Home Escola Família, Escola E A Criação Da Ordem De Professores – Alberto João...

Família, Escola E A Criação Da Ordem De Professores – Alberto João Jardim

345
0

Desde o seu aparecimento, a raça humana caracterizou-se por cada vez maiores relações recíprocas na espécie, desaguando na intensidade da convivência que hoje as novas tecnologias propiciam, da TV à NET.

A relação com os outros é inata à natureza humana – veja-se os problemas e as patologias que o isolamento propicia – e gera Valores como a sinceridade, a veracidade, a dedicação, o respeito mútuo, a solidariedade, o honrar dos compromissos, a lealdade, etc.

Milénios depois, o surgir da actividade escolar contribuiu para alimentar e acompanhar o crescimento da Pessoa Humana em áreas como o Conhecimento e a Cultura, e até o próprio aperfeiçoamento do se relacionar.

Mas, nesta evolução, a Instituição Família afirmou-se como uma comunidade específica entre homem e mulher, caracterizada pelo Amor. Este, por um lado, constituído pela vontade e desejo mútuos. E, por outro lado, pelo super afecto como mais ninguém, aos seres que ambos geraram, os Filhos.

Milénios depois, dos primeiros Seres Humanos, a Escola revelou-se envolvência e complementaridade das duas relações acima descritas.

Hoje, assistimos a uma globalização, a uma aproximação mundial do conceito de Família, devido à maior velocidade dos meios de comunicação e de transporte e à consequente maior mobilidade das pessoas e das ideias. Presentemente, as maneiras de pensar a Instituição Família num canto do mundo, têm cada vez mais repercussão noutros lugares.

É indispensável a Escola estar atenta a esta transformação global.
Claro que a principal responsabilidade em Educar e Formar cabe à Família, através do que permanentemente ensina e molda em palavras e em comportamentos.

Mas há uma responsabilidade da sociedade – E SOBRETUDO DA ESCOLA – para acompanhar as Famílias nas crises de identidade que resultam das mudanças sociais cada vez mais aceleradas.
Embora as Famílias, elas mesmo, tenham de se consagrar directa e intensivamente às necessárias transformações das sociedades, porque serão as principais vítimas dos males a que tenham assistido de braços caídos.

A responsabilidade das Famílias na sociedade, não é apenas em relação à Escola. Através das respectivas associações ou dos seus eleitos políticos, têm de participar na feitura das leis, para além das actividades de solidariedade social, de forma a que, em cada Estado, esteja garantido o primado da Pessoa Humana sobre o Estado, a Região, o Poder Local e restantes instituições internacionais ou nacionais, públicas ou privadas.

Deste primado da Pessoa Humana resultam Direitos, Liberdades e Garantias que, entre outros aspectos, se saldam no Direito de a Família escolher o modelo de educação que entender para os filhos, incluindo a Liberdade da Educação Religiosa.

Indubitavelmente, a Escola tem de cooperar com estes Direitos Fundamentais, mas a Família não pode se autoexcluir e responsabilizar só os Professores. Deve a Estes uma frequente troca de impressões.

A inevitabilidade actual da entrega dos filhos a uma maior educação extra-familiar, implica que EM COOPERAÇÃO COM A ESCOLA, por um lado a Família seja um espaço de Liberdade cada vez maior. E, por outro lado, ambas as Instituições combatam eficientemente alguns Medos dos nossos tempos, como a violências, as guerras, as crises económicas, o desemprego, o pessimismo sobre o futuro.

Cabe aqui referir a necessidade de a Escola participar na mudança social da condição da Mulher no mundo de hoje, sua maior independência económica, profissional e de intervenção no progresso da sociedade.

Hoje, não só em Portugal, há problemas das Escolas que merecem uma atenção especial das Famílias: número excessivo de alunos; incompetência dos sistemas de Ensino, nomeadamente no caso português; a instrumentalização dos Sistemas Educativos e de algumas Escolas por ideologias contra os Direitos Humanos, Liberdades e Garantias, contra o primado da Pessoa Humana; má formação da Opinião Pública por meios de comunicação social medíocres e instrumentos de “interesses” contrários ao Bem Comum.

Hoje, há mudanças problemáticas commumente sentidas por Famílias e Escolas: regimes de alimentação; condições de trabalho mais duras; a massificação principalmente através da comunicação social e das tecnologias, com mensagens superficiais, rápidas e não fundamentadas (spots); a dificuldade em cada um se encontrar consigo próprio, paz e silêncio para meditar, pensar, analisar; o agravamento da condição da mulher-objecto, camuflado sob hipócritas defesas de “causas fracturantes”; quer a demonização do sexo, quer a sua deificação.
Esta evolução do mundo de hoje, por um lado torna mais difícil à Família ser educadora. Por outro lado, a evolução científica no Ensino, oferece possibilidades novas e incita as Famílias a procurar novas oportunidades para, em colaboração com a Escola, intervir na Educação.

É positivo a Escola chamar as Famílias ao entendimento e compreensão dos novos métodos de educação que se revelem com qualidade. E se a coexistência de gerações se impõe nas Famílias, ela é obrigatória também no Professorado, bem como na sociedade em geral.

Sem fantasias, há que ter presente que, quer o futuro das comunidades familiares, quer das comunidades escolares, obviamente vão depender das decisões de cada comunidade nacional, e até de organizações internacionais.

As associações de Pais e de Professores devem procurar aumentar o respectivo peso de intervenção nacional, e mesmo internacional, na solução de problemas que se relacionem sobretudo com as Liberdades Cívicas, mormente Liberdades e Qualidade do Ensino. Que se relacionem com as condições sociais e com a Formação e a Educação da Pessoa Humana.

Em Portugal, face ao descrédito na sociedade em que tombou a falhada actividade sindical do sector, é tempo de a Classe se libertar da subjugação a essa partidarite e respectiva mediocridade, para e ao exemplo de sucesso noutras Profissões, ser criada a ORDEM DOS PROFESSORES com todas as inerentes consequências positivas de tal Estatuto.

* Síntese de um trabalho preparado para o Dia da Família.

Alberto João Jardim, in Jornal da Madeira, 21-06-2019

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here