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E quando o meu filho diz “A escola é uma seca!”?

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Com o início de um novo ano letivo carregado de novidades e expectativas vem também, nalguns casos, o drama da motivação para a escola. Voltam a ouvir-se frases como “É uma seca” ou “Não gosto da escola!”.

Então o que fazer para que este tipo de frases não seja uma constante na boca do seu filho?

– Primeiro tente perceber do que realmente o seu filho não gosta. Não gosta ou não entende a matéria? Fica sem tempo para brincar devido ao número de atividades e tarefas que tem para fazer? A forma como as aulas são dadas aborrece-o? Escute o que ele tem para lhe dizer e, juntos, pensem num plano para resolver esses aspetos.

– Fale com ele sobre a importância de aprender. Mas lembre-se que frases como “Para teres um futuro melhor” ou “Para teres um bom emprego” não são muito eficazes. O futuro está muito longe, as crianças precisam entender no que é que aprender as vai ajudar agora. Use exemplos do dia-a-dia da criança e coisas de que ela goste, diga-lhe, por exemplo, que se conseguir ler melhor vai conseguir acompanhar melhor as legendas dos desenhos animados de que mais gosta.

– Partilhe com ele as suas experiências positivas de quando andava na escola. Evite frases como “Devias ter vivido no meu tempo, levávamos umas belas reguadas e não nos queixávamos”, pois isso alimenta a imagem negativa que tem da escola.

– Estabeleça horários para estudar, mas não esqueça o tempo para brincar. Construa este horário com o seu filho e tentem encontrar um verdadeiro equilíbrio.

– Se a criança não entende determinada matéria, procure ajudá-la com objetos e materiais apelativos. Porque não explicar as frações usando uma tablete de chocolate em que no fim a criança pode comer 1/8 de chocolate?

– Seja criativo. Faça teatros, experiências, ensine músicas… A imaginação é limite para ajudar o seu filho a compreender e a gostar da matéria.

– Oriente o seu filho sobre onde ele pode procurar informação, como pode estudar, partilhe com ele como costumava estudar. Na escola aprende-se muita coisa, mas nem sempre se aprender como estudar.

– Leve o seu filho a museus e a outros espaços com opções interativas onde ele possa aprender de forma divertida.

– Se não souber ajudar o seu filho, fale com os professores, eles são um importante suporte.

– Se ele tem dificuldades, oriente, não faça por ele. Se acha que não o consegue fazer procure a ajuda de técnicos especializados.

 

Cátia Teixeira

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia

1 COMMENT

  1. Nuccio Ordine, autor do livro A inutilidade do inútil, sobre a educação escolar que temos e que teremos.

    Em entrevista recente ao jornal Folha de São Paulo:

    “O que escrevi é também uma crítica à pedagogia moderna que quer ensinar os jovens através do jogo, da superficialidade sem esforço. É um erro enorme, o saber não é um dom, é uma conquista quotidiana que é preciso fazer.”
    “Hoje infelizmente as escolas e as universidades tornaram-se empresas, que vendem diplomas, e os alunos clientes, que compram diplomas; nessa perspectiva, nesse espírito de comércio, as ideias de cultura, de conhecimento e de educação são destruídas.”
    “Há uma estupidez enorme nas reformas que estão a ser feitas em países da Europa, segundo a ideia de que a escola moderna deve ser conectada com a internet em todo o lado e que o estudante tenha um tablet ou um computador diante de si. Isso é uma estupidez enorme. A escola moderna não é a conexão, a tecnologia mas a escola com bons professores porque eles geram bons alunos.”
    E no mencionado livro, na segunda parte, páginas 101 e seguintes:
    “… trata-se de uma revolução copernicana que nos próximos anos mudará radicalmente o papel dos professores e a qualidade do ensino.
    Quase todos os países europeus parecem estar orientados para uma redução dos níveis de dificuldade a fim de permitir que os estudantes passem nos exames com maior facilidade, na tentativa (ilusória) de resolver o problema daqueles que não acompanham regularmente os cursos.
    Para diplomar os estudantes no tempo exigido pela lei e para tornar a aprendizagem mais «agradável» não se exigem esforços adicionais mas ao contrário, procura-se seduzir os estudantes com a perversa redução progressiva dos programas e com a transformação das aulas num jogo interactivo superficial, baseado em projecções em power point e na aplicação de questionários de escolha múltipla.”
    Retirado, com a devida reverência do blogue ”De Rerum Natura”

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