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Final

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2018/19 está quase terminado. Sinto um vazio imenso, uma frustração que dói, um lamento inexplicável. A justiça não se fez e uns são mais filhos que outros. 942 seria o direito de todos, mas assim não aconteceu. Mas sei que fiz aquilo que melhor sei fazer e gosto. Esvaziei-me em prol dos alunos que, à vez, entravam e saíam da minha sala. Eles sabem que sim. É a eles que confio sem nenhum complexo, a minha avaliação. Sei que entretanto serei pseudo-avaliada, e será por esta que me identificará o sistema, mas não é dessa que estou à espera. A outra fará de mim o que sou realmente, não no sistema, mas na sociedade, na vida, em cada um daqueles que bafejei de palavras, de sorrisos, de saberes, de alma e coração.

Esses serão os arautos da verdade inatingível para aqueles que perderam o rumo da verdade, da honra, da nobreza de espírito e carácter. Na escola começa o grande circo dos papéis que tolda a visão, que escurece o semblante e confunde toda a sensatez de ser professor. É hora de vestir a personagem e continuo sem representar bem o papel. Não sou de palhaçadas nem sou do politicamente correto. Não gosto de encher balões nem de fazer que faço. Por isso, esta é para mim a pior altura do ano. Sobrolhos franzidos, olhares vazios, vozes ríspidas, cumprimentos fugidios e conversas ocas descrevem o desprazer de todos nesta inútil tarefa a que chamam avaliação dos professores.

Maria do Rosário

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