Início Editorial Férias na escola ?

Férias na escola ?

322
4

feriasChegaram as férias, com  elas a descontração, o lazer, as noites que se prolongam, os dias se distendem em preocupações parentais. Período em que os mais pequenos ficam sem grande parte de companheiros e amizades. Por parte dos pais, o receio de onde andam, com quem ficam, o que fazem. São situações que os tempos tornaram pertinentes e necessária a identificação de alternativas ao tempo (e ao modo) escolar. Até há pouco tempo mais comum aos grandes centros, progressivamente alastra-se e até nos pequenos aglomerados (caso da minha aldeia) a situação se torna desafiante, quanto preocupante.

Por outro lado, é também altura em que uns quantos órgãos de comunicação social optam por puxar o tema às primeiras páginas, retomando velhas questões e velhos artigos/peças sempre guardadas para esta altura.

O tema das férias escolares e da necessidade de equacionar outros modos de guarda das crianças é, reconheço, um tema pertinente. Apesar de pertinente no meu entendimento não tem sido considerado adequadamente, nas suas devidas dimensões, por parte dos diferentes atores.

Serem férias escolares implica que a escola fique deserta? Torna-se efetivamente necessário despejar a escola de crianças? Pode a escola assumir outras funções para além do ensinar? Que outras funções? Com que atores e com que envolvimento?

A despeito de opiniões sou claramente defensor que a escola não precisa de ficar sem alunos, que pode assumir uma dimensão de guarda, concorrer, inclusivamente, com campos de férias como antes o fez com as atividades de tempos livres, os ATL’s. Não implica isto que tenha de ser tudo feito por professores, se bem que um vasto conjunto de atividades o poderiam ser – planeamento, organização, orientação, coordenação, avaliação.

Direi que o tempo de pausa escolar, em particular este maior, pode ser um espaço de significativa articulação entre a escola, encarada no cruzamento das dimensões pedagógica e lúdica, e o município, enquanto responsável pela educação e formação dos seus munícipes. Também aqui surgem exemplos nos diferentes meios de comunicação de iniciativas e processos de colaboração entre a escola e os municípios. Perante estes exemplos que de forma recorrente nos surgem, pergunto-me se serão pontuais, casuais, isolados? Se será assim tão complexo ou complicado criar estes laços e este envolvimento para além do tempo escolar formal.

Apesar de considerar que a escola pode e deve assumir outras dimensões que não apenas e exclusivamente as de ensinar e aprender, não pretendo nem considero o prolongar do modo escolar como única alternativa. Em processo de articulação de diferentes atores bem que, a partir da escola (enquanto espaço lúdico e pedagógico e que muitos municípios têm como único), se podiam criar dinâmicas de envolvimento entre escola, município, associações (em particulares as juvenis), pais/encarregados de educação. Dinâmicas que permitissem que a escola ganhasse outras capacidades mediante o prolongamento da sua ação por dimensões não formais de educação.

Em síntese seria uma forma de, mediante outras estratégias e outros modos de ação escolar, gerir comportamentos, fomentar outros processos de aprendizagem, valorizar outras dinâmicas de conhecimento e relacionamento. Por ventura e por que não, dar consequência ao tempo escolar.

27 de junho, 2016

Manuel Dinis P. Cabeça

 

COMPARTILHE

4 COMENTÁRIOS

  1. Não concordo muito consigo Manuel Cabeça!
    Devem sim, sair das escolas, ver outros espaços, ter outras actividades, estar com outras pessoas e outras crianças.
    A escola é comparada com o “local de trabalho” das crianças e jovens.
    Os adultos estão mortinhos por ter férias do seu local de trabalho.
    Então por esse seu raciocínio :

    “”Serem férias do TRABALHO implica que o ESCRITÓRIO fique deserto?
    Torna-se efetivamente necessário despejar a LOJA de TRABALHADORES?
    Pode O SUPERMERCADO assumir outras funções para além do VENDER?
    Que outras funções?
    Com que atores e com que envolvimento?”””

    O Manuel Cabeça aceita este argumento para a sua própria vida?

    • gosto do espicaçar do tema e da conversa;

      e tenho de concordar, não aceito esses argumentos para a minha própria vida;

      e não aceito por que não comparo um supermercado, um escritório ou uma qualquer empresa a uma escola por muito que muitos afirmem que a escola é uma empresa;

      a escola até pode ser uma empresa, mas tem e cumpre funções que vão muito além das de um qualquer supermercado e mesmo que qualquer função social que esses possam assumir;

      obrigado pelo comentário

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here