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“A filosofia da escola é apostar numa preparação enorme para os exames nacionais”. Ai é?

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Não sou eu que o digo, é Adelino Pinto, Diretor da Secundária Alves Martins, uma escola onde os alunos têm excelentes resultados nos exames.

A filosofia da escola é apostar “desde o 10.º ano” numa “preparação enorme” para os exames nacionais. “O que eles aprendem em termos de valores e de conhecimento é muito bonito, mas o mais importante é que usem o secundário para chegar ao curso superior que querem. E nós orgulhamo–nos de os ajudar a chegar lá.” Mais de 80% dos alunos seguem para o ensino superior.

O Sr. Diretor tem toda a razão, mas não devia ter orgulho nisso, infelizmente a escola é cada vez mais uma fábrica de resultados, onde o que interessa é entrar para o Ensino Superior e ficar bem nos rankings. Esta obsessão com os exames começa logo no 1º ciclo e continua até ao secundário. Alguns colegas e não só, ficaram chateados quando disse que este ano muitas escolas colocaram as Expressões no mapa só porque havia prova de aferição e que rapidamente as esqueceram após a realização das ditas, como também é verdade que alguns professores preferem não lecionar anos terminais de ciclo, exatamente para fugir às pressões dos exames.

Tudo gira à volta dos exames, TUDO, desde os testes, aos apoios, à importância das disciplinas, às metas, aos currículos, aos rankings, ao crédito escolar, inclusive ao calendário escolar, onde os alunos do 9º/11º/12º ano terminam uma semana antes dos restantes colegas e 15 dias antes do 1º ciclo e pré-escolar.

Tendo em conta que esses 90 ou 120 minutos, são uma parte ínfima de meses de trabalho, devem os exames ter assim tanto destaque? Deve a escola afunilar todas as suas energias e estratégias para esse momento? Precisará a escola de um “nivelador” externo?

Não deve a escola compreender os desafios atuais e preparar os seus alunos para tal? Não deve a escola alargar horizontes e criar as bases para um sucesso profissional e pessoal? 

Valores, competências laborais, competências sociais, adaptação à adversidade, tecnologia, estilos de vida saudáveis, deve a escola simplesmente ignorar o século XXI?

P.S – já agora… para uma primeira página de um jornal com tiragem nacional, não fica lá muito bem aparecerem dois jovens com os pés no sítio onde normalmente se encostam as cabeças. É que a excelência não se vê apenas na pauta…

Nesta escola mais de 30 entram em Medicina, mas há alunos de topo em todas as áreas

(Ana Bela Ferreira – DN)

12 COMMENTS

  1. Esta escola é procurada por quem tem expectativas elevadas relativamente ao futuro percurso universitário e, depois, profissional.
    Assim, a escola está a dar resposta aos quesitos que a comunidade lhe coloca.
    Ora, estando o acesso ao Superior ligado às classificações do secundário com grande peso das dos exames, muito bem faz a escola.

    Quanto aos pés dos alunos…
    Imaginemos que se estavam a beijar…
    Quem se atreveria a arrostar com as Catarinas?

  2. Estou farto de ver esta notícia todos os anos.A Alves Martins, a alves martins, a alves martins….
    É preciso perceber as causas do insucesso ou do sucesso desta escola de uma vez por todas.
    Os alunos são “escolhidos”, ou seja os critérios nesta escola são em parte subjetivos, não é por alguma coisa que a maioria dos alunos são filhos de pessoas que elevados níveis de instrução e classificação.Isto explica o enorme número de explicações a que estes tem acesso fora da escola, a preços exurbitantes.
    E por fim não brinquemos, existe uma enorme discrepância entre a classificação interna e a classificação aferida nos exames finais, tirem as vossas próprias conclusões.
    PS:O sucesso de uma escola não se vê pelo número de alunos que entram para Medicina…
    Afinal de contas turmas de cientificos nesta escola não faltam….

    • Só para clarificar tantas certezas, importa-se de indicar, já que estes dados são públicos.
      Qual a discrepância média entre as notas de exame e as notas internas?
      Qual a discrepância nas diferentes disciplinas?
      No conjunto das escolas do país, essa diferença está acima ou abaixo da média?
      Seria conveniente que antes de atirar “bitaites” se informasse devidamente.
      Há uma outra relação que objetivamente me ultrapassa. O que tem essa tal pretensa escolha de alunos com a subjetividade de critérios? Já agora critérios de quê?

  3. Concordo com quase tudo o que é aqui dito.

    Agora “já agora… para uma primeira página de um jornal com tiragem nacional, não fica lá muito bem aparecerem dois jovens com os pés no sítio onde normalmente se encostam as cabeças. É que a excelência não se vê apenas na pauta…”

    Por amor de deus. Não seja ridiculo.

    • É uma questão de educação, não se trata de ridículo. Se concorda com a postura, tudo bem, eu não concordo e tenho direito a exprimir a minha opinião ou não tenho?

