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“Farto de ser Marido de uma Professora “

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Marido – “não vens dormir?”

Esposa – “quero ver se acabo de corrigir, só me faltam estes…”

ou

Marido – “olha, sabes que é fim de semana, não sabes?”

Esposa – “eu sei, mas tenho de preparar as aulas e para a semana tenho reuniões intercalares e preciso de enviar as notas…”

dormir sozinhoÉ algo deste género, não é?… Quem está casado com um(a) professor(a) sabe que é frequente usufruir da sua cara metade apenas em regime de part time.

O título deste artigo também podia ser algo como “Quem quer casar com uma professora?”, que encaixava perfeitamente, mas a verdade é que não fui eu o autor da ideia deste artigo, recebi um email em modo desabafo com o titulo referido e como professor/marido não consegui ficar indiferente.

Cá por casa, ambos somos professores e temos perfeita consciência das obrigações laborais, no momento que escrevo estas linhas a minha cara-metade está a dar notas intercalares. Quem sou eu para dizer alguma coisa…

Mas isto é um problema muito sério, as famílias são autênticos danos colaterais de uma profissão migrante e com elevada carga laboral. Quem não é professor tem dificuldades a entender como é que um professor do Algarve vai para Lisboa e como é que um de Lisboa vai para o Algarve. É normal sentirem-se impotentes, frustrados e revoltados com a situação. Nós também ficamos…

A família é o pilar emocional do professor, a sua perturbação afeta claramente o seu desempenho, mas a cara-metade também sofre com esta situação e também ela tem uma profissão que precisa de desempenhar e que é perturbada pela nossa ausência. Sobre os filhos, bem, estes podem ser os principais afetados, mas tendo em conta que estamos a falar de pessoas habituadas a lidar com miúdos, estes continuam a ser uma prioridade e acredito que façamos os possíveis e impossíveis para não os prejudicar, por isso é que muito do trabalho é feito depois das crianças irem dormir. O pior é mesmo o marido ou a esposa, este(a) tem de entender tudo e está sempre no final da cadeia familiar.

Meio a brincar meio a sério, os candidatos a docentes deviam apresentar-se com um carimbo na testa, alertando exatamente o que vão “vender” quando os futuros conjugues os levarem ao altar. Estes não se casaram com a docência, casaram sim, com as Joanas, as Marias e as Paulas, que tinham tempo para eles e não os trocavam por uma pilha de testes… Caramba, não devia ser assim, não podia ser assim…

Andei à procura de um estudo que referisse a percentagem de divórcios dos professores, mas não encontrei nenhum estudo nacional. Mas para quem anda nas escolas e conhece a realidade docente, pode comprovar que não é fácil a vida familiar de um docente com um não docente e vamos sabendo com maior ou menor regularidade, de projetos que tinham tudo para dar certo mas falharam.

Está na altura de professoras/professores, que também são mães, pais, esposas e maridos, de pensarem mais nos seus e em si, blindando a sua família e o seu tempo para ela.

Hoje eles estão cá, mas amanhã podem fartar-se e dizer que já não vale a pena e depois, como é?

E vale a pena? Onde está a recompensa? Onde está o reconhecimento financeiro e social? Até podemos ficar de consciência tranquila por não falharmos para com os alunos? Sim, ficamos… Mas esta preocupação devia ser aplicada, repito, aplicada em casa e a nossa consciência deve, devia estar pesada, bem pesada no que diz respeito à nossa família.

Somos vítimas, sim, claro que somos, mas também somos culpados, culpados quando não reconhecemos o sacrifício que ele/ela faz para que possamos exercer sem comprometer.

Vá, saiam lá da Net e vão dar um miminho à cara-metade. Que melhor maneira de começar o fim de semana…

Deixo-vos com o desabafo de quem pediu um compreensível anonimato.

Farto de não ter direito a parte do espaço que deveria estar disponível para ambos, para trabalhar no computador… 

Farto de ver papéis espalhados pela sala, escritório e cozinha…

Farto de ela não ter tempo para um jantar especial, um fim de semana especial…

Farto de a ver sempre ao telemóvel com colegas que lhe ligam por tudo e por nada sobre assuntos de trabalho a qualquer hora do dia ou noite ou fins de semanas…

Farto de ver colegas dela a aproveitarem-se das suas competências …
Farto de ter férias em Agosto…

Farto de gastar fortunas em despesas de manutenção com o carro, porque ultimamente em vez de ser 100kms por dia para cada lado, durante um ano inteiro, passou a viajar todos os meses para um destino/cidade diferente…

Farto de a ver com ansiedade, todos anos, porque num ano, mudam as regras do concursos, outro ano criam várias formas de concorrer…

Finalmente,

Farto de ver que o nosso filho, tem menos atenção do que os filhos dos outros.

