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O que Fizeste hoje na escola?

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O que fizeste hoje na escola, filho?

Fotolia_37719692_XSNada de especial. De manhã fiz a apresentação de produções (os alunos comunicam aos colegas uma novidade e, uma produção, uma descoberta que tenham feito em casa. Falam para a turma, apresentam a sua produção, explicam o conteúdo, colocam desafios aos colegas, demonstram, ilustram), depois estive a fazer e avaliar o meu Plano Individual de Trabalho com o meu colega (os alunos refletem sobre as suas aprendizagens, avaliam os seus conhecimentos e competências, envolvem-se em reflexões com o colega, relacionam conceitos, comprometem-se a melhorar competências, negociam formas de trabalhar, colaboram com o seu par de tutoria, responsabilizam-se pela sua própria aprendizagem, desafiam-se a atingir novos patamares de aprendizagem, associam conceitos, participam em discussões entre pares e com o professor, reconhecem as suas limitações, ouvem críticas e elogios ao seu trabalho, partilham reflexões). Ainda tive tempo para trabalhar no projeto com o meu grupo de trabalho (os alunos aprendem a pesquisar informação para dar resposta a questões que tenham sobre tópicos do seu interesse, analisam e selecionam a informação pertinente, decidem como organizar a informação, interpretam e rescrever a informação por palavras suas, constroem conteúdos, preparam uma apresentação para comunicar à turma o resultado das suas aprendizagens). À tarde estive a falar com os correspondentes pelo skype (aprendem a usar tecnologias, usar línguas estrangeiras, trabalhar colaborativamente, trabalhar globalmente, falar, partilhar, empreender, criar, executar, refletir, arriscar, inovar, expressar). Como acabei mais cedo ainda ajudei o Tomé com uma dúvida de matemática (momento de trabalhar em tutoria, rever o que sabe e reformular para ensinar, cuidar, viver, emocionar, amar, libertar, apoiar, questionar, empatizar, solidarizar). À tarde trabalhámos com uma aplicação sobre o sistema solar no iPad (momento que permite a ampliação do conceito de espaço de aprendizagem, extensão das aprendizagens, inovação dos processos e produtos). Como hoje é dia de Conselho de Turma, discutimos umas regras da sala (os alunos fazem uma reflexão sobre os seus comportamentos e uma análise crítica das vivências do grupo-turma, aprendem a articular as suas vontades com as dos outros, aprendem a analisar, resumir, compreender e a moderar os conflitos sociais, a controlar impulsos, a liderar estratégias, a aceitar a liderança dos outros, a persistir na resolução de um problema, a desenvolver compreensão e empatia pelo outro, reformular estratégias que não estão a dar os resultados esperados, a compreender o ponto de vista do outro, a reconciliar, a alternar, a discutir, a defender pontos de vista). Só isso.

Credo, não percebo a escola de hoje, passam o dia a brincar! E cópias? Não fazem cópias?

Não… Acho que não podemos… é plágio, não é?

Esta é uma história real. O ambiente de aprendizagem aqui retratado é possível e está presente em muitas escolas portuguesas, públicas e privadas. Encontra resistências de ambos os lados – se é que existem “lados” na educação. Os professores das escolas públicas encontram dificuldades em compreender como podem operacionalizar a utilização das tecnologias. Digo-vos que muitos agrupamentos ou escolas já o fazem, com sucesso, e que existe uma equipa no Ministério da Educação atenta a estes processos. Quiseram, procuraram, encontraram um meio. Os professores das escolas privadas dirão que ensinar segundo este modelo – aqui retrato o Movimento da Escola Moderna – não é aceite por diretores de muitas escolas que estão excessivamente preocupados com as notas dos exames. Sei que é verdade, infelizmente muitos colegas diretores estão mais preocupados com esta forma de visibilidade imediata da escola, baseada num fictício padrão de qualidade, do que com a formação duradoura dos alunos. Mas também conheço muitos e bons casos de professores que souberam mostrar o valor dos seus argumentos e demonstrar que este método de ensino não prejudica em nada esse objetivo, antes contribui e concorre para a sua obtenção.

É possível. Há quem faça. Com muito bons resultados.

Sofia Homem Cristo

Diretora do Colégio da Beloura

colégio da beloura

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