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Faz-me Confusão Como É Que Se Avança Na Matéria Sabendo Que Há Alunos Que Estão A Ficar Para Trás

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Nota: a carapuça só servirá determinadas cabeças, mas serve…

Acho que devíamos todos parar um bocadinho e pensar na função docente enquanto propulsora de uma sociedade igualitária e acessível a todos.

Andámos a levar na cabeça durante 5 anos, desculpem lá o termo, com a inclusão, a flexibilidade curricular, a diferenciação pedagógica, a escola que espera por todos, agregadora, blá, blá, blá. Onde a própria avaliação às escolas e docentes, visava a inclusão como um dos seus principais pilares. Tudo certíssimo, tirando os problemas da falta de meios e outras coisas.

Pasmo agora quando vejo colegas professores a avançar na matéria sabendo que existem alunos seus que não estão a acompanhar sem terem qualquer tipo de culpa.

Mas desde quando é que a Escola Pública usa a estratégia de empurrar com a barriga para a frente e depois logo se vê as consequências que daí virão?

Uma coisa é estarmos todos numa sala física e termos alunos que estão no mundo da lua, ou com problemas de assiduidade, comportamentais ou cognitivos. Outra coisa é saber que os alunos não estão presentes porque não podem estar presentes!

No ensino presencial, existem estratégias e apoios que a escola faculta para lidar com este tipo de alunos, desde gabinetes de psicologia, tutorias, apoios em sala de aula, atividades diferenciadas, etc. No ensino à distância, nada disso existe e pelos vistos há quem pense que apesar desta gritante diferença, as aulas devem correr a um ritmo perfeitamente normal.

Numa altura em que sabemos, que estamos a milhas de uma escola normal e que a única coisa que nos liga à escola são uma caixinhas pequeninas com caritas de um lado e outro, há professores, que de forma umbiguista, pois nos alunos de certeza que não estão a pensar, atiram matéria como se estivesse tudo bem, como se não estivéssemos em período de emergência nacional com notícias diárias de pessoas a morrer.

Desculpem-me a franqueza, mas onde é que estão com a cabeça? Que raio estão vocês a fazer?

Já se sabe que não há exames no Básico, já se sabe que os exames do 11º ano e 12ª ano terão perguntas opcionais para salvaguardar um 3º período atípico.

Claro que haverá avaliação no 3º período, que temos de recolher elementos, mas ninguém disse para avançarem com a matéria deixando alunos para trás de forma perfeitamente consciente. E a palavra consciente, deve ser repetida até à exaustão, para ver se alguns ganham vergonha e percebem que o que estão a fazer viola todos os valores e princípios da Escola Pública.

Já estou como o outro… Mas qual é a pressa? Porque correm? Olhem para trás e vão ver que ninguém vos está a perseguir, parem, esperem, respirem!!!

Há alunos que estão a passar horas agarrados ao computador e telemóveis!

Não sei se viram, mas hoje deu uma reportagem na SIC, onde uma avó com a 4ª classe explicava/ensinava ao seu neto que frequenta o 5º ano. Repito… uma avó… com a 4ª classe… estava a explicar a matéria ao seu neto de 5º ano…

E como a avó não sabia Inglês, o aluno tinha que ligar ao tio para ajudá-lo…

(pausa para refletir)

É isto que queremos?

(nova pausa para refletir)

Há dias deu uma reportagem de uma aula síncrona onde tínhamos uma professora com todos os seus alunos ligados em rede. Foi tão bonito… só foi pena não corresponder à realidade nacional.

É que alguns que têm a sorte de ter os alunos todos, mergulham nas suas pequenas ilhas e pensam que afinal está tudo bem e avançam com a matéria… Estará? E a turma ao lado onde só apareceram 7 alunos dos 26 para a aula síncrona? E a escola ao lado onde metade da turma não tem computador e 1/3 tem necessidades educativas especiais?

Onde está a equidade? Já não nos importamos com ela?

Há tanto que pode ser trabalhado com os alunos sem que estes precisem de avós e pais a ensinar-lhes a matéria.

Ocupemos os alunos com conta peso e medida, trabalhemos com conteúdos já lecionados, permitamos que os alunos pesquisem, exercitem e consolidem o que já abordaram e vão ver que o 3º período passa depressa e bem.

Tenham calma!

Alexandre Henriques

8 COMMENTS

  1. boa tarde,

    não sou professor nem tenho qq ligação ao ME, como tal poderei ser a última pessoa a poder dar “bitaites”.

    mas não seria mais útil usarem, todos os anos de ensino, este “intervalo” para cimentar conhecimentos em vez de estar a dar novas matérias?

    obrigado

    • pf usem este tempo para tirar dúvidas, para esclarecer matérias que ficaram mal percebidas.

      dispam um pouco a farda de professor e vistam a de explicador.

      obg

    • pois, talvez, mas eu como não sou de aceitar as coisas sem explicações lógicas para as fazer, não consigo perceber tal coisa.

      e menos percebo qd os professores habitualmente se manifestam sobre o que lhes desagrada, se calhar e caso não tenham sido nem perdidos nem achados sobre o assunto em apreço, conviria agora explicarem o que deve ser feito e como, para seu bem e dos seus alunos.

  2. e quando são os próprios pais a exigirem isso?
    mensagem de uma encarregada de educação:
    “Creio que fiz uma sugestão válida ao qual não me respondeu para leccionar estas disciplinas, nos tempos que correm seria melhor para os meninos terem aula pela escola Virtual e ainda através da aplicação ZOOM do que estar a utilizar meios que pretende!” (esses meios são o email e/ou fotocópias em papel através das juntas de freguesia, vídeos youtube e powerpoints)

    e atenção que isto é Trás-os-Montes!

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