, não vou aceitar esse tipo de linguagem na minha aula, por isso a sua falta de atraso acabou de se transformar em falta disciplinar, por isso saia da minha aula faz favor”. O aluno manteve-se deitado não cumprindo com a ordem de abandono da sala de aula, nesse momento dirigi-me à turma dizendo-lhes “meninos, só vamos continuar a aula quando o vosso colega sair”. O aluno simplesmente encolheu os ombros, transmitindo-me através da sua linguagem corporal que não iria abandonar a aula. Aguardei cerca de um minuto para o aluno sair, como não saia, disse-lhe “sou teu professor, e como tal quem manda nesta aula sou eu, por isso se te estou a mandar sair, sais e sais agora!”, o aluno respondeu “eu não sou seu filho…” ao qual eu respondi “ por cada minuto que passar sem tu saíres, será mais um dia que passarás em casa…”, o aluno finalmente abandona dizendo com ar de gozo “ continue lá a dar a aula como bem entender”. Depois de ter saído, o aluno volta para trás e pede a um colega para lhe dar o casaco, enquanto recebia o casado profere a seguinte afirmação: “porco de merda”. Por ter dito num tom baixo, perguntei aos alunos se confirmavam a frase proferida, os alunos responderam afirmativamente.

É importante salientar que durante toda esta situação estive sempre sentado, dialogando com o aluno num tom perfeitamente normal, conforme podem comprovar os restantes alunos da turma.

7 COMMENTS

    • Infelizmente tem razão. No entanto importa lembrar que casos como estes são crimes públicos. Qualquer um pode apresentar queixa às entidades competentes. Caso a escola não atue, o visado pode sempre apresentar queixa da escola na DGAE.

  1. Muito bem…
    Já estive numa escola onde um rapaz empurrou um professor e atirou-o ao chão. 3 dias de suspensão!
    Ontem li alguns dos seus artigos porque acho que a indisciplina tem, cada vez mais, manipulado as minhas aulas, até ao ponto de já não me apetecer dar aulas!
    Cumprimentos

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