Home Notícias Financiamento do Ensino Superior ou uns € das propinas

Financiamento do Ensino Superior ou uns € das propinas

185
0

propinasO financiamento do Ensino Superior é uma área onde um longo caminho necessita de ser percorrido por forma a otimizar recursos e equilibrar as finanças das instituições, não podemos fechar os olhos à realidade. Só se conseguirá um Ensino Superior em condições de competir no mercado mundial quando estabilizarmos e permitirmos o fluxo financeiro às instituições por períodos de tempo que lhes permita desenvolver projetos de médio e longo prazo.

No entanto, promover uma corelação direta do valor das propinas com o financiamento das universidades é criar um patamar de partida para a discussão do problema que condiciona toda a análise e todas as conclusões.

Perante este cenário, somos confrontados com a dura realidade de que cortar ou congelar propinas significa desinvestir no sistema universitário e significa privar as instituições de ensino superior de verbas que serviriam para melhorar os serviços prestados.

Assim sendo, torna-se fácil concluir que não podemos congelar ou reduzir o valor das propinas. Na verdade, este deveria ser atualizado, no mínimo, no valor da inflação para não se traduzir numa descapitalização real das Universidades e Politécnicos.

Mas, como referi anteriormente, esta é uma visão que parte de um patamar de discussão desequilibrado.

A principal razão da existência do Ensino Superior, no meu entender, não é o seu financiamento, mas qualificar a população. É permitir que todos nós, que passamos longos anos das nossas vidas na escola, ganhemos ferramentas científicas e profissionais especializadas que nos permitam encarar de frente os desafios, resolve-los e produzir mais-valias para a sociedade que nos envolve. Preparar-nos para fazermos parte de um país evoluído e com uma economia assente na mão-de-obra especializada.

Desta forma, é necessário criar as condições que permitam que todos os que desejam tirar uma licenciatura e continuar a estudar o possam fazer, não se sentindo impedidos por razões económicas de dar tal passo.

Permitir que as Universidades e Politécnicos aumentem as propinas sem olhar para o contexto, com o argumento de conseguirem fazer face aos seus balancetes e aos seus desequilíbrios financeiros, é excluir alunos que têm o desejo de continuar estudos e não o conseguem fazer. É permitir que o Ensino Superior volte a ser uma prerrogativa de apenas alguns.

Todos temos conhecimento de casos de alunos que ou não se candidataram ou abandonaram os estudos por não terem condições financeiras. Num país que tem um índice de qualificações e uma taxa de licenciados muito abaixo da média europeia, dificultar o acesso ao Ensino Superior por razões económicas seria um erro estratégico que afastaria o país do caminho da convergência com os seus congéneres.

Devemos preocuparmo-nos com o financiamento do ensino superior? Claro… mas temos também de garantir o acesso ao Ensino Superior por parte de todos os que desejem continuar a estudar. Aliás… mais alunos significa mais financiamento, sem aumentar as propinas. Significa também mais conhecimento e melhores condições para encarar o futuro.

Será que se recuperarmos e estabilizarmos o orçamento do Ensino Superior, em níveis onde já esteve, não estamos a promover maior capacidade financeira às instituições? Será que devemos continuar sem investir verdadeiramente no futuro do país?

Consulte aqui o artigo:

Governo diz que eventual compensação por congelamento de propinas é «secundário»

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here