  4. Esta crítica escrita por Alexandre Henriques denota um caráter do autor como um atacante impulsivo, uma mentalidade que observa a realidade como um mundo inundado em ecstasy , completamente surreal e ainda um espírito que mostra algum desagrado como se fosse alvo uma injustiça qualquer, que não é o caso. O sonho comanda a vida e não há como o negar : continue a ser ambicioso.Nada a criticar.
    Contudo, quando afirma que “muitas escolas colocaram as Expressões no mapa só porque calhava na prova de aferição e depois rapidamente se esqueceram das ditas” , cabe-me dizer que a responsabilidade pelo aprendizado do aluno é INDIVIDUAL: o único papel do professor é estimular o aluno da importância da educação e orientá-lo no sentido de aprender e NUNCA forçá-lo a aprender para a vida nem ensinar-lhe o que quer que seja a menos que seja abordado. A função do professor e da escola não é ensinar o aluno a matéria que é lecionada , é ensinar o aluno a orientar-se de modo a que possa ele próprio autonomamente aprender porque a aprendizagem é feita PELO ALUNO e NÃO PELO PROFESSOR OU ESCOLA.
    Se se continuar com o princípio da proposição contrária à que expus em maiúsculas , o resultado final é fácil de prever : teremos miúdos incapazes, intelecto pouco estimulado e incapacidade de narrar ou contar histórias tal como já se verifica atualmente e cada vez se tornará pior. Desde que se começou a dar menos valor à função e mais valor à credibilidade e ao carisma que o intelecto de Portugal continua atrasado a outros países nórdicos e europeus cerca de 80 anos.
    Para além disso , se Alexandre Henriques frequenta ou frequentou algum tipo de ensino superior , tenho indubitavelmente a noção que também “aprendeu levemente” alguns conceitos só para “se safar” mas eu não vou entrar por este caminho. Apenas quero dizer que o OBJETIVO da EDUCAÇÃO independentemente do nível não é ensinar o aluno a saber tudo mas sim ensiná-lo a orientar-se e raciocinar com aquilo que sabe , pois só assim irá vencer na vida.

    • LGA, prefiro falar com alguém pelo nome mas pronto.
      O que está a dizer está muito longe da realidade escolar, mas mesmo muito longe. Não sei se é professor, se exerce, se tirou algum tipo de ensino superior, mas nos meus 15 anos de docência afirmo convictamente que a escola não é esse mundo cor de rosa que descreve. E digo-lhe mais, não discordo do que diz, só tenho pena é que não existe.

      E será possível termos uma discussão salutar sem comentários depreciativos à minha pessoa ou ao meu caráter?

  5. Não conheço a citada escola, nem sou de Viseu, mas apostava um ”docinho” que tanta excelência resulta do estrato sócioeconómico de quem a que a frequenta o resto é fogacho mediático… Sem conhecer a escola, nem sequer a oferta educativa da cidade de Viseu, era capaz de apostar, de novo, que existe algures, por ai, um agrupamento para os ”pobrezinhos” . É bom, muito bom mesmo, que a Escola Pública forme bem os alunos… Agora porque é Pública não tem de estar ao serviço de uma minoria que corre com os seus filhos para uma vaga de Medicina ou criar mecanismos de segregação, por exemplo o ensino profissional, para criar turmas de nível e de origem social… Para não falar daquelas ”turminhas” especiais de maus alunos, que existem nalguns agrupamentos, juntinhos, com o argumento de que é para reforçar o apoio educativo…
    Aguardo o dia em que alguns desses diretores, cheios de excelência, que saiam das Alves Martins deste país e que comecem a formar catadupas de aspirantes a médicos nalguns agrupamentos periféricos de de Lisboa e do Porto! Aliás é uma legislação que gostava de ver aprovada: os meritocráticos para as zonas onde há mais problemas… Há que espalhar a excelência pelo povo!
    Quantos aos conhecimentos, e ao deslumbramento do Alexandre Henriques em relação às tecnologias, não estaremos de acordo mas, sem duvida, que ” a excelência não se vê apenas na pauta”!

    • Subscrevo e aceito a discórdia. Mas não penses que defendo a tecnologia em todo o lado, defendo sim o fim ao preconceito.

  6. O tema dos EXAMES faz tempo que começou a cheirar a “fraldas do dia anterior”… no caso, uma infinidade de dias anteriores. Mistura-se tudo! Ataca-se tudo e todos! Os argumentos utilizados vão desde o deplorável ao inenarrável! Sempre por estas alturas do ano… depois vêm os banhos, as cervejolas e o tremoço/camarão (riscar o que menos lhe convém ao bolso!) e tudo fica esquecido e perdoado. Até à próxima época. Faz lembrar um outro assunto, muito triste, com que somos confrontados todos os anos na pré-temporada estival… e a propósito desse assunto, lá vem a mesma torrente de lamentos, insultos, passa-culpas e de ideias de génio e da “pólvora”.
    O problema está na existência de PROVAS DE EXAME ou na parafernália de assuntos e assuntinhos que surgem à volta dos mesmos, quase em jeito de geração espontânea? Se não fazem sentido, então que se acabe imediatamente com eles. TODOS! Mesmo os que se fazem nas Universidades! Não me digam que não temos maioria política para isso?! Se vemos mérito na realização deste tipo de provas, então vamos criar as melhores condições possíveis para que os alunos as possam realizar – não tenhamos medo de o dizer – com SUCESSO.
    PS: Jovens com os pés no sítio onde normalmente se encostam as cabeças?! Então?! Isso hoje em dia é do mais normal. Como diria o RAP, isso é “segunda-feira”!

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