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“Farto de ver os outros como exemplo”. Um desabafo de um professor sobre a educação na Finlândia.

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gritar

Este foi o resumo do desabafo de António Ribeiro, proferido no grupo FaceProf, em resposta ao artigo partilhado “O segredo está no professor. Temos total confiança e este tem total liberdade”. Não deixo de me identificar com as suas palavras, sentindo o seu melindre por sistematicamente olharmos para o lado e não criarmos algo nosso e que nos permita orgulhar e servir de exemplo para outros “Portugais”.

Ficam as suas palavras.

Estou farto de ver notícias sobre o sistema educativo Finlandês, até quando é que deixamos de estar sempre a olhar para a galinha da vizinha? Eu gostaria de ver um modelo educativo Português que servisse os nossos alunos, que não fosse remendado a cada ciclo eleitoral. Um modelo estável.

Sou professor há trinta anos, e nunca vi nenhuma “reforma” ser verdadeiramente levada até ao fim, com uma avaliação fidedigna e consequente.

Professores, pais e alunos nunca foram verdadeiramente ouvidos sobre o que foi feito e como é que se pode melhorar. Os nossos ministros da educação querem deixar a sua marca, mas tem sido, salvo raríssimas exceções, má ou muito má.

Inventaram-se os parâmetros e travaram-se verdadeiras guerras nos conselhos de turma; veio a área-escola, mas também não serviu; chegou a área de projeto e teve o mesmo fim; inventou-se o estudo acompanhado, obrigatório para todos os alunos e, como é óbvio, também desapareceu. Foram os Trabalhos Oficinais, os CEF, os Voc, mas tudo o vento levou. Pelos vistos vamos voltar ao fato único que NUNCA irá servir a todos os alunos: para uns será sempre apertado e para os outros ficará demasiado largo… As disciplinas já foram TODAS importantes, depois deixaram de o ser… A escola já foi democrática, agora vive uma democracia estranha… Até 74 havia os quadros de honra, agora voltaram os de mérito e de excelência… Vieram os rankings; e exames, muitos exames, tudo serviu para denegrir a escola pública, porque só os colégios e sempre os colégios é que têm ficado muito bem no retrato (vá-se lá saber porquê?!). É verdade, até já me esquecia, da uma coisa extraordinário que alguém sonhou: os professores titulares, os outros eram todos suplentes, embora fizessem,uns e outros, exatamente o mesmo. Veio a PACC e foi-se… verdadeiros pesadelos que se abateram a partir do momento em que professores e alunos passaram a ser valores estatísticos e vistos como despesa!…

E muito mais havia por dizer, mas para um simples comentário, foi na muche caro António!

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