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FERLAP – “A Escola não é dos Professores” | E eu digo que a FERLAP precisa de confiar mais nos professores…

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A Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais emitiu um comunicado muito crítico à opinião dos que defendem que os professores devem ter um peso superior na eleição do diretor, a crítica assenta-me como uma luva e aceito-a com toda a naturalidade. Por isso, também espero que aceitem a defesa deste professor que por acaso também é pai há 8 anos…

“O órgão de gestão deve ser eleito: por todos os professores/educadores, funcionários e representantes dos encarregados de educação e alunos.” Não conseguimos entender onde se encontra a Democracia quando: votam todos os Docentes/Educadores, Funcionários (entendemos por tal os não Docentes) e os representantes dos Encarregados de Educação e dos Alunos. Estamos a falar de que tipo de proporção? De que tipo de Democracia?

Se optarmos por um regime de democracia pura, onde alunos, professores, pais e funcionários representem 1 voto, teríamos uma proporcionalidade muito inclinada… Numa escola com 2000 alunos, temos 2000 pais, uns 150 professores e uns 50 funcionários. Se a FERLAP alega a questão da proporção, também eu a posso alegar e perguntar se a escola é só dos pais e dos alunos?

Aliás, se a escola é uma entidade pública, por que não convidar também todos os munícipes a eleger o diretor do agrupamento?

Aceito, embora como mal menor, que a “coisa” seja partida a meio, mas nunca concordarei que alunos de 1º, 2º e 3º ciclo sejam convidados a votar em algo que não compreendem.

é bom não esquecer que os Professores são contratados para executarem um serviço, ministrar educação (sabemos que o termo é lato e não será este o local para o discutir) aos Alunos.

Ou seja, por palavras que todos entendem, os “empregados” não podem ser “patrões” de si próprios.

Esta foi a parte que mais me custou, acho tremendamente injusta a acusação. Muitos professores foram vítimas de excessos de quem os lidera e são os próprios professores a querer uma mudança no modelo de gestão e na figura do diretor. E se vamos ser encarados como meros funcionários, então se calhar está na hora de começarmos a comportar-nos como tal… acabe-se com o professor que trabalha fora de horas, acabe-se com o professor que faz de psicólogo, acabe-se com o professor assistente social, acabe-se com o professor mediador de conflitos, acabe-se com o professor que apoia os pais na relação com os seus educandos, acabe-se com o professor que anda atrás dos pais para virem justificar faltas dos seus filhos para não chumbar o ano, acabe-se com o professor que veste a camisola da sua escola e que a coloca muitas vezes à frente de tudo.

Lamento que a FERLAP não confie mais nos professores, e se confia, não foi muito feliz neste comunicado. Os professores são os especialistas em educação e devem assumir toda a responsabilidade desta afirmação, para o bem e para o mal. São estes que dão a cara por ela e que levam na cara por ela… são estes que conhecem os projetos educativos, as pedagogias, os modelos de ensino, as estratégias de sala de aula e têm sido estes os fantoches dos constantes desvarios da Tutela…

Se a escola fosse uma empresa, faria sentido que os seus clientes ou responsáveis por estes, indicassem quem a deve comandar? Exija-se qualidade, sim, exija-se competência, naturalmente, mas não cabe a quem está fora ou a quem recebe o serviço, dizer como e quem deve liderar a “empresa”.

Os pais são fundamentais e já têm competências importantíssimas a cumprir, devem ter uma palavra, mas não podem ser “A Palavra”. Os pais nunca serão professores como os professores nunca serão pais, mas se for essa a ambição também podem ter o título de professores, mas o das boas maneiras… E tanta falta fazem…

Confiem nos professores! Valorizem os professores! Acreditem nos professores! O nosso principal objetivo é o sucesso dos alunos e já demos provas suficientes da nossa dedicação e do nosso amor à camisola!

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9 COMMENTS

  1. É evidente que estes pais têm razão. A chamada gestão democrática das escolas, de democrático sempre teve pouco. Não conheço nenhum processo democrático, onde os direitos consignados a cada cidadãos variam consoante o seu vínculo profissional.
    Aliás, nem percebo como se aceita que um professor que nem os filhos tem na rede pública (bastante frequente nas grandes zonas urbanas), ou seja sem interesses nela, além dos profissionais, tenha mais peso na escolha dos dirigentes da escola de que uma pai com vários filhos na mesma rede.
    E que voto será mais consciente: o proveniente de pais atentos, que até substituem o estado nas suas insuficiências (com obras na escolas, custeio de materiais de desgaste…) ou o de um professor ou funcionário negligente?

    Democracia nas escolas: sim!. Um cidadão, um voto!

    Refere o Alexandre, “Aliás, se a escola é uma entidade pública, por que não convidar também todos os munícipes a eleger o diretor do agrupamento?”, faz todo o sentido. Tal como se elegem os autarcas locais, também se poderiam eleger os diretores locais.

      • Olha que nos centros de saúde integram o chamado “conselho da comunidade”. Mas tanto administradores hospitalares como diretores de centros de saúde são nomeados pelo ministério da saúde. Não é o caso das escolas.

        • Mas os utentes não elegem ninguém, usufruem do serviço. O motivo pelo qual não elegem é porque não entendem do assunto. Mas na educação toda a gente sabe de pedagogia e de didática.

          • Por não perceberem de pedagogia e de didática, as competências relativas a estes domínios estão no pedagógico, nos departamentos e nos grupos disciplinares.

  2. A eleição dos diretores, toda a gente sabe, é, em muitos agrupamentos, ”cozinhada” pelas autarquias. Lembremos que no processo existe uma comissão que pode eliminar uns tantos candidatos… Depois os jogos de bastidores fazem o resto….
    Depois o diretor manda no pedagógico e , a partir dos departamentos, em toda a escola! É uma democracia do ”caraças”!
    Este modelo de gestão eliminou alguns dos melhores dirigentes que havia na Escola Pública portuguesa : não podemos esquecer que a legislação foi aprovada no tempo da Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, coincidindo com um dos momentos mais crispados entre professores e Ministério da Educação. Muitos dos quadros que então que dirigiam as escolas, que eram militantes de diversos partidos, também do PS, muitos do PSD, nunca mais quiseram nada que tivesse a ver com direção de estabelecimentos de ensino…
    Havendo excepções, porque felizmente as há, subiu para a poltrona uma nova classe de dirigentes, que estava disposta a colaborar com a equipa da Doutora Lurdes Rodrigues e a adoptar as mesmas prerrogativas do ” quero, posso e mando”. O resultado? É um clima de crispação permanente em muitos Agrupamentos porque, muitas vezes, não são respeitadas, sequer, as mais elementares regras de cortesia…. Volto a frisar que há excepções… mas o modelo é mau!
    É necessário criar um colégio mais alargado para a eleição do diretor. Nas questões pedagógicas e didáticas todos os professores de um agrupamento devem ter algum poder…
    Não há instituição que funcione, está nos livros, com o crescente mal-estar dos trabalhadores ( não, eu não sou colaborador…) e uma guerrilha permanente entre os diversos atores que a compõem…
    Bem sei que o sonho de alguns era desregulamentar a Escola Pública e dar ” carta de andamento” aqueles que não amouchassem às ordens de um Chefe… é a sua ideia de democracia!

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