Assinado
P.
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22 COMENTÁRIOS

  1. Bem verdade, muito bem detalhado mas acho que não temos que nos preocupar muito pois não tarda nada os professore passem a viver a tempo inteiro (24 h./24 h.)nas escolas e daqui por alguns anos as suas famílias vão poder se juntar a elles lá na escola. (Claro com a condição de ajudar como voluntariado.)

  2. Este texto é uma afronta a quem realmente trabalha!!… A quem trabalha fora de casa.. Aos fins de semana e feriados…A quem trabalha manhãs,madrugadas,tardes e noites.. A quem como eu trabalha natal,passagem de ano…Quem dera estar fisicamente em casa aos fins de semana…E ter que corrigir testes
    …Que grande drama…este texto foi escrito por um funcionário público… Que sempre teve o horário regular… ADSE…E outras regalias…

    • Ena, eu estava a estranhar a demora do primeiro paciente com dor de cotovelo profunda… Durou quase 48 horas, nada mau…
      Caro eds, vamos falar sobre a Síria, sim, falemos sobre os Sírios que não tem casa e morrem às centenas no mediterrâneo. Ou então, não vamos tão longe, falemos dos sem abrigo que vivem em Portugal, ou das reformas miseráveis de quem passou uma vida a trabalhar para que outros agora usufruam de spas e afins. Ou então falemos dos miúdos que chegam às escolas sem o pequeno almoço tomado e que a única refeição que tomam é a dada pela escola.
      Não faz sentido pois não…
      Esta mania de comparar o incomparável dá nisto, ó amigo(a), este texto não foi para comparar com outras profissões, pois se quer ir por aí, então é bom que não se queixe pois como referi tem sempre alguém que está pior que você ou que eu…
      Respire e vá usufruir do belo dia de sol. É que a azia é uma chatice…
      P.S – e sobre a ADSE… tem toda a razão, está na hora do estado dar de volta aquilo que pagamos a mais para ajudar a financiar a saúde em Portugal…

      • Muito boa a sua resposta. De facto, sempre que se fala do trabalho de professor sempre aparece um trol que canta a canção do “tens muita sorte, que sou muito mais trabalhador do que tu, sacripanta, desgrenhado, sem vergonha, funcionário público, que tens ADSE”.

      • A esposa não vai dormir porque está a corrigir testes? Por via das dúvidas é melhor ir ver se a professora em questão não tem o Tinder instalado…
        Aceite uma crítica colega: texto pobre, cheio de lugares comuns, mal redigido e um tudo nada queixinhas.

          • Da maneira como o Alexandre escreve bem precisa de animadores. Até as suas respostas denotam falta de conteúdo. Não se distraia que ainda lhe faltam muitos testes.
            … de nada.

          • Gosto de ser básico, gosto de ser comum e quando não gosto de algo vou para outro lado onde me sinta melhor… Mas o que gosto mais é de assinar as coisas com o meu nome, é uma questão de caráter…

    • Sra/Sra eds,
      Se tem um emprego que o “obriga” a levar trabalho para casa e a prescindir de estar de corpo e espírito com a sua família aos fins de semana ou nas sua folgas, até compreendo o seu desabafo; se não tem, perdeu uma excelente oportunidade de estar calada/o.

      • A minha realidade profissional obriga-me a estar de corpo e alma fora de casa.. Aos fins de semana, à noite..No natal…na passagem de ano…nos feriados todos…Por isso mereço desabafar.em relação ao artigo……..texto leviano de qualquer maneira…mal escrito..psicologia barata…..

        • Caro eds,
          Infelizmente não deve conhecer bem a realidade dos professores.
          Não sou professor, nunca quis ser. Hoje sou profissional de saúde, mas muito antes disso, sempre fui filho de um professor.
          Realmente só quem não conhece o dia-a-dia destes trabalhadores é que fala assim, como o senhor.
          Garanto-lhe que era mais fácil ter o meu pai ausente fisicamente no Natal, passagem de ano, páscoa, etc, do que “tê-lo” em casa, enquanto estamos todos em família e ele no escritório a preencher burocracia, fazer relatórios, atas, lançar notas, etc. Acredite que um filho sofre menos se souber que o pai não está fisicamente mas pode estar em espírito com ele (mesmo que não possa estar, o filho sempre pode ter essa esperança), do que estarem os 2 um ao lado do outro e notar que ele nem responde, nem fala, porque está concentrado a trabalhar. Acredite que custa.
          Ainda há pouco, cheguei a casa às 3h da manhã e vejo o meu pai a corrigir testes, porque as provas foram a semana passada e tem de entregar 231 testes até esta sexta. Sim, ele tem este ano exatamente 231 alunos e tem de entregar as provas corrigidas no máximo em 2 semanas. Não esquecer que entretanto amanhã, que às horas que vir a mensagem já será “hoje”, às 8h20 da manhã tem de estar a dar aulas para 29 crianças que, hoje-em-dia, a maioria são uns autênticos, e peço desculpa pela expressão, “estafermos”, devido à falta de educação que os pais lhes dão.
          Não estou a dizer que a sua profissão não seja desgastante, porque até acredito que o seja. Mas antes de comentar, por favor pense que um professor não tem um trabalho “das 8h às 17 ou 18h”, como a maioria pensa. Só para terminar, sabe em média quantas horas um professor passa a trabalhar por dia? Pois, no mínimo vejo o meu pai a sair às 7h, chegar às 18h exausto e mesmo assim ainda se vai enfiar no computador a trabalhar até às 22-23h, parando para jantar rapidamente. Isto na melhor das hipóteses, porque se tiver testes para corrigir, como o caso destas 2 semanas, são até às 2 e 3h da manhã a trabalhar. E no dia seguinte, outra vez às 8h20 tem de lidar com mais uma turma de alunos.
          Por isso, pense bem antes de criticar as outras profissões. Cada uma tem vantagens e desvantagens e só quem está a exercer cada uma é que poderá falar de si.

    • Olha eu trabalho por laboraçao continua a 20 anos, a minha esposa é professora e sabes o que chateia é teres um fim de semana por mês e nesse fim de semana ela ter fichas para corrigir, chegas ao verão e não consegues ir a praia, não sei se entendeu mas foi um marido de uma professora que se estava a reclamar a sua sorte.

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      Coitadinho…. trabalha realmente… fora de casa, aos fins de semana, nos feriados, nas madrugadas, tarde e noites, na passagem de ano! Tanto trabalho! Deve ser um excelente funcionário! Aposto que não ganha o que merece!
      Pois… os professores têm que trabalhar diretamente com os V. filhos, na escola, preparar aulas, corrigir testes, elaborar relatórios… aos fins de semana, nos feriados, nas madrugadas, tardes e noites, na passagem de ano… Sem horário regular, sem fins de semana, …. mas com ADSE ,que o funcionário público desconta todos os meses para ter acesso a ele! Sabe o que é um seguro de saúde? É a mesma coisa!
      Afinal… um trabalhador público ou privado… é um trabalhador! Agora depende da qualidade de cada um! Acorde!!! Precisamos todos uns dos outros!

    • A questão aqui n é estar a trabalhar em casa! Mas sim a trabalhar nas folgas! Certamente, deve ter folgas e não as usa para trabalhar!

    • Eds, faça um favor a si mesmo e a toda a comunidade docente…vá lá trabalhar, mas cale-se, não desperdice o tempo a escrever disparates! Não faz a menor ideia do que é um dia de trabalho de um professor em Portugal…não massacre mais por quem tanto luta pela educação deste país. Deveria ter vergonha!

  3. Apesar de tudo isso, e é verdade, há professores aos pontapés, até há quem diga: não dás para mais nada mas vais para professor/a

  4. Este texto é real, verdadeiro r passa se frequentemente em casa dos docentes
    Sou docente e revi me nestas palavras, tanto a mim como à minha filha bem como ao meu ex marido. Tive um casamento de 12 anos que se foi degrandando devido à minha profissao.
    A minha filha atualmente com 16 anos, sofreu na sua pele tantos e tantos dias em que o que lhe restava da sua mae para si eram os cuidados basicos.
    Apos um dia a lecionar, reunioes, infelizmente muitas das vezes nao existia paciencia para uma filha pequenina, entao ela chegou a dizer ,” eu odeio ser filha de uma professora “, enquanto mae doia me, pois sabia que estava em falha com a minha filha.Apos um divorcio, tive que refletir e cheguei à conclusao que errei anos a fio com a minha familia.
    Hoje tento ao maximo separar trabalho de vida familiar, pois nao tenciono lesar mais ninguem com a minha opçao profissional.
    Ja perdi o suficiente para pensar que o trabalho nao é familia.

  5. Não sou professora, mas reconheço e dou mérito ao trabalho e esforço da profissão.
    São os professores que ensinam os nossos filhos, e que nos ensinaram quando nós andávamos na escola.
    Por vezes até têm de “educar”, quando a educação deve ser dada em casa.
    Quem critica a profissão, ou não tem filhos, ou se esqueçe o quanto os professores são importantes na preparação/ensino das crianças para o futuro delas.

  6. Tanta inveja e tango nojo!
    Tanta vida , tanta gente, tanta solidão.
    Tanto trabalho, tanta fome, tanta saudade.
    Não conseguis todos ser mais solidários e caridosos?
    Somos todos iguais, porra! Todos sofremos e todos lutamos

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