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Férias ou ensino à distância?

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Em plenas férias antecipadas, como forma de o ministério ganhar tempo, para se relançar o ano letivo, a preocupação principal é como se vai relançar?, ensino à distância ou misto?, porque o presencial parece-me pouco provável.

O ensino à distância será possível com a falta de instrumentos como computadores e internet? Possível será, já o fizemos na primeira onda, mas reconhecendo que as desigualdades se agravaram. Agora com alguns dos computadores distribuídos esta situação será mitigada. Continua sem se resolver a cedência de material para os professores (situação exigida pela lei em teletrabalho ou continuamos a ser exceção?) ou em alternativa deixá-los usar os computadores das escolas, o que implica permitir que estes se desloquem para o seu posto de trabalho, o que significa uma quebra no confinamento, que julgo que a partir de certa altura será possível.

A partir de 8 de fevereiro, o mais provável é a situação pandémica ainda não permitir o ensino misto, pelo que me parece que a única alternativa é a do ensino à distância. O ensino misto pode ser a primeira fase do regresso dos alunos às escolas, mas quando a situação pandémica o permitir.

Para terminar dizer que preferia que agora não estivéssemos de férias, apesar de defender pausas letivas ao fim de 2 meses de trabalho, primeiro porque tivemos férias ao fim de 3 semanas de aulas, depois porque o ensino à distância, mesmo que acentue desigualdades, permite manter uma ligação às matérias lecionadas, que as férias interrompem. Ora, agora, com as férias, também há desigualdades e agravadas em relação ao ensino à distância, porque há famílias que pagam explicações à distância, logo há alunos a consolidar matérias e outros que não o fazem porque não podem, quer porque ajudam os pais ou não podem pagar explicações.

Entretanto até ao final do mês a avaliação do desempenho dos docentes do quadro deve ser comunicada aos interessados. Prevejo que muitas das vagas para as menções de Muito Bom e Excelente vá para as equipas das direções, sobrando muito poucas para os restantes professores, pelo que defendo, na falta de uma reformulação da ADD , pelo menos, a criação de universo específico para os colaboradores da direção para que a principal função de ser professor, ensinar, não seja penalizada, num ano em que mais de 1/3 dos professores têm de ser avaliados, como resultado da possibilidade dada de se contar parte do tempo de serviço em que a progressão na carreira foi congelada.

Concluindo, colocar a tónica nas desigualdades para se interromper o ensino é lançar poeira para os olhos, porque quem tem posses vai consolidar as matérias dadas com explicações e quem não tem afasta-se do ensino/aprendizagem porque não as pode pagar. Com o ensino à distância todos manteriam a ligação aos conteúdos, ainda que alguns tivessem dificuldade em acompanhar o ensino e aprofundar a sua aprendizagem por falta de meios técnicos, mas acho que o mal seria menor, com mais alunos a poderem acompanhar em vez de ficarem parados (ou a jogar). Por outro lado, a disponibilização dos meios técnicos não vai acontecer para todos a partir de 8 de fevereiro. Logo estas férias só servem para salvar a face dos governantes por não terem acautelado as condições para um ensino à distância.

1 COMMENT

  1. “Prevejo que muitas das vagas para as menções de Muito Bom e Excelente vá para as equipas das direções, sobrando muito poucas para os restantes professores…”
    Com todo o respeito, você percebe tanto de avaliação dos docentes como eu percebo de aeronaves universais em rotação paralela…

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