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Foi Assim – A Revolta

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revoltaDurante um jogo de voleibol, no âmbito da atividade interna, vários alunos desrespeitaram o material dando pontapés na bola com extrema violência. O seu objetivo era devolver a bola à equipa adversária, mas também acertar nos colegas quais “mecos” ali presentes. Naturalmente que essa atitude estava a colocar em risco a integridade física dos colegas e a danificar o material. Além disso, a postura evidenciada durante o jogo era um claro indicador de que iria haver problemas. Por essas razões comuniquei a ambas as equipas, que o próximo a tomar tal atitude seria penalizado com a atribuição de um ponto para a equipa adversária, norma que está prevista na própria modalidade.

O jogo estava prestes a terminar, uma vez que faltava exatamente um ponto para uma das equipas perder o jogo, quando um dos alunos decide pontapear novamente a bola ao enviá-la para a outra equipa. Como ambas as equipas já tinham sido avisadas cumpri com o prometido, o que originou a derrota dessa equipa. Mal o jogo terminou, um dos alunos começou a bater palmas e virou-se para mim dizendo por duas vezes: “Parabéns pela roubalheira”. Apesar dos alunos já terem conhecimento que tomaria tal decisão, tentei novamente explicar-lhes a mesma. O aluno virou-me as costas e dirigiu-se para os balneários. De seguida dois alunos dirigiram-se a mim, mostrando a sua indignação num tom bastante elevado e exaltado, dizendo que outros alunos já tinham pontapeado a bola e nada lhes tinha acontecido. Foi-lhes dito que “exatamente por outros alunos terem pontapeado a bola é que foram avisados e depois castigados”.

De modo a recolher os dados dos alunos para elaboração da participação disciplinar, dirigi-me ao balneário onde lhes pedi os seus nomes e números de turma. Os alunos, principalmente um deles, enquanto me dava os dados, gozava com a minha pessoa, rindo-se constantemente. Um dos alunos inclusivamente incentivou o colega a dar-me não só os dados que tinha solicitado mas outros, tais como o bilhete de identidade e o grupo sanguíneo. A palavra utilizada, “dá-lhe”, revela claramente a falta de respeito para com a entidade professor. Por sentir que esta situação estava a ultrapassar todos os limites, impedi-os de abandonar o pavilhão questionando-os se não sabia que estava a falar com um professor e se era algum dos seus colegas para falarem nesses termos. Um dos alunos manteve o riso provocatório, dizendo-me apenas que tinha de ir para a explicação e por isso tinha de ir embora.

De seguida, dirigi-me para o interior do pavilhão e apesar de o jogo já ter terminado, verifico que o mesmo aluno que tinha pontapeado a bola no final do jogo tinha voltado para o pavilhão, chutando novamente a bola com toda a violência para o público que estava a assistir ao jogo. Gritei para que parasse com o que estava a fazer, mas sem efeito. Antes que ele voltasse a reincidir e prevendo que alguém iria ser atingido pela bola, agarrei o aluno. Ao fazê-lo, este faz um movimento para a frente e a camisola que trazia rasga-se. Prontamente, o aluno virou-se para mim a dizer que teria de pagar-lhe a camisola, eu respondi-lhe que tal aconteceu por este não ter acatado a minha ordem.

Posteriormente, quando o aluno se dirigia para o balneário, apontou na minha direção e tocou nele próprio e logo depois apontou para o exterior do pavilhão. Este gesto, que é reconhecido como um gesto de ameaça, desafia o visado para uma resolução física do assunto no exterior. Dirigi-me ao aluno e transmiti-lhe que não tinha medo dele, questionando-o se ele tinha mais alguma coisa para me dizer. O aluno permaneceu em silêncio.

Reflexão:

Agora que já passaram alguns anos deste “belo” episódio, dou os parabéns à minha pessoa por ter conseguido não “partir” a cara a nenhum dos “prodígios”…

A esta distância é fácil perceber o que despoletou toda esta situação. Em primeiro lugar, o facto de ser um professor recém-chegado, em que a minha conduta não era conhecida pelos alunos. Não tinha reputação e a reputação numa escola vale muito para alunos mas também para professores… Além disso a escola tinha grandes problemas disciplinares, fruto de uma orfandade diretiva a esse nível. Era cada um por si e salve-se quem puder e quando assim é, os alunos comportam-se como adolescentes em que os pais foram passar o fim de semana fora ficando com a casa só para eles.

Foi assim…

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