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Se faz favor, obrigado, de nada…

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Há uns dias, estava com os meus alunos na sala de aula e assisti ao início de uma pequena discussão entre dois deles. Aproximei-me e um disse-me: – Ele tem a minha borracha e não a quer devolver… e o colega defendeu-se dizendo: – Precisei de uma borracha e como não tenho utilizei a dele…

Eu digo sempre aos meus alunos que para ser um bom colega é importante partilhar, mas que ninguém é obrigado a isso. Perguntei ao aluno que não tinha borracha se a pediu, e ele respondeu-me que não. E depois, procurei saber com o outro aluno se havia algum problema em partilhar a sua borracha com o colega, e ele prontamente também me disse que não. Então, expliquei-lhes que sempre que precisarem de utilizar a borracha ou outra coisa qualquer devem solicitar o objeto em causa verbalizando as palavras “se faz favor”.

Pouco tempo depois, repete-se a mesma história, com outros dois alunos, mas desta vez por causa de um lápis. Resolvi o mal-entendido dizendo-lhes que com um simples pedido – “se faz favor” – e depois com um agradecimento –“obrigado” – podem chegar ao entendimento!

Ontem, enquanto um educando me pedia para que lhe atasse as sapatilhas e depois de eu insistido com ele para que verbalizasse o seu pedido (sim, existem muitas crianças que chegam ao pé de mim e apenas fazem um grunhido e apontam com a cabeça para o atacador) ouvi uma aluna a sussurrar: — O português é complicado! É se faz favor, é obrigado, é de nada! Poxa!

Ouvi, mas não respondi. Fiquei a pensar no quanto é necessário para educar uma criança. Há quem diga que é preciso uma aldeia!

Hoje, ouvi dois adultos a comentarem que a educação não é uma obrigação da escola, mas sim de casa, da família, depois de se depararem com uma grande falta de civilidade por parte de um transeunte.

É verdade, as pessoas parecem cada vez mais desligadas, mais rudes, andam pelos passeios/ruas como se estivessem sozinhas, não há uma cedência, não há um se faz favor, não há um obrigado nem um bom dia como resposta quando se entra em um estabelecimento qualquer. E, por vezes, até acontecem situações confrangedoras: um adulto chama a atenção a um jovem ou a uma criança por um comportamento inapropriado e é de imediato insultado pelo próprio ou por o seu progenitor…

Os tempos são outros e as “aldeias” onde vivemos também mudaram, para o bem e para o mal…

Hoje em dia, as crianças passam muitas horas no estabelecimento de ensino e eu pergunto-me: qual é a responsabilidade da escola? Para mim, a escola também tem um papel importante na educação para o civismo, mas é fundamental que o mesmo aconteça em casa. Deve ser uma responsabilidade partilhada por toda a comunidade que lida com as crianças.

Gonçalo Gonçalves, professor do 1º ciclo.

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2 COMENTÁRIOS

  1. O português é complicado! É se faz favor, é obrigado, é de nada! Poxa!

    MAS tem que se saber dizer , FAZ FAVOR; OBRIGADO; NÃO TEM DE QUÊ